Associação Médica Homeopática Brasileira

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Belo Horizonte, 07 de março de 2008

 

 

COMUNICADO DA AMHB

 

Posição da AMHB em relação a:

 

  • Exercício do Atendimento Homeopático por não médicos;
  • Cursos de Homeopatia para não médicos;
  • Fornecimento de Medicamentos à População sem ser por prescrição médica.

 

A AMHB sempre atuou em defesa da Homeopatia como especialidade médica, e graças a esta luta a Homeopatia é reconhecida no Brasil como especialidade médica pela AMB e pelo CFM.

 

Por este reconhecimento pôde conquistar espaço no SUS e na Medicina Suplementar (convênios) nas últimas décadas, ampliando e levando para significativas parcelas da população o atendimento médico homeopático, deixando para trás o tempo de atendimento exclusivo em consultórios particulares.

 

A AMHB sempre assumiu sua responsabilidade para com o conjunto dos homeopatas e da população brasileira, empenhando-se por um atendimento homeopático qualificado e certificado, através da formação do profissional médico especializado para tal função. Nunca se esquivou desta responsabilidade e deste caminho, sempre se colocando em defesa da especialidade médica e contra o atendimento homeopático por profissional não médico, assim o fazendo com o apoio da AMB e do CFM.

 

A AMHB balizou suas posições democraticamente, encaminhando o debate para suas federadas e orientando sobre os aspectos de defesa da especialidade em PRIMEIRO lugar, pois é a prerrogativa que garante um atendimento digno à população por profissional médico com a competência que o exercício da Homeopatia exige. Assim, também levou este debate à Assembléia Geral do CBH em Florianópolis. A posição majoritária dos homeopatas brasileiros após debate franco, aberto, coletivo e transparente, determinou a Carta de Florianópolis, a qual a diretoria da AMHB adotou, apoiou e encaminhou ao Ministério da Saúde, com as seguintes moções:

 

1. Apoiar a intenção do Ministério da Saúde em institucionalizar uma política nacional de implementação da Homeopatia no SUS.


2. Garantir junto ao Ministério da Saúde a imediata regulamentação da PNPIC, para que a prescrição de medicamentos homeopáticos seja realizada exclusivamente por Médicos, Médicos Veterinários e Cirurgiões Dentistas, e que a manipulação e a dispensação dos medicamentos homeopáticos e a atenção farmacêutica sejam realizadas por Farmacêuticos ou sob sua supervisão, subentendendo-se que todos os profissionais supracitados estejam regulamentados de acordo com a legislação vigente dos seus respectivos Conselhos Profissionais.


3. Aperfeiçoar a portaria MS 971/2006, garantindo que a clínica homeopática, assim como todas as especialidades médicas que tenham seu diagnóstico, prescrição medicamentosa e prognóstico, sejam caracterizados como atos próprios dos profissionais médicos, médicos veterinários e cirurgiões-dentistas.


4. Reafirmar os princípios que norteiam o Sistema Único de Saúde (SUS), tal como foram concebidos pelo movimento de reforma sanitária brasileira.


5. Inserir os homeopatas nas grandes questões que envolvem a saúde na sociedade brasileira, entendendo saúde como elemento de cidadania, participando nos Conselhos de Saúde Federal, Estadual e Municipal.


6. Incentivar a informação sobre a Homeopatia para as áreas da saúde, tal como vem sendo deliberado em recentes congressos relacionados ao SUS.


7. Solicitar ao Ministério da Saúde a realização do II Fórum Nacional de Homeopatia.

8. Apoiar a elaboração de guias de orientação para a implantação da PNPIC e posterior publicação em fascículos para cada área.


9. Criar um grupo técnico de consultoria junto ao Ministério da Saúde, com a participação das Associações Homeopáticas Nacionais e/ou Regionais de Médicos, Médicos Veterinários, Farmacêuticos e Cirurgiões Dentistas, para auxiliar na regulamentação da PNPIC.


