ENTREVISTA AO VIVO NA
RÁDIO EDUCATIVA
Entrevistado - DR. MATHEUS MARIM
Entrevistador - NICOLUCCI
Janeiro/2008
Parte 3

Nicolucci
Bem! Dr. Matheus, a produção me informa que atualmente os cursos de Formação em Homeopatia são oferecidos a médicos já formados, tem carga horária de 1200 horas, distribuídas ao longo de três anos, e são ministrados por entidades de ensino que compõem o Fórum Permanente de Entidades Formadoras, instância da Comissão Científica da AMHB, Entidade Federativa que nos moldes de outras sociedades e especialidades congrega os homeopatas do país.

Dr. Matheus
Exatamente. Porque a Homeopatia no Brasil é uma Especialidade Médica. Nós participamos de todo esse processo, esse reconhecimento da Homeopatia pela Associação Médica Brasileira, pelo Conselho Federal de Medicina, e depois também, pelo Ministério da Educação e Cultura, a partir dos Núcleos de Residência, hoje em dia a homeopatia inclusive é ensinada a nível de Residência em algumas universidades.

É um trabalho sério, porque há necessidade da compreensão do paciente como uma totalidade, saber conduzir o trabalho homeopático, saber conduzir a evolução do paciente é muito mais difícil do que, por exemplo, a primeira prescrição para o paciente. Então por isso a necessidade de que os médicos sejam já formados, de preferência que tenham uma especialidade. Eu, por exemplo, formei-me em Medicina, depois disso, fiz residência em Clinica Médica, fiz residência em Clinica Cirúrgica, após algum tempo de trabalho alopático é que fui fazer a Escola Internacional de Homeopatia, que foi naquela época uma duração de três anos, que era toda ela no exterior, e depois então foi que nós trouxemos esse tipo de informação para o Brasil, essa Homeopatia que se chama Unicista, uma Homeopatia que cuida do paciente de uma forma total. Se os senhores forem as farmácias, por exemplo, e pedirem medicamentos homeopáticos, os senhores vão ver que, existem por exemplo, vários medicamentos chamados complexos que são medicamentos destinados à doença, esses medicamentos quando estudados, esses complexos quando estudados nos ensaios clínicos, eles não conseguem mostrar a eficiência dos medicamentos quando prescritos individualmente aos pacientes na sua individualidade. E uma outra coisa que também eu acredito que seja importante falar, no sentido da educação das pessoas, é que muita coisa é confundida com Homeopatia e não é Homeopatia, por exemplo, as pessoas chegam ao nosso consultório dizendo que tomam Chás que tomam Florais, que tomam Medicina Chinesa e confundem isso com o trabalho homeopático, absolutamente não é assim. Os chás isso tudo faz parte da Fitoterapia, que é um estudo bastante rico que nos temos aqui no Brasil, que tem uma flora imensa, que tem ai um monte de medicamentos um monte de substância à disposição, que os laboratório internacionais levam para o exterior, estudam, procuram ai todos os seus princípios ativos, etc. Os Florais por exemplo, que muitas vezes também, são confundidos com Homeopatia pelo fato de muitos médicos que praticam a homeopatia, mas que também praticam outras atitudes terapêuticas, costumam prescrever nos seus consultórios, não. O tratamento homeopático é um tratamento muito pontual, quer dizer, identifica-se um paciente, como uma totalidade e para ele prescreve-se um medicamento que foi experimentado em pessoas normais, que produziu aquele quadro daquele paciente, e fez então com que esses pacientes se mobilizassem. Então, o trabalho homeopático significa a prescrição pelo semelhante, ou seja, esse paciente vai receber um medicamento que em pessoas normais produziu o mesmo sofrimento que ele esta sofrendo naquele momento, não só do ponto de vista físico, mas do ponto de vista psíquico também. Então a uma diferença nuclear entre o que é Homeopatia e todas essas atitudes que são confundidas com o trabalho homeopático

Nicolucci
Dr. Matheus, o tratamento, ele é utilizado na Rede Pública de Saúde ?

