DEFINIÇÃO DE MEDICAMENTO HOMEOPÁTICO 

Carta de Posição 

Proposta CEMON / LUIMO para a LMHI

 
INDICE
 

1.   Definição de medicamento homeopático. O remédio.

2.   Definição do princípio de similitude “similia similibus curentur”.

3.   Definição de quadro patogenético.

4.   Outras fontes de sintomas.

5.   Método de produção dos medicamentos homeopáticos.

6.   Vias de administração e formas farmacêuticas dos medicamentos
      homeopáticos.

7.   Rótulos dos medicamentos homeopáticos.

8.   Outros medicamentos definidos como homeopáticos.

9.   Comprovação da eficácia dos medicamentos homeopáticos.

10. Diferença entre experimentação dos fármacos convencionais e
     experimentação pura de um medicamento homeopático.

11. Aspectos éticos da experimentação pura.

12. Por uma política de transparência com os usuários.

 

1. Definição de medicamento homeopático. O remédio.

Um medicamento homeopático é uma substância que, experimentada primeiro no homem são, é prescrita a uma pessoa enferma em virtude do princípio de similitude “similia similibus curentur”.

Os medicamentos preparados de acordo a uma técnica farmacêutica homeopática, não experimentados no homem são, nem prescritos segundo o princípio de similitude, devem ser considerados medicamentos não homeopáticos e devem ser denominados medicamentos produzidos segundo um procedimento homeopático ou medicamentos assemelhados homeopáticos até quando não tenham demonstrado atuar segundo a lei de similitude.

 

2. Definição do princípio de similitude “similia similibus curentur”

O princípio de similitude e o termo “homeopático” estão estreitamente relacionados. A denominação “homeopático” deriva de μοιος, hómoios, símil e πάθος, pathos, sofrimento.

A cura homeopática é uma cura efetuada segundo a lei dos semelhantes.

Todas as substâncias capazes de alterar o estado de saúde de um sujeito são, produzindo um “quadro patogenético” de sintomas específicos, quando prescritas a um indivíduo enfermo que mostra sintomas semelhantes àqueles evidenciados no homem são, se comportam de modo homeopático, quer dizer, atuando no sentido da reversibilidade do processo mórbido.

A “lei dos semelhantes” sanciona a correlação entre o poder de uma substância de alterar o estado de saúde de uma pessoa sã e sua potencial ação terapêutica. De fato, cada substância transformada em biologicamente ativa, quando é experimentada no homem são, provoca uma sintomatologia típica e característica da substância mesma.

“Curar segundo a lei de similitude” significa, pois, utilizar na cura somente aquelas substâncias que tenham revelado, em sujeitos sãos, sintomas transitórios semelhantes àqueles que mostram o sujeito enfermo.

 

3. Definição do quadro patogenético

Todas as substâncias provenientes dos reinos mineral, vegetal e animal, assim como os compostos químicos provenientes da síntese de substâncias naturais, podem ser utilizadas como matéria prima para o uso homeopático.

Estas substâncias devem haver mostrado ser capazes de produzir alterações no estado de saúde de sujeitos sãos, criando um quadro patogenético, constituído de uma série de sintomas transitórios na esfera física, psíquica e emocional.

Historicamente estes quadros patogenéticos têm sido relevados mediante:

a. Sintomas de envenenamento – mostrados por sujeitos que tenham sobrevivido a envenenamentos e intoxicações de uma determinada substância.

b. Sintomas de intoxicação – mostrados por sujeitos em quadros de intoxicação  (de leve entidad)

c. Sintomas sub-tóxicos – derivam de substâncias cujas matérias primas tenham sido diluídas e dinamizadas e que ainda contêm concentrações sub-tóxicas das matérias primas.

d. Sintomas não tóxicos – derivam de substâncias nas quais as matérias primas estão diluídas e dinamizadas em uma escala na qual não se podem identificar mais as moléculas da matéria prima. Estas soluções são definidas também como potências ou diluições ultramoleculares, indicando assim a ausência molecular da substância de origem.

Por convenção, desde a última edição do “Organon da arte de curar” do fundador da Homeopatia, Samuel Hahnemann, os quadros patogenéticos de novas substâncias são revelados por experimentadores voluntários sãos e sensíveis, mediante o uso de potências ultramoleculares na 30 CH (10-60). Frequentemente os experimentadores são os médicos mesmos.

As experimentações no homem são e o sistema de aquisição de novos sintomas, atualmente se regulam mediante esquemas rigorosos codificados em algumas farmacopéias homeopáticas (HPUS) ou em leis nacionais (RFD).

No futuro, a experimentação de novas substâncias e a confirmação dos quadros patogenéticos de substâncias já experimentadas estarão asseguradas por metodologias sempre mais precisas.

