Drogas anti-reabsortivas ósseas (bisfosfonatos), fraturas atípicas e efeito rebote:
nova evidência da similitude


Prezados Colegas Homeopatas e Amigos,

 

Dando continuidade à fundamentação científica do princípio da similitude perante a Farmacologia moderna, acaba de ser publicada no periódico britânico Homeopathy a revisão intitulada “Antiresorptive drugs (bisphosphonates), atypical fractures and rebound effect: new evidence of similitude”:

 

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1475491612000525

 

Nos últimos anos, têm crescido o número de evidências que indicam o aumento do risco de desenvolvimento de fraturas “atípicas” do fêmur com o uso de drogas anti-reabsortivas ósseas (bisfosfonatos), empregadas para prevenir fraturas osteoporóticas, alertando médicos e pacientes sobre esse evento adverso grave secundário ao uso enantiopático dessas drogas. O próprio órgão regulador norte-americano (FDA) sugeriu que as bulas dos bisfosfonatos (Fosamax, Fosamax Plus D, Actonel, Actonel com Cálcio, Boniva, Atelvia e Reclast) deveriam destacar esse risco potencial, solicitando aos fabricantes um guia de medicação para utilização pelos pacientes:

Alerta do FDA (1)

Alerta do FDA (2)

Alerta do FDA - Vídeo

Boletim Científico do Laboratório Fleury

 

Os bisfosfonatos reduzem a atividade dos osteoclastos (células responsáveis pela remodelação dos ossos), diminuindo a reabsorção óssea e causando um aumento na espessura e na mineralização das trabéculas ósseas, aumentando a densidade mineral óssea (DMO) e minimizando os riscos para as fraturas ‘típicas’ do quadril e do fêmur na osteoporose. Como hipótese inicial, contestada atualmente, essa ausência de reabsorção óssea causaria um remodelamento e um reparo ósseo defeituoso, tornando as estruturas mais friáveis e predispostas às fraturas ‘atípicas’.

 

No entanto, estudos recentes vêm demonstrando uma atividade osteoclástica ‘rebote’ (bifásica ou paradoxal) após o término da atividade biológica (meia vida) dessas drogas, causando aumento significativo da erosão e da destruição óssea, predispondo ao acometimento das fraturas atípicas do fêmur. Em vista dessa ação sistêmica, as fraturas atípicas ocorrem na ausência de trauma e apresentam maior gravidade e morbidade (fraturas ‘completas’, acometimento ‘bilateral’ e de ‘difícil consolidação’), muitas vezes necessitando de cirurgias ortopédicas para a fixação do osso.

 

Outro evento adverso grave secundário ao uso dos bisfosfonatos é a osteonecrose dos maxilares, ao que tudo indica também relacionada ao efeito rebote dessas drogas.

 

Além dos bisfosfonatos, essa revisão também evidencia o desenvolvimento de fraturas atípicas com outras classes de drogas anti-reabsortivas [terapia de reposição hormonal; anticorpo monoclonal humano (denosumabe)], em consequência do efeito rebote desses medicamentos após o término de sua ação biológica primária.

 

Apesar dos pesquisadores ainda considerarem sua causa “desconhecida”, nessa revisão evidenciamos o “efeito rebote” como principal fator causal para a ocorrência das fraturas atípicas de fêmur, ampliando as evidências do princípio de cura homeopático e reforçando o alerta de Samuel Hahnemann emitido há mais de dois séculos atrás:

“Essas incontestáveis verdades que se nos oferecem espontaneamente à observação na natureza e na experiência nos explicam o procedimento benéfico nas curas homeopáticas, assim como, por outro lado, demonstram o absurdo do tratamento antipático e paliativo das doenças com medicamentos de ação antagônica”. (Organon, §67)

 

Ao final do artigo, seguindo a dinâmica proposta recentemente do “uso dos fármacos modernos segundo o princípio da similitude” (www.novosmedicamentoshomeopaticos.com), estamos sugerindo o emprego de 20 drogas alopáticas modernas para o tratamento homeopático da osteoporose, em vista de causarem como efeito primário (evento adverso) alteração patogenética semelhante (osteopenia ou osteoporose), ampliando o espectro de ação da Homeopatia.

 

Através de pesquisas e atualizações periódicas, desde 1996 vimos reiterando a validade científica do princípio de cura homeopático através do efeito rebote dos fármacos modernos (Int J High Dilution Res 2012; 11(39): 69-106), linha de pesquisa reconhecida e aceita mundialmente (“Memorando ao Parlamento Britânico”, “Comitê Europeu de Homeopatia”, “Plausibilidade e evidência: o caso da homeopatia”, etc.), esperando poder continuar contribuindo ao desenvolvimento e ao fortalecimento da nossa amada “arte de curar”.

 

Abraços fraternos,

 

 

Marcus Zulian Teixeira
www.homeozulian.med.br

www.novosmedicamentoshomeopaticos.com