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Nicolucci
Bem! Dr. Matheus, a produção me informa que atualmente os cursos de
Formação em Homeopatia são oferecidos a médicos já formados, tem carga
horária de 1200 horas, distribuídas ao longo de três anos, e são
ministrados por entidades de ensino que compõem o Fórum Permanente de
Entidades Formadoras, instância da Comissão Científica da AMHB, Entidade
Federativa que nos moldes de outras sociedades e especialidades congrega
os homeopatas do país.
Dr. Matheus
Exatamente. Porque a Homeopatia no Brasil é uma Especialidade Médica.
Nós participamos de todo esse processo, esse reconhecimento da
Homeopatia pela Associação Médica Brasileira, pelo Conselho Federal de
Medicina, e depois também, pelo Ministério da Educação e Cultura, a
partir dos Núcleos de Residência, hoje em dia a homeopatia inclusive é
ensinada a nível de Residência em algumas universidades.
É um trabalho sério, porque há necessidade da compreensão do paciente
como uma totalidade, saber conduzir o trabalho homeopático, saber
conduzir a evolução do paciente é muito mais difícil do que, por
exemplo, a primeira prescrição para o paciente. Então por isso a
necessidade de que os médicos sejam já formados, de preferência que
tenham uma especialidade. Eu, por exemplo, formei-me em Medicina, depois
disso, fiz residência em Clinica Médica, fiz residência em Clinica
Cirúrgica, após algum tempo de trabalho alopático é que fui fazer a
Escola Internacional de Homeopatia, que foi naquela época uma duração de
três anos, que era toda ela no exterior, e depois então foi que nós
trouxemos esse tipo de informação para o Brasil, essa Homeopatia que se
chama Unicista, uma Homeopatia que cuida do paciente de uma forma total.
Se os senhores forem as farmácias, por exemplo, e pedirem medicamentos
homeopáticos, os senhores vão ver que, existem por exemplo, vários
medicamentos chamados complexos que são medicamentos destinados à
doença, esses medicamentos quando estudados, esses complexos quando
estudados nos ensaios clínicos, eles não conseguem mostrar a eficiência
dos medicamentos quando prescritos individualmente aos pacientes na sua
individualidade. E uma outra coisa que também eu acredito que seja
importante falar, no sentido da educação das pessoas, é que muita coisa
é confundida com Homeopatia e não é Homeopatia, por exemplo, as pessoas
chegam ao nosso consultório dizendo que tomam Chás que tomam Florais,
que tomam Medicina Chinesa e confundem isso com o trabalho homeopático,
absolutamente não é assim. Os chás isso tudo faz parte da Fitoterapia,
que é um estudo bastante rico que nos temos aqui no Brasil, que tem uma
flora imensa, que tem ai um monte de medicamentos um monte de substância
à disposição, que os laboratório internacionais levam para o exterior,
estudam, procuram ai todos os seus princípios ativos, etc. Os Florais
por exemplo, que muitas vezes também, são confundidos com Homeopatia
pelo fato de muitos médicos que praticam a homeopatia, mas que também
praticam outras atitudes terapêuticas, costumam prescrever nos seus
consultórios, não. O tratamento homeopático é um tratamento muito
pontual, quer dizer, identifica-se um paciente, como uma totalidade e
para ele prescreve-se um medicamento que foi experimentado em pessoas
normais, que produziu aquele quadro daquele paciente, e fez então com
que esses pacientes se mobilizassem. Então, o trabalho homeopático
significa a prescrição pelo semelhante, ou seja, esse paciente vai
receber um medicamento que em pessoas normais produziu o mesmo
sofrimento que ele esta sofrendo naquele momento, não só do ponto de
vista físico, mas do ponto de vista psíquico também. Então a uma
diferença nuclear entre o que é Homeopatia e todas essas atitudes que
são confundidas com o trabalho homeopático
Nicolucci
Dr. Matheus, o tratamento, ele é utilizado na Rede Pública de Saúde ?