10. Reafirmar as diretrizes curriculares de graduação nas áreas de medicina, medicina veterinária, farmácia e odontologia com inserção do ensino da Homeopatia.


11. Apoiar as instituições de ensino da Homeopatia para o desenvolvimento dos cursos de pós-graduação para médicos, médicos veterinários, farmacêuticos e cirurgiões-dentistas.


12. Apoiar a regulamentação imediata da Homeopatia como especialidade odontológica pelo Conselho Federal de Odontologia.


13. Encaminhar aos estados brasileiros, às entidades nacionais e internacionais de saúde pública veterinária, recomendação para estimularem a inclusão da Homeopatia nos serviços nacionais e estaduais de defesa sanitária animal, de pesquisa, de extensão rural e nas universidades que possuem faculdades de medicina veterinária.

14. Inserir a medicina veterinária na estratégia da Saúde da Família.


15. Garantir o compromisso das Entidades Homeopáticas de Medicina, Farmácia, Medicina Veterinária e Odontologia de promoverem encontros dos Fóruns de Ensino, Saúde Pública e Pesquisa em eventos regionais e nacionais.


Por todas estas propostas, aprovadas e citadas acima, conclamamos todos os setores envolvidos a apoiarem ativamente as mesmas aqui apresentadas e aprovadas pela assembléia geral do XXVIII Congresso Brasileiro de Homeopatia, e reivindicamos veementemente do Ministério da Saúde, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ministério da Educação e Instituições de Ensino, o seu apoio à implementação das medidas acima referidas.

 

Assim, a AMHB apóia todas as medidas em defesa da Homeopatia como especialidade médica, opinião compartilhada com a maioria dos homeopatas brasileiros e que garante à população brasileira o atendimento de qualidade e por profissionais competentes, seja através do SUS, da medicina suplementar (convênios) ou outras formas. E conscientes de que a perda da prerrogativa de especialidade médica irá banir a homeopatia do SUS e dos convênios como serviço prestado por médicos especializados para tal, assim restringindo a oferta de um serviço qualificado e certificado à população.

 

Sabemos que abrir perspectivas para o atendimento homeopático por profissional não médico é inconcebível, pois o conhecimento médico é imprescindível para condutas como o diagnóstico, o prognóstico e a avaliação prognóstica em homeopatia, assim como para o entendimento e aplicação da teoria e da terapêutica homeopática. Entendemos que apto para este exercício está apenas o médico e após conclusão de curso (conforme grade curricular determinada pela AMHB) e aprovação em prova de TEH também realizada pela AMHB, conforme convênio AMB / AMHB / CFM.

 

Com este propósito, a diretoria da AMHB e sua Comissão Científica, em 2006,  participou de reuniões sobre medicamentos dinamizados industrializados homeopáticos, antroposóficos e anti-homotóxicos, para as quais foi convocada.

 

Ocorreram três reuniões em São Paulo e duas em Brasília, com a presença de técnicos da ANVISA, diretores da Associação Médica Homeopática Brasileira, Associação Brasileira de Farmacêuticos Homeopatas, Associação Paulista de Farmacêuticos Homeopatas, Associação Brasileira de Medicina Antroposófica e Associação Brasileira de Homotoxicologia e Terapia Antihomotóxica, representantes de laboratórios e indústrias farmacêuticas homeopáticas nacionais e internacionais.

 

Logo no início destas reuniões encaminhamos aos colegas homeopatas e à ANVISA o seguinte documento:

 

Encontramo-nos em um momento de extrema importância para a Homeopatia Brasileira. Vários são os atores interessados em transformar a forma como a Homeopatia tem se mantido e desenvolvido até então no Brasil. Até os dias de hoje, de maneira diferente de vários outros países, o medicamento homeopático tem sido aqui disponibilizado ao público pelas farmácias de manipulação brasileiras. E este processo permitiu que não houvesse a possibilidade de ingerência de grandes grupos econômicos nos processos de desenvolvimento da Homeopatia em nosso país.