O conjunto de sintomas expostos nos pontos a – d, constitui a patogenesia de uma determinada substância. As patogenesias das substâncias são recopiladas nas Matérias Médicas. Nos Repertórios Homeopáticos os sintomas são classificados em rubricas.

El campo de aplicación del remedio homeopático en la persona enferma se remite, pues, por similitud, a la patogenesia de la substancia.

O campo de aplicação do remédio homeopático na pessoa enferma se remete, pois, por similitude, à patologia (patogenesia) da substância.

 

4. Outras fontes de sintomas

Sintomas clínicos. Uma das outras fontes de sintomas é a evidência clínica. No quadro dos tratamentos homeopáticos, alguns sintomas que não haviam sido observados durante as experimentações patogenéticas no homem são e que estavam presentes no enfermo e tenham sido curados. Estes sintomas curados são indicados como “sintomas clínicos” nas matérias médicas e são separados, necessariamente, dos sintomas patogenéticos, por causa da dificuldade de precisar se faziam parte realmente do quadro patogenético ou se entretanto eram sintomas secundários em um processo de cura já em andamento.

Sintomas tóxicos. Para algumas novas substâncias tem-se colocado como  hipótese, conforme indicado nos itens 3.a e 3.b, que o quadro patogenético poderia corresponder ao quadro toxicológico da substância e, diretamente, sem efetuar experimentações no homem são, se têm realizado extrapolações para um possível uso no enfermo.

Sintomas derivados. São sintomas reativos que se têm manifestado durante a prescrição de medicamentos ou drogas convencionais, relacionados a um efeito secundário do fármaco.

Tanto os sintomas clínicos quanto aqueles meramente tóxicos ou derivados, ainda que estejam indicados na matéria médica, esperam uma precisa correlação por similitude com sintomas especificamente “patogenéticos” puros. As substâncias que têm mostrado estas séries de sintomas sem uma comprovação da experimentação pura, não podem ser definidas propriamente como remédios homeopáticos.

 

5. Métodos de produção dos medicamentos homeopáticos

As metodologias para a elaboração dos medicamentos homeopáticos foi codificada pelo fundador da Medicina Homeopática, Samuel Hahnemann, no “Organon da Arte de Curar”, no texto ”As enfermidades crônicas” e nas monografias da matéria médica. Estas metodologias foram posteriormente integradas com algumas modificações nas farmacopéias oficiais de alguns países e, recentemente, na Farmacopéia Européia.

Preparações homeopáticas mães

As preparações homeopáticas mães correspondem à primeira fase de transformação da substância bruta em um meio neutro líquido ou sólido.

Em síntese, das matérias primas de origem vegetal e animal se extraem os componentes líquidos (suco) por pressão ou por maceração, ou bem estas matérias primas são submetidas a um processo de trituração codificado de modo preciso e indicado pelo mesmo Hahnemann. Os princípios solúveis das substâncias (suco) são logo mesclados em soluções de álcool, água ou água alcoolizada segundo relações de peso predefinidas a fim de obter um fracionamento exato da matéria prima no meio líquido.

As matérias primas de origem mineral ou química podem ser dissolvidas em água, quando são hidrossolúveis ou bem podem ser submetidas a um processo de trituração.

Frações definidas destas preparações mães servem como material de partida para a preparação das potências sucessivas

Potências homeopáticas

Das preparações mães, através de uma série contínua de operações de fracionamento da matéria líquida ou sólida (diluição) e de sucussão (dinamização) do conteúdo, mediante sacudidas com impacto regular ou bem mediante trituração contínua, se obtêm derivados das preparações mães chamadas potências homeopáticas. O conjunto de diluição e sucussão do preparado diluído definem a “potência homeopática”

As potências homeopáticas se definem do seguinte modo:

a) potências decimais, indicadas com D, X ou DH, nas quais a preparação mãe é fracionada em uma escala de 1 : 10 em cada passagem de fracionamento;

b) potências centesimais hahnemannianas, indicadas com C ou CH, nas quais a preparação mãe é fracionada em uma escala de 1 : 100;

c) potências cinqüenta milesimais, indicadas com LM ou Q,nas quais a preparação mãe é fracionada em uma escala de 1 : 50.000.

Estes métodos descritos são chamados de frascos múltiplos, implicando para cada fracionamento o uso de um novo frasco.

Outra forma de fracionamento é aquela com frasco único.

d) potências Korsakovianas, que é um fracionamento/dinamização através de um contínuo encher, dinamizar, esvaziar, e voltar a encher em um único frasco a partir da preparação mãe ou da diluição sucessiva da mesma; 

e) potências em fluxo contínuo, mediante o qual, através de um mecanismo de agitação contínua, se faz passar solvente por via de um capilar, fracionando progressivamente e agitando a preparação mãe.