Dr. Matheus
Perfeitamente! Esta foi uma grande conquista que nós tivemos aqui no Brasil. Desde 1985, quando o Dr. Waldir Pires, era Secretário no INSS, naquela época, ele autorizou a prescrição da Homeopatia na Rede Pública, isso já vinha também com autorização em outros núcleos por exemplo, na Prefeitura de São Paulo, no estado de São Paulo. E esse estudo foi um trabalho envolvente, a isso nos devemos tirar o chapéu a todos os médicos homeopatas que estão na Rede Pública do nosso país, que têm trabalhado, que têm batalhado, nessa rede há mais de vinte anos, e que com o trabalho firme, com o trabalho honesto, com o trabalho de resultado, conseguiram então, que neste governo, a Homeopatia fosse liberada na Rede Pública. Então, em todos os locais aonde houver médico homeopata disponível, ou seja, disponível não só para trabalhar, mas também isso depende sempre de uma dinâmica que é local, pode-se dizer assim, de cada Centro de Saúde, em relação com o Gestor de Saúde etc., esse trabalho pode ser desenvolvido, tanto na atenção primaria, quanto na atenção secundária e na atenção terciária, sempre que, haja médico para isso.

O problema ainda, é que nós somos poucos médicos, apesar de todo esse trabalho neste últimos 20 anos, temos aproximadamente 4.000 profissionais no Brasil que se dedicam a Homeopatia, sendo que aproximadamente 1.000 profissionais se dedicam exclusivamente ao trabalho homeopático, e 3.000 fazem homeopatia, além de outras atitudes terapêuticas. Não temos ainda um pessoal suficiente para atender a rede toda. Mas esta autorização já existe.

Nicolucci
Nove horas e vinte e sete minutos, bem! Nós vamos nos aproximando do finalzinho desta entrevista, mas, Dr. Matheus, eu gostaria que o senhor nos dissesse, a Homeopatia ela pode ser aliada a outras formas de tratamento ?

Dr. Matheus
Atualmente tenta-se esse tipo de modelo, ela pode, quando o paciente chega ao consultório, normalmente, ele já chega com uma série de medicamentos alopáticos e ai nos temos que começar o tratamento homeopático. Nós não retiramos totalmente o medicamento alopático, iniciamos com o trabalho homeopático, ou seja, fazemos com que aquele paciente comece a responder, comece a reagir, e a medida que, ele apresenta resultados positivos, que ele se mostra respondendo a medicação, paulatinamente tiramos os medicamentos alopáticos. E nas Unidades de Terapia Intensiva, este trabalho é um trabalho conjunto, o ideal dentro desse tratamento é de que, a medida que o paciente vá respondendo, lentamente vamos tirando as drogas alopáticas, até que nós possamos até tirar também as droga homeopáticas o medicamento homeopático e deixar que o paciente possa caminhar por conta dele, em direção a sua resubjetivação, a sua harmonia, aos altos fins da sua existência.

Nicolucci
Bem! De nossa parte eu quero agradecer o seu comparecimento em nossos Estúdios esta manhã seus esclarecimentos, um bom dia ao senhor e até uma próxima oportunidade.

Dr.Matheus
Eu é que agradeço Nicolucci, porque como lhe disse, em relação a Comunidade Internacional, oportunidades como essa são poucas, e são oportunidades de ouro. Por isso eu agradeço a você, a abertura da Educativa, nesse sentido da educação da saúde e da cidadania. Muito obrigado!

Nicolucci
No Saúde a Cidadania, eu conversei com o Presidente do Departamento de Homeopatia da SMCC, Coordenador de Pesquisa da Associação Médica Homeopática Brasileira, Presidente para o Brasil da Liga Medica Homeopática Internacional, Professor e Pesquisador Clínico Homeopata Dr. Matheus Marim.