 

Graças a este fato, que em outra oportunidade poderíamos discorrer sobre o porquê aqui tivemos este processo, a Homeopatia tem sido divulgada respeitando a sua racionalidade e princípios que a tornam eficiente. Assim, foi evitado o seu desvirtuamento, que proporcionaria um grande lucro aos grupos econômicos interessados, mas um enorme prejuízo aos pacientes.

 

Não houve a sua transformação em indústria de doenças, acontecendo o tratamento do sujeito, da individualidade, pela similitude em relação aos sintomas característicos suscitados pela experimentação patogenética no homem sadio. Este é o estado atual da Homeopatia Brasileira: um dos poucos países em que temos uma verdadeira Homeopatia, dignamente exercida pela maioria dos médicos homeopatas.

 

O exercício ético, conforme os princípios básicos e elementares da Homeopatia, tem permitido a manutenção de um ensino da medicina homeopática em nosso país dentro de parâmetros coerentes com uma verdadeira Homeopatia, assim como pesquisas clínicas e patogenéticas igualmente coerentes.

 

Os clínicos que exercem a Homeopatia sabem que os medicamentos homeopáticos devem ser bem prescritos e com o máximo cuidado, aliás, como qualquer medicamento. E mesmo assim, ainda correndo o risco de engano.

 

Somente um atento seguimento de nossos pacientes nos permite saber de nosso acerto ou não, quando fazemos neste acompanhamento os diagnósticos e as observações prognósticas.

 

Assim, quando percebemos o nosso equívoco na prescrição, podemos tomar a medida acertada, tendo em vista por vezes a não atuação do medicamento ou por vezes a sua atuação maléfica, induzindo a uma piora do quadro (doença) do nosso paciente.

 

Neste caso então, o médico reavalia o quadro atual e faz nova prescrição, sempre atento à posterior evolução e o paciente tem a quem responsabilizar caso não evolua bem, ao médico que o atende. E este presta contas de seu ato e é avaliado pelo seu Conselho de Classe.

 

O que aconteceria com um doente se estivesse se automedicando? Perceberia esta agravação de seu quadro, de sua doença? Ou persistiria com a medicação? De quem seria a responsabilidade? Saberia ele a quem responsabilizar pelo dano à sua saúde?

 

Nos nossos medicamentos estariam explícitas, de forma inequívoca, quem seriam os responsáveis pela falha ou dano causado pela medicação? Seriam os produtores do medicamento ou o órgão que legaliza a sua produção?

 

Esta é a questão com a qual nos defrontamos - um momento decisivo para a Homeopatia e para os seus usuários no cenário nacional!


Qual será a posição de nosso órgão de vigilância, a “ANVISA”?

 

Colocar-se-á a favor de uma Homeopatia exercida de forma responsável, por médicos bem formados e aptos a bem atenderem a nossa população, com o resguardo da responsabilidade pela saúde de nossos cidadãos?

 

Ou optará, sucumbindo a interesses outros que não a saúde dos cidadãos brasileiros, pelo uso indiscriminado de medicamentos, mas com um arrepiante discurso de que o medicamento homeopático “se bem não faz, mal nunca faz”?

 

Em 03 de outubro de 2006 encaminhamos à ANVISA o seguinte Parecer da Associação Médica Homeopática Brasileira:

 

Regulamento Técnico para Registro de Medicamentos Dinamizados Industrializados.

A Diretoria da Associação Médica Homeopática Brasileira e sua Comissão Científica encaminham à ANVISA este parecer em relação à Consulta Pública nº 52 (01/09/06), a qual visa propor diretrizes para o "Regulamento Técnico para Registro de Medicamentos Dinamizados Industrializados".
   

 

Esta participação da AMHB é fundamental para que consigamos mostrar a importância da episteme homeopática (princípio da similitude e experimentação patogenética homeopática) na aplicação dos medicamentos dinamizados, conforme o modelo homeopático determina, através da "individualização medicamentosa".

 

Duas metanálises dos principais ensaios clínicos homeopáticos realizados em seres humanos nos últimos 30 anos e publicadas em periódicos médicos de renome apresentaram resultados favoráveis à Homeopatia.