 

6. Vias de prescrição e formas farmacêuticas dos medicamentos homeopáticos.

Os medicamentos homeopáticos foram prescritos por Hahnemann mesmo por via oral, tópica e mediante olfação.

As formas mais comuns são:

1) glóbulos e grânulos, que são esferas de sacarose ou bem uma mescla de sacarose e lactose de tamanhos diferentes, nos quais a potência homeopática é incorporada por impregnação geralmente em um porcentual de 1%;

2) solução hidroalcoólica correspondente às preparações mães ou à potência desejada.

No mercado estão também presentes outras formas farmacêuticas como compressas, ampolas com soluções para uso oral ou injetáveis, jarabes, supositórios retais e vaginais e colírios. Para estas formas é necessário efetuar uma avaliação de seu valor terapêutico em um futuro próximo, já que parecem mais bem dirigidas a obter um efeito local e não sobre a totalidade individual.

 

7. Rótulos dos medicamentos homeopáticos

O rótulo do medicamento homeopático é muito variável em função das legislações nacionais. O único elemento comum de todos estes rótulos é a inscrição da matéria prima (arnica, calendula, etc.), seguida da potência do medicamento (6CH, 6LM, 6K,etc.).

Em alguns casos, as legislações pedem indicar a quantidade da potência incorporada no medicamento.

Advertências e sugestões podem estar presentes ou nos rótulos ou nas bulas de informação.

Algumas legislações permitem que nos rótulos e nas bulas informativas, estejam presentes indicações terapêuticas.

Para tutelar o enfermo e garantir ao médico uma correta informação, em vez de indicações terapêuticas se propõe dar referências relativas à patogenesia da substância.

 

8. Outros medicamentos definidos homeopáticos

Em algumas legislações os medicamentos homeopáticos são definidos exclusivamente desde um ponto de vista farmacêutico como substâncias diluídas e dinamizadas.

O aspecto mais importante do medicamento homeopático, que é dizer o fato de que estes possuem uma patogenesia, é excluído.

Tal redução do medicamento homeopático a uma metodologia farmacêutica tem produzido o florescer de uma gama de preparados que são propostos como “homeopáticos” cujo campo de aplicação seria mais bem derivado de testes e indicações clínicas.

Neste campo podem ser classificados:

a) medicamentos derivados de uma só substância sem prévia
    experimentação no homem são;

      b) medicamentos compostos, ou seja, constituídos por mais de uma só
          potência homeopática e inclusive medicamentos nos que se mesclam
          medicamentos homeopáticos, vitaminas, extratos de hervas e
          oligominerais.

 

9. Verificações da eficácia do medicamento homeopático

Para poder determinar o campo de aplicação dos medicamentos homeopáticos é indispensável que se cumpram duas fases de experimentação:

Fase I: a evidência de sintomas provocados pela substância experimentada no sujeito são, seguindo os princípios indicados no item 3. e , com maior relevo, os sintomas revelados durante as experimentações com potências 30CH.

Fase II: a evidência que os quadros sintomáticos revelados na experimentação pura quando se elegem e são prescritos por similitude com o quadro sintomático do enfermo, operam uma melhoria, uma cura.

Estas evidências podem ser relativas a vários tipos de casos:

a) casos clínicos individuais;

         b) grupos de casos clínicos;

         c) estudos retrospectivos;

         d) estudos prospectivos.

Tradicionalmente as averiguações clínicas dos sintomas da experimentação pura ou prova são recolhidos nos textos de matéria médica pura e clínica e nos repertórios, indicando com sinais gráficos específicos o número de confirmações clínicas de um determinado sintoma.

Nos dias de hoje, são estas as únicas duas fases que podem, com certeza, dar uma resposta acerca da eficácia do medicamento homeopático atuando no enfermo de forma “homeopática”.

É claramente evidente que se o campo de aplicação do medicamento homeopático se refere ao conjunto de sintomas que o medicamento mesmo tenha mostrado em sujeitos sãos, a busca da evidência clínica dificilmente poderá basear-se de modo exclusivo na eficácia do medicamento na enfermidade, pelo menos como está hoje codificada.

É sabido que no tratamento homeopático o enfermo é individualizado segundo a série de sintomas que apresenta e seu estado patológico, e que o remédio homeopático deverá corresponder, unicamente, à totalidade de sintomas do enfermo similares à patogenesia do remédio. Por esta razão, é impróprio definir o remédio homeopático com “fármaco”, não sendo este dirigido a uma patologia, senão a um conjunto de sintomas da pessoa. Por esta razão é correto sustentar que o medicamento homeopático é um “não-fármaco” e que em virtude de suas peculiaridades se denomine propriamente “remédio homeopático”.                

