Matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo OPINIÃO

São Paulo, quinta-feira, 31 de maio de 2007

A Homeopatia como Especialidade Médica

ARIOVALDO RIBEIRO FILHO

O que não há são estudos financiados pela indústria farmacêutica, que, por óbvio, não tem interesse na área homeopática

RECOMENDADA pela OMS (Organização Mundial da Saúde), a homeopatia foi reconhecida em 1980 como especialidade médica no Brasil pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), pelo decreto nº 1.000/ 80, sendo uma prática médico-terapêutica de ampla aplicabilidade, com princípios bem determinados e grande aceitação por parte dos pacientes.
A partir do seu reconhecimento oficial, apenas profissionais com condições de avaliar clinicamente um paciente podem determinar a terapêutica a ser prescrita. Esse fato inibiu pessoas leigas de exercer a homeopatia.
Em uma pesquisa sobre o perfil dos médicos do Brasil divulgada em 1997 pelo jornal do Conselho Federal de Medicina, a homeopatia se destacou, ocupando o 16º lugar em número de profissionais atuantes -isso entre mais de 50 especialidades médicas analisadas. Atualmente, estima-se que cerca de 15 mil profissionais tenham passado por cursos de especialização nessa área.
Em uma tese de doutorado defendida na Faculdade de Medicina da USP, em 2005, o autor demonstrou que 52% dos médicos endossam ou prescrevem algum tipo de terapêutica médica complementar -e entre as mais citadas estão a homeopatia e a acupuntura. Além disso, do total de participantes da pesquisa, 81% dizem que essas terapias são úteis para o tratamento dos pacientes, e 91% concordam que é importante o médico ter conhecimento delas.
Por tudo isso, se percebe que existe, sem dúvida nenhuma, grande aceitação da homeopatia não só pelos pacientes mas também pelos estudantes de medicina e médicos em geral.
Hoje em dia, já existe ampla difusão dessa terapêutica no meio acadêmico, e isso pode ser exemplificado pela presença da homeopatia entre as disciplinas eletivas dos cursos de medicina da USP e da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), da residência médica na UniRio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) e de muitas outras instituições.
O tratamento homeopático já é oferecido em vários hospitais públicos, como o Hospital das Clínicas, o Hospital São Paulo, o Hospital do Servidor Público Municipal e outros. É muito importante a condição de especialidade conferida à homeopatia, pois regula e define a responsabilidade do ato médico, para que ela possa ser exercida com qualidade. O serviço público talvez seja o setor mais carente de atendimento por falta da aplicação de políticas específicas para o setor.
Em todos esses pólos, encontramos uma prática com foco no modelo de atenção humanizada e centrada no indivíduo.
Existem inúmeros trabalhos e estudos científicos que comprovam a efetividade das doses mínimas homeopáticas. Um exemplo: em recente pesquisa realizada pelo Departamento de Otorrinolaringologia da Unifesp, demonstrou-se, com todo o rigor metodológico, que, após o tratamento homeopático, quatro em cada cinco crianças da fila de espera para cirurgia de extração de amígdalas não necessitaram mais do procedimento cirúrgico, resultado esse muito superior ao grupo placebo. Outro exemplo: a OMS está prestes a publicar um levantamento feito com mais de 150 trabalhos e estudos randomizados nessa área que demonstram a eficácia da homeopatia. E, como esses, há muitos outros. O que não há, na realidade, são trabalhos e estudos financiados pela indústria farmacêutica, que, por razões óbvias, não tem interesse na área homeopática.
A homeopatia, além de revolucionária em seus conceitos de ação e efetividade, é uma terapêutica de baixíssimo custo e que, se aplicada por profissionais habilitados, traz muitos benefícios, curando pacientes e suas enfermidades. É verdade que a homeopatia não é uma prática que cura todas as doenças, assim como não o é qualquer especialidade médica. Ela é, sim, um recurso terapêutico muito útil, que pode ser somado aos demais conhecimentos que se obtêm na faculdade de medicina.
Por isso, sempre lembramos que o homeopata é, antes de tudo, um médico e que, nessa condição, deve pautar sua conduta dentro de parâmetros éticos e de responsabilidade profissional. O fato de a homeopatia ser uma especialidade do campo da medicina faz com que o profissional tenha condições de determinar adequadamente qual recurso terapêutico disponível deve ser utilizado e também possa eleger o melhor a ser feito para o seu paciente.
 


ARIOVALDO RIBEIRO FILHO, 47, médico homeopata especialista pelo Conselho Federal de Medicina, é presidente da Associação Paulista de Homeopatia e membro da Comissão Científica da Associação Médica Homeopática Brasileira. É autor de "Repertório de Homeopatia", entre outras obras.

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