Na primeira, Kleijnen e colaboradores, concluíram que de 22 trabalhos considerados de boa qualidade metodológica, 15 (68%) mostraram a efetividade do tratamento homeopático frente ao placebo.

 

De forma análoga, na segunda, Linde e cols., em 1997, realizaram uma revisão sistemática com 89 ensaios clínicos homeopáticos controlados (duplo-cego randomizados), concluindo que os resultados observados no tratamento homeopático não eram efeitos-placebo (resultados 2,45 vezes superiores da homeopatia frente ao placebo).

 

Entretanto, nos ensaios clínicos em que não é respeitada a individualização do tratamento homeopático, sendo administrado o mesmo medicamento para diferentes indivíduos, embora portadores de uma mesma patologia, desrespeitando a racionalidade homeopática, não há a demonstração de resultados significativos da Homeopatia frente ao placebo.

 

Lembramos que a metanálise do Lancet em 2005 procurou "mostrar a ineficácia da homeopatia" utilizando os estudos clínicos homeopáticos que não valorizaram a individualização do medicamento homeopático, ou seja, estudos que empregaram "medicamentos comuns" ou "complexos homeopáticos" para um mesmo diagnóstico clínico, desprezando o “conjunto de sintomas característicos” que permite a verdadeira similitude terapêutica, capaz de mostrar índices de melhora superiores aos 25% do placebo (efeito placebo + efeito consulta).

 

Admitindo uma Homeopatia dentro de uma conduta generalista e nada individualizante, desprezando os pilares da Homeopatia que permitiram os melhores estudos científicos realizados pela homeopatia nos últimos duzentos anos, estaremos viabilizando o descrédito da Homeopatia.

 

Com um grande respeito pelo conhecimento homeopático, solicitamos uma profunda reflexão por parte desta instituição, a fim de que os fundamentos da Homeopatia sejam respeitados e valorizados no emprego dos medicamentos dinamizados homeopáticos, em defesa das concepções homeopáticas do binômio saúde-doença e do tratamento da individualidade enferma – o sujeito doente.

 

Temos que defender o diferencial da Homeopatia Brasileira, exemplo para todo o mundo, que neste caso específico encontra nas "Farmácias Homeopáticas Brasileiras" um exemplo de boas práticas e condutas homeopáticas.

 

Considerando os pilares da homeopatia, responsáveis pelo status de ciência à racionalidade homeopática, e o modelo de atenção farmacêutica homeopática vigente em nosso país:

 

I - Salientamos como principal aspecto nesta proposta e que consideramos como de “suma importância”:


Diferenciação dos medicamentos como homeopáticos ou antroposóficos ou anti-homotóxicos.

 

     II - Como pontos a serem modificados ou definidos, consideramos como “importantes”:

N
ecessidade de prescrição;


Necessidade de experimentação patogenética homeopática dos medicamentos complexos;

Que as indicações para o uso dos medicamentos homeopáticos sejam pelos sintomas patogenéticos despertados nas experimentações (indicação para os sintomas dos doentes) e não para as doenças;

 

Necessidade de prescrição (tarjamento).


Esta necessidade se faz para todos os medicamentos homeopáticos em todas as escalas e dinamizações. A defesa que aqui fazemos da necessidade da prescrição médica para produtos homeopáticos em qualquer escala ou dinamização advém do conhecimento bi secular: pesquisa e clínica aliadas no mesmo observador e que objetiva fundamentalmente a defesa do consumidor através da prática do que realmente é a Homeopatia.

 

É ingenuidade e desconhecimento pensar que a prescrição livre em Homeopatia não causará patogenesias, não causará danos aos que dela se servirem.

 

A observação patogenética e clínica nos coloca frontalmente contra a tese de que “medicamento homeopático se não fizer bem, mal não faz” porque diariamente observamos esses maus efeitos na prática do consultório. Pacientes que se automedicam para doenças ou sintomas específicos têm seus males transformados em outros mais profundos e difíceis de serem tratados. A razão é simples: a Homeopatia destina-se a doentes e não a doenças; a Homeopatia ajuda ao doente com suas doenças. Prescrita com critérios alopáticos ou nada faz ou prejudica.