Alguns testes clínicos ou estudos prospectivos têm sido efetuados para verificar o efeito da terapia homeopática em determinados estados mórbidos ou patologias, por exemplo, em cefaléias e em asma. Estes testes clínicos têm tido como objetivo demonstrar se a medicina homeopática poderia ser eficaz em algumas patologias. Estes estudos têm sentido unicamente no contexto da exigência da assistência sanitária pública de verificar a ação curativa da medicina homeopática. Desde um ponto de vista especificamente clínico e experimental, estes testes não têm nenhum valor heurístico.

Outros RCT têm sido recentemente efetuados exitosamente mediante uma pré-seleção de sujeitos com quadros sintomatológicos predeterminados correspondentes a um determinado medicamento e sofrendo de uma patologia determinada.

O calculo econômico relativo a provas deste gênero parece impróprio. Se os resultados destas provas clínicas forem, entretanto, utilizados a fim de poder inserir precisas indicações terapêuticas para os medicamentos homeopáticos, isto poderá, se não for atentamente valorizado, determinar um potencial uso “falso” e impróprio dos medicamentos homeopáticos.

O estudo das metodologias mais adequadas e rigorosas para verificar na clínica os quadros patogenéticos está, em todo caso, assegurado e a comunidade de médicos homeopatas se encontra desde sempre empenhada no trabalho necessário e profundo para garantir a segurança, a eficácia e a confiabilidade do medicamento homeopático, em respeito absoluto à metodologia experimental e clínica da medicina homeopática.

 

10. Diferença entre experimentação dos fármacos convencionais e experimentação pura de um medicamento homeopático

A experimentação convencional dos fármacos está dirigida a conhecer as propriedades das substâncias sobre a patologia, depois de haver estabelecido que as mesmas hajam comprovado não ter efeitos sobre o homem são.

A experimentação homeopática está dirigida a conhecer as propriedades das substâncias no sujeito são e encontrar uma aplicação no conjunto de sintomas do enfermo em virtude da lei de similitude.

 

11. Aspectos éticos da experimentação pura

Aparentemente na experimentação pura se opera uma intoxicação de um sujeito são, aspecto que denota um problema ético. Em realidade, as experimentações são realizadas com doses à 30 CH ou em um número muito limitado de casos com quantidades subtóxicas. Tais experimentações produzem sintomas dinâmicos reversíveis, o que quer dizer que os sintomas produzidos desaparecem em pouco tempo sem deixar seqüelas.

Estes distúrbios transitórios são de um valor inigualável para a cura das pessoas. Por tal razão a experimentação pura satisfaz o requisito ético principal de qualquer experimentação sobre humanos: ou seja, produzir distúrbios limitados no tempo se estes distúrbios têm por finalidade conhecer remédios para a saúde dos enfermos.

A experimentação pura deve ser conduzida com o consentimento dos experimentadores. É preferível que os experimentadores sejam médicos que já trabalhem na Homeopatia conscientes de quais tipos de efeitos as substâncias produzem.

Os critérios éticos da experimentação clínica se conformam às legislações vigentes.

 

12. Por uma política de transparência com os usuários

Na Itália e no resto do mundo se anunciam como medicamentos homeopáticos substâncias que tenham sido modificadas e reduzidas ao infinitesimal sem que previamente se haja mostrado uma patogenesia específica.

Este abuso de denominação pode seriamente concorrer a criar no âmbito dos usuários uma falsa percepção do que seja a Medicina Homeopática e sua metodologia experimental, clínica e terapêutica.

Esta situação afeta a todos os usuários, seja ao cidadão, ao médico, às instituições sanitárias que são aqueles que estão empenhados na investigação e no ensino.

Por tal razão é indispensável que sejam denominados “homeopáticos” somente aqueles medicamentos cujo campo de aplicação corresponda a uma determinada patogenesia, sejam estas em doses ponderais ou potencializadas até a escala ultramolecular, desde que tenham mostrado um adequado nível de segurança.

A denominação Medicamento Homeopático deve ser limitada exclusivamente àqueles medicamentos que:

a. tenham mostrado um quadro patogenético no sujeito são;
         
         b. são preparados segundo as metodologias próprias da farmácia  
             homeopática.

Todas as outras substâncias das quais não se tenha mostrado um efeito no sujeito são devem ser consideradas como medicamentos preparados segundo uma farmacopéia homeopática e definíveis como medicamentos produzidos segundo um procedimento homeopático ou medicamentos assemelhados homeopáticos por processo de fabricação.

Contribuíram para esta posição proposta neste documento

Adele Alma Rodriguez

Rinaldo Octavio Vargas

Vincenzo Rocco

Monday, 31 March 2008