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Com o
objetivo de facilitar em linhas gerais o entendimento de em que se
baseia um tratamento homeopático, apresentamos alguns dos parágrafos do
principal texto daquele que criou a Homeopatia - “Organon da Arte de
Curar” de “Christian Friedrich Samuel Hahnemann”.
Esperamos, com este texto, que os interessados pelo tratamento
Homeopático, reconheçam se estão realmente se tratando pela Homeopatia
ou se tratando com alguma outra terapêutica que embora utilize também
medicamentos diluídos e ou dinamizados, não seguem as diretrizes da
Homeopatia, sem entrarmos na questão da eficiência ou não destes outros
tipos de tratamento que não são Homeopatia.
Mário
Antônio Cabral Ribeiro
Presidente da AMHB - Gestão 2006-2008
- ORGANON DA ARTE DE CURAR -
Samuel Hahnemann
§25
Todavia, o único oráculo infalível da arte de curar, a experiência pura,
ensina, em todos os experimentos criteriosos, que realmente aquele
medicamento que provou ser capaz de produzir em sua atuação sobre
organismos humanos sadios, a maior parte dos sintomas semelhantes aos
que se encontram nos casos de doença a ser curados, em doses
adequadamente potencializadas e reduzidas, também remove, de maneira
rápida, radical e duradoura, a totalidade dos sintomas desse estado
mórbido, isto é, toda a doença em curso, transformando-a em saúde, e que
todo medicamento cura, sem exceção, as doenças cujos sintomas mais se
assemelham aos seus, não deixando de curar nenhuma delas.
§104 Uma vez registrada de modo preciso a totalidade dos sintomas
que caracterizam e distinguem especialmente o caso da doença, ou, em
outras palavras, o quadro de uma doença qualquer, está concluída a parte
mais difícil do trabalho. O artista da cura tem, então, a imagem da
doença sempre diante de si durante o tratamento, especialmente quando se
tratar de uma doença crônica, podendo descobri-la em todas as suas
partes e salientar os sinais característicos, a fim de lhes opor, isto
é, contra o próprio mal, uma potência morbífica artificial muito
semelhante, escolhida homeopaticamente na relação de sintomas de todos
os medicamentos cujos efeitos puros ele conhece. E, quando, durante o
tratamento, ele deseja averiguar qual foi o efeito do medicamento e
quais alterações ocorreram no estado do doente, basta apenas retirar de
seu manual, por ocasião de um novo exame, os sintomas que, entre os
anteriormente anotados do grupo original, apresentam melhora, colocando
aí os que ainda persistem e outros novos eventuais sintomas que possam
haver surgido.
§105 O segundo ponto da atividade de um verdadeiro artista da
cura concerne à aquisição do conhecimento dos instrumentos destinados à
cura das doenças naturais, à averiguação do poder patogenético dos
medicamentos, a fim de que, quando precisar curar, possa escolher, entre
eles, um cujas manifestações sintomáticas possam constituir uma doença
artificial tão semelhante quanto possível à totalidade dos sintomas
principais da doença natural a ser curada.
§106 Todos os efeitos patogenéticos de cada medicamento precisam
ser conhecidos, isto é, todos os sintomas e alterações mórbidas da saúde
que cada um deles é especialmente capaz de provocar no Homem sadio devem
ser primeiramente observados antes de se poder esperar encontrar e
escolher, entre eles, o meio de cura homeopático adequado para a maioria
das doenças naturais.
§124 Para esse fim, é preciso empregar cada substância
medicamentosa completamente só e perfeitamente pura, sem misturá-la com
qualquer outra substância estranha ou tampouco ingerir alguma outra de
natureza medicamentosa no mesmo dia nem nos subseqüentes, enquanto se
deseja observar os efeitos do medicamento.
§146 O terceiro ponto no exercício de um verdadeiro artista da
cura concerne ao emprego mais adequado das potências morbíficas
artificiais (medicamentos) que foram experimentadas em indivíduos sadios
a fim de obter uma cura homeopática das doenças naturais.