 

O medicamento homeopático faz mal sim! A Clínica da Similitude mostra que, assim como na experimentação, o medicamento homeopático mal utilizado poderá trazer prejuízos aos pacientes, produzindo sintomas naqueles que a ele forem suscetíveis. Provocará sintomas patogenéticos que, pelo fato de estarem se apresentando em doentes, tornarão esses doentes “seres ainda mais doentes”.

 

O médico é responsável pela sua prescrição e tanto por ela quanto por seus atos pode ser processado e condenado, tanto na esfera pública quanto na de seus Conselhos de Classe, quando ficar provado que algum mal aconteceu ao seu paciente. No caso da livre prescrição, de quem será a responsabilidade caso algum mal ocorra ao paciente? Será do legislador ou do laboratório?

 

Necessidade de experimentação patogenética homeopática dos medicamentos complexos
 

Esta experimentação é necessária para os seus componentes em conjunto, fato que somente então os colocaria na condição de medicamentos homeopáticos. Se os medicamentos que possuem patogenesias podem aumentar a desarmonia do doente quando não prescritos dentro dos ditames da boa prática médica homeopática, imaginem então os “complexos homeopáticos” que sequer têm estudos patogenéticos. Não sabemos o que podem produzir nem curar, pois as indicações que apresentam para as doenças são baseadas apenas em alguns tropismos daquelas substâncias, adicionando-se o risco das doses ponderais.

 

Daí a nossa vigorosa argumentação contra a comercialização desses “complexos homeopáticos”: eles não possuem patogenesias. Por não possuírem patogenesias, não são medicamentos homeopáticos. Apenas podem ser usados na Clínica da Similitude os medicamentos que passaram pela experimentação em humanos. Se os laboratórios quiserem validar os “complexos homeopáticos” deverão fazê-lo através da experimentação em humanos, o que para a Homeopatia será muito bom, pois teremos novos medicamentos que exibirão uma verdadeira homeopaticidade.

 

Este "Parecer da AMHB" em relação a esta questão, foi consubstanciado com a participação da Comissão Científica e Diretoria da AMHB, e defendido pelos representantes da AMHB nestas reuniões.


A última reunião, por solicitação da ABFH e AMHB, foi realizada com a presença do diretor presidente e técnicos da ANVISA, e diretores destas instituições homeopáticas. Nesta, foi colocado que haveria ainda mais uma reunião com todos os interessados.

 

Fomos, porém, apenas informados de que saiu no Diário Oficial da União, no dia 02 de abril de 2007, à página 57, a RESOLUÇÃO RDC Nº 26, DE 30 DE MARÇO DE 2007, que dispõe sobre o registro de medicamentos dinamizados industrializados homeopáticos, antroposóficos e anti-homotóxicos.

 

Claro, a AMHB não conseguiu todas as suas reivindicações, apenas parte delas, mas continua insistindo.

 

Sempre, assim, trabalhamos em prol do atendimento homeopático pelo profissional médico especialista, qualificado e certificado, e pela necessidade de prescrição médica do medicamento homeopático. Pois foi assim que conseguimos possibilitar nas últimas décadas o desenvolvimento da Homeopatia em nosso país, no SUS e nos convênios, com a qualidade que nosso povo merece, mantendo longe a distorção deste atendimento qualificado por interesses financeiros escusos.

 

Não cabe à AMHB a normatização de cursos para não médicos e sim para os cursos para médicos que pretendem capacitar-se para conseguirem o Título de Especialista em Homeopatia.

 

Também não cabe à AMHB impedir o exercício do atendimento homeopático por profissionais não médicos.

 

Em sendo a Homeopatia uma especialidade médica, o exercício do atendimento homeopático, ato médico, cabe ao profissional médico, porém coibir este exercício por profissional não médico, não é da competência da AMHB.

