Artigo na Revista Científica IJHDR
Paradoxical pharmacology: therapeutic strategy used by the
‘homeopathic pharmacology’ for more than two centuries

 


Prezados Homeopatas e Amigos,

 

Disponibilizado na revista científica International Journal of High Dilution Research (IJHDR) (2014; 13(48): 207-226) o artigo intitulado ‘Paradoxical pharmacology’: therapeutic strategy used by the ‘homeopathic pharmacology’ for more than two centuries http://www.feg.unesp.br/~ojs/index.php/ijhdr/article/view/714/740

 

O método homeopático de tratamento das doenças baseia-se em quatro pilares ou pressupostos fundamentais: ‘princípio de cura pela similitude’, ‘experimentação de medicamentos em indivíduos sadios’, uso de ‘medicamentos dinamizados’ e prescrição de ‘medicamentos individualizados’. Embora se atribua grande importância ao ‘medicamento dinamizado’ (diluições e agitações seriadas dos medicamentos, ‘doses infinitesimais’ ou ‘ultradiluições’), incorporado posteriormente ao modelo homeopático para minimizar as possíveis agravações sintomáticas advindas da aplicação da similitude terapêutica, as duas primeiras premissas são a base da episteme homeopática, restando ao ‘medicamento individualizado’ a condição inerente para que a reação terapêutica do organismo seja despertada.

 

Na última década, expoentes da moderna farmacologia clínica e experimental têm sugerido uma estratégia terapêutica semelhante à propagada pela homeopatia há mais de dois séculos intitulada ‘farmacologia paradoxal’, propondo que “a exacerbação de uma doença pode fazer com que os mecanismos compensatórios e redundantes do organismo consigam uma resposta benéfica em longo prazo”.

 

Essa ‘farmacologia paradoxal’ tem sido proposta no emprego dos betabloqueadores e dos bloqueadores dos canais de cálcio na insuficiência cardíaca congestiva (ICC), melhorando a contratilidade ventricular e diminuindo a mortalidade, além do emprego dos mesmos betabloqueadores no tratamento crônico da asma, promovendo broncodilatação e reduzindo a inflamação nas vias respiratórias. No uso do efeito paradoxal antidiurético das tiazidas para tratar o diabetes insipidus, reduzindo a poliúria e aumentando a osmolalidade da urina, além da aplicação do trióxido de arsênico (As2O3), importante agente carcinogênico, como promissor agente antineoplásico (na leucemia promielocítica aguda, por exemplo). No emprego do efeito paradoxal dos contraceptivos orais como indutores da ovulação (gravidez) em mulheres portadoras de esterilidade funcional e na utilização de drogas estimulantes do sistema nervoso central (anfetamina, metilfenidato, pemolina) no tratamento da hiperatividade, em vista de seu efeito bifásico. Dentre outros.

 

De forma análoga ao método homeopático de tratamento, que utiliza ‘doses infinitesimais’ ou ‘ultradiluições’ dos medicamentos com o intuito de evitar uma possível agravação da doença na aplicação da similitude terapêutica, os proponentes desta proposta sugerem, como uma “boa regra geral”, iniciar o tratamento com “doses muito pequenas, aumentando-as gradativamente ao longo das semanas”. Por outro lado, a ‘farmacologia paradoxal’ enfatiza que “o despertar da reação paradoxal do organismo independe das doses dos medicamentos”, propriedade também observada no modelo homeopático e nos estudos sobre o efeito rebote (ao contrário dos mecanismos da hormesis).

 

Com o intuito de aproximar racionalidades distintas e ampliar o escopo da “terapêutica pelos semelhantes”, vimos propondo na última década uma sistematização para a utilização do efeito rebote curativo de 1.250 fármacos modernos, administrando-se aos indivíduos doentes, em doses infinitesimais (‘medicamento dinamizado’), os fármacos que causaram sintomas adversos semelhantes (segundo a ‘totalidade de sintomas’), com o intuito de estimular a reação paradoxal e curativa do organismo contra seus próprios distúrbios (http://www.novosmedicamentoshomeopaticos.com).

 

Nesta revisão, propomos identificar as semelhanças conceituais e funcionais entre a ‘farmacologia homeopática’ (uso terapêutico do princípio da similitude) e a ‘farmacologia paradoxal’ (uso terapêutico da reação paradoxal), reforçando a validade dos pressupostos homeopáticos perante a racionalidade científica moderna e expandindo o conhecimento em busca da otimização de ambas as propostas.

 

Desde 1997, vimos fundamentando o ‘velho’, ‘clássico’ ou ‘tradicional’ princípio da similitude, estipulado por Hahnemann em função da ‘similaridade de sintomas’ (Organon, parágrafos 22-70), confirmando o princípio da similitude sintomática como ‘lei natural’ através do estudo continuado dos relatos científicos que descrevem aumento de sintomas iatrogênicos após a suspensão de drogas enantiopáticas (paliativas), demonstrando a importância dos sintomas de ação secundária (rebote, paradoxal) em promover alterações profundas no equilíbrio orgânico, embora tenha sido considerado ‘inviável’ e ‘não científico’ por outros pesquisadores da época.

 

Neste estudo, buscamos sintetizar esta linha de pesquisa que vimos desenvolvendo nas últimas décadas.

 

Aproveito a oportunidade para parabenizar o Prof. Dr. Carlos Renato Zacharias que liderou de forma exemplar o IJHDR desde a sua fundação.

 

Feliz Ano Novo!!!

 

Marcus Zulian Teixeira

www.homeozulian.med.br

www.novosmedicamentoshomeopaticos.com