§153 Nessa procura do meio de cura homeopático específico, isto
é, nessa confrontação do conjunto característico dos sinais da doença
natural contra a série de sintomas dos medicamentos existentes a fim de
encontrar um cujas potências mórbidas artificiais correspondam, por
semelhança, ao mal a ser curado, deve-se, seguramente, atentar
especialmente e quase que exclusivamente para os mais
notáveis/estranhos, singulares, incomuns e peculiares (característicos)
sinais e sintomas do caso de doença, pois na série de sintomas
produzidos pelo medicamento escolhido, é principalmente a estes que
devem corresponder sintomas muito semelhantes, a fim de que seja mais
conveniente à cura. Os sintomas mais gerais e indefinidos: falta de
apetite, dor de cabeça, debilidade, sono inquieto, mal-estar etc.,
merecem pouca atenção devido ao seu caráter vago, se não puderem ser
descritos com mais precisão, pois algo assim geral pode ser observado em
quase todas as doenças e medicamentos.
§273 Em nenhum caso de tratamento é necessário e, por
conseguinte, não é admissível administrar a um doente mais do que uma
única e simples substância medicamentosa de cada vez. É inconcebível que
possa existir a menor dúvida acerca do que está mais de acordo com a
natureza e é mais racional: prescrever uma única substância
medicamentosa simples e bem conhecida num caso de doença ou misturar
várias diferentes. Na única, verdadeira, simples e natural arte de
curar, a Homeopatia, não é absolutamente permitido dar ao doente duas
substâncias medicamentosas diferentes de uma só vez.
§274 Como o verdadeiro artista da cura encontra nos medicamentos
simples administrados separadamente e sem mistura tudo o que porventura
possa desejar (forças morbíficas artificiais que são capazes, por sua
força homeopática de vencer completamente a doença natural, extingui-la
na sensação do princípio vital e curá-la de maneira duradoura), conforme
reza o sábio provérbio que diz ser um erro empregar meios compostos
quando os simples são suficientes, jamais lhe ocorrerá dar como
medicamento mais do que uma substância medicamentosa simples, de cada
vez e também por ter em vista que, embora os medicamentos simples
tivessem sido completamente experimentados quanto a seus efeitos puros
peculiares no estado de saúde dos Homens, é impossível prever como duas
ou mais substâncias medicamentosas compostas podem mutuamente alterar e
obstar a ação da outra sobre o organismo humano e porque, por outro
lado, o emprego nas doenças, de uma substância medicamentosa simples
cujo conjunto característico de sintomas é conhecido exatamente, já
presta, por si só, ajuda completa se foi escolhido homeopaticamente e,
mesmo no pior dos casos em que ele possa não ter sido bem selecionado de
acordo com a semelhança dos sintomas, não produzindo, portanto, nenhum
efeito benéfico, ainda assim será útil por requerer conhecimentos acerca
dos meios de cura à medida que, através dos novos padecimentos por ela
produzidos em tal caso, vão sendo confirmados os sintomas que a
substância medicamentosa já havia mostrado mediante experimentações no
organismo humano sadio, vantagem esta que é suprimida pelo emprego de
todos os meios compostos.
§275 A conveniência de um medicamento, para um caso dado de
doença, não se baseia apenas em sua escolha homeopática acertada, mas
também, certamente, na grandeza exata, mais justamente, na pequenez de
sua dose. Se for dada uma dose demasiadamente forte de um medicamento,
mesmo escolhido de maneira completamente homeopática para o estado
mórbido em questão, não obstante o inerente caráter benéfico de sua
natureza, tornar-se-á prejudicial pela sua grandeza e pela impressão
desnecessária e demasiadamente forte que, graças à sua ação homeopática
de semelhança, produz na força vital e, por meio desta, justamente sobre
as partes mais sensíveis do organismo e que foram mais afetadas pela
doença natural.
§277 Em vista disso, e porque um medicamento bem dinamizado, com
uma suposta pequenez adequada de sua dose se torna tanto mais salutar,
podendo quase beirar o milagre em sua eficácia, quanto mais
homeopaticamente correta tenha sido sua escolha, assim também um
medicamento cuja escolha tenha sido convenientemente homeopática, deve
ser tanto mais salutar quanto mais sua dose for reduzida ao grau
apropriado de pequenez, para uma suave eficácia terapêutica. |