 

Cabe à AMHB zelar pela Homeopatia como especialidade médica, o que é imprescindível que seja, e pela necessidade de prescrição médica do medicamento homeopático, isto para o bom atendimento da população, condições estas, que impedem que a população venha a ser mal assistida e levada a tomar medicamentos mal indicados, como dito anteriormente, muitas vezes, por escusos interesses financeiros.

 

Neste sentido, temos trabalhado e com afinco, e continuaremos sem esmorecer.

 

A luta pela expansão da Homeopatia no SUS, também faz parte de nosso compromisso. Estamos acompanhando o avanço da legislação sobre o assunto, como por exemplo a portaria 154, que vai impulsionar esta expansão, com os NASF, e estamos acompanhando de perto o desenvolvimento das Políticas Estaduais de Práticas Integrativas que aos poucos estão sendo concluídas. Os nossos representantes junto ao Ministério da Saúde e junto à Comissão Interinstitucional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS têm trabalhado ativamente, levando o apoio, a participação, as considerações e a colaboração da AMHB para o melhor desenvolvimento e expansão da Homeopatia no SUS.

 

Também não somenos importância tem dado a AMHB à divulgação do extraordinário desenvolvimento da Homeopatia Brasileira para o Brasil e para o Mundo. Neste sentido, e com a mesma preocupação de defesa da Homeopatia enquanto especialidade médica, é que encaminhamos na última Gazetinha (Nº 21 desta gestão), o seguinte artigo que diz deste nosso empenho: 

 

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE 

ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA

ASSOCIAÇÃO MÉDICA HOMEOPÁTICA BRASILEIRA

Prezados colegas homeopatas e dirigentes de entidades homeopáticas no Brasil.

É com satisfação que colocamos para vocês:

No dia 15 de fevereiro, encaminhamos a proposta que segue abaixo, ao 2º Vice-Presidente da AMB, Dr. Hélio Barroso Reis, com os seguintes anexos "Estratégia da OMS sobre Medicina Tradicional" e "Lei Portuguesa do Enquadramento Base das Terapêuticas Não Convencionais", os quais poderão ser vistos no site da AMHB: http://www.amhb.org.br

Ele atendeu esta nossa solicitação e o assunto estará em pauta para a reunião da AMB, do dia 03 de abril próximo, em que a AMHB estará representada.

Assim, gostaríamos que todos que desejassem contribuir para fortalecer este debate, homeopatas e entidades de homeopatas, enviassem, até o dia 30 de março, informações sobre a Homeopatia Brasileira e Mundial para a AMHB, pelo e-mail amhb@amhb.org.br 

Diretoria da AMHB

PROPOSTA

Ilmo Sr. Dr. HÉLIO BARROSO REIS,

 

2º VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA – AMB.

 

Nesta:

 

    Conforme entendimento verbal entre V. Sa. e o Dr. Carlos Alberto Fiorot, Vice-Presidente pela região sudeste da ASSOCIAÇÃO MÉDICA HOMEOPÁTICA BRASILEIRA – AMHB, encaminho para análise, o texto e a proposta abaixo:

 

     É sabido que a OMS editou e publicou um documento intitulado “ESTRATÉGIA DA OMS SOBRE MEDICINA TRADICIONAL 2002-2005”.

              

    Tal documento é dirigido às nações membros da ONU, sendo um documento vasto, tratando das terapêuticas ditas “não convencionais”; documento este que encaminho em anexo (também à disposição para leitura no site da AMHB).

               

    Dito documento tem gerado consequências acerca do tema abordado. No Brasil, por exemplo, serviu de instrumento para a edição da portaria 971, por todos nós bem conhecida. Mas em outros países também se verificam consequências, algumas já editadas, outras em andamento. Exemplo disso foi a publicação, pela ASSEMBLÉIA DA REPÚBLICA PORTUGUESA, no Diário da República, no dia 22 de agosto de 2003, da lei 45/2003, chamada LEI DO ENQUADRAMENTO BASE DAS TERAPÊUTICAS NÃO CONVENCIONAIS (Lei esta que também encaminho cópia em anexo e também à disposição para leitura no site da AMHB).