Dr. Matheus
Perfeitamente! Esta foi uma grande conquista que nós tivemos aqui no
Brasil. Desde 1985, quando o Dr. Waldir Pires, era Secretário no INSS,
naquela época, ele autorizou a prescrição da Homeopatia na Rede Pública,
isso já vinha também com autorização em outros núcleos por exemplo, na
Prefeitura de São Paulo, no estado de São Paulo. E esse estudo foi um
trabalho envolvente, a isso nos devemos tirar o chapéu a todos os
médicos homeopatas que estão na Rede Pública do nosso país, que têm
trabalhado, que têm batalhado, nessa rede há mais de vinte anos, e que
com o trabalho firme, com o trabalho honesto, com o trabalho de
resultado, conseguiram então, que neste governo, a Homeopatia fosse
liberada na Rede Pública. Então, em todos os locais aonde houver médico
homeopata disponível, ou
seja, disponível não só para trabalhar, mas também isso depende sempre
de uma dinâmica que é local, pode-se dizer assim, de cada Centro de
Saúde, em relação com o Gestor de Saúde etc., esse trabalho pode ser
desenvolvido, tanto na atenção primaria, quanto na atenção secundária e
na atenção terciária, sempre que, haja médico para isso.
O problema ainda, é que nós somos poucos médicos, apesar de todo esse
trabalho neste últimos 20 anos, temos aproximadamente 4.000
profissionais no Brasil que se dedicam a Homeopatia, sendo que
aproximadamente 1.000 profissionais se dedicam exclusivamente ao
trabalho homeopático, e 3.000 fazem homeopatia, além de outras atitudes
terapêuticas. Não temos ainda um pessoal suficiente para atender a rede
toda. Mas esta autorização já existe.
Nicolucci
Nove horas e vinte e sete minutos, bem! Nós vamos nos aproximando do
finalzinho desta entrevista, mas, Dr. Matheus, eu gostaria que o senhor
nos dissesse, a Homeopatia ela pode ser aliada a outras formas de
tratamento ?
Dr. Matheus
Atualmente tenta-se esse tipo de modelo, ela pode, quando o paciente
chega ao consultório, normalmente, ele já chega com uma série de
medicamentos alopáticos e ai nos temos que começar o tratamento
homeopático. Nós não retiramos totalmente o medicamento alopático,
iniciamos com o trabalho homeopático, ou seja, fazemos com que aquele
paciente comece a responder, comece a reagir, e a medida que, ele
apresenta resultados positivos, que ele se mostra respondendo a
medicação, paulatinamente tiramos os medicamentos alopáticos. E nas
Unidades de Terapia Intensiva, este trabalho é um trabalho conjunto, o
ideal dentro desse tratamento é de que, a medida que o paciente vá
respondendo, lentamente vamos tirando as drogas alopáticas, até que nós
possamos até tirar também as droga homeopáticas o medicamento
homeopático e deixar que o paciente possa caminhar por conta dele, em
direção a sua resubjetivação, a sua harmonia, aos altos fins da sua
existência.
Nicolucci
Bem! De nossa parte eu quero agradecer o seu comparecimento em nossos
Estúdios esta manhã seus esclarecimentos, um bom dia ao senhor e até uma
próxima oportunidade.
Dr.Matheus
Eu é que agradeço Nicolucci, porque como lhe disse, em relação a
Comunidade Internacional, oportunidades como essa são poucas, e são
oportunidades de ouro. Por isso eu agradeço a você, a abertura da
Educativa, nesse sentido da educação da saúde e da cidadania. Muito
obrigado!
Nicolucci
No Saúde a Cidadania, eu conversei com o Presidente do Departamento de
Homeopatia da SMCC, Coordenador de Pesquisa da Associação Médica
Homeopática Brasileira, Presidente para o Brasil da Liga Medica
Homeopática Internacional, Professor e Pesquisador Clínico Homeopata Dr.
Matheus Marim.
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