              

    No entanto, logo na introdução do documento da OMS, a mesma menciona a diversidade regional no uso destas práticas terapêuticas, admitindo ainda a possibilidade de mudanças e ajustes do referido documento, a fim de ter em conta as variações regionais, muito embora seja um documento de pretensão estrategicamente global. O mesmo documento solicita ainda informações dos países membros sobre a situação destas terapêuticas, em seus domínios.

                

    A AMHB observou que o documento não faz referência ao Brasil, ainda que aqui a situação da homeopatia seja de ESPECIALIDADE MÉDICA reconhecida desde 1980, sem contar que mesmo antes desta data, sempre foi tradição das escolas formadoras dos HOMEOPATAS prepararem médicos para o exercício da mesma. O fato de sermos reconhecidos como ESPECIALIDADE MÉDICA representa uma situação altamente honrosa para a Homeopatia Brasileira, e consequentemente, para a Homeopatia Mundial. Por isso, entendemos que a Homeopatia Brasileira é exemplo para ser seguido.

                 

    Observamos que apesar da solicitação da OMS, desde 2002, para ser informada acerca da situação das práticas terapêuticas estabelecidas no seu documento, em seus países membros, detectamos de certa forma negligência e porque não dizer, omissão, de nossa parte, enquanto entidade de HOMEOPATAS, no que tange a este item, de não haver solicitado a esta, através de um documento oficial que reiterasse sobre a especial situação da homeopatia em nosso país. Em sendo assim, a AMHB entende que deve assumir o seu papel e a sua responsabilidade informando oficialmente à OMS sobre a situação da Homeopatia Brasileira, para que em documento futuro, tal falha esteja corrigida. Entendemos também que é pertinente a proposta de enquadramento da Homeopatia como prática terapêutica exercida por profissionais médicos, também nos outros países, o que representaria um avanço global, no que tange a este item, exigindo qualificação para esta prática e assim protegendo os cidadãos com um atendimento responsável por profissionais competentes para o exercício do ato médico. Pensamos ser nosso dever e responsabilidade encaminharmos esta solicitação à OMS.

                  

    Neste sentido, encaminho esta proposta, através de V. Sa., à AMB para que possamos, se assim esta respeitada entidade o entender, elaborarmos e encaminharmos juntos este processo e esta proposta de luta pelo ENTENDIMENTO DE QUE A HOMEOPATIA É UMA ESPECIALIDADE MÉDICA E DEVE SER EXERCIDA POR PROFISSIONAIS MÉDICOS junto aos países membros da ONU. Fazemos isto com a certeza de que a presença da AMB dotará esta posição de inigualável e incontestável valor ético, político e moral.

                 

    Ao inteiro dispor para esclarecimentos e demais informações necessárias, o nosso mais sincero e profundo agradecimento.

 

                    Atenciosamente,

 

                     Dr. Mário Antônio Cabral Ribeiro

                             Presidente da AMHB

 

 

Estas têm sido as nossas propostas, de trabalho coerente e incessante, atentos a todos os níveis que a luta exige, inclusive com os olhos voltados para o futuro a fim de possibilitar que, em nosso país e no mundo, a Homeopatia seja uma especialidade médica respeitada e qualificada, tal qual pretenderam e sonharam SAMUEL HAHNEMANN e JULES BENOIR MURE, e que os medicamentos sejam prescritos por médicos para que a homeopatia possibilite aos seus usuários todo o bem que certamente pode lhes propiciar, somente possível mediante um tratamento exercido por profissional devidamente qualificado.

 

É com este empenho, e com estas posições que a AMHB tem trabalhado a fim de possibilitar aos poderes competentes o resguardo do direito de boa saúde dos cidadãos, através dos procedimentos cabíveis e a oferta de uma homeopatia segura, honrada e qualificada para todos.

 

                       

DIRETORIA DA AMHB