A Homeopatia e o Futuro

Autor: Dr. Matheus Marim

Homeopatia? Não acredito! Como é que você, tão inteligente, acredita numa coisa dessas? Gotinhas, bolinhas, como isso pode ajudar alguém? Só ajuda quem for sugestionável ou então tem que ter muita fé nisso para fazer efeito, e além do mais é muito lenta!

Em uma cultura que condiciona os cidadãos a desacreditarem o que não conhecem e a simplesmente guiarem-se pelo que os manipulados meios de comunicação lhes ensinam o espanto é de longe a manifestação mais freqüente ouvida pelas pessoas ao comentarem sua resolução de enveredarem por um tratamento homeopático. E porque? Simplesmente porque estão fora do paradigma praticado pela maioria, e estar fora do paradigma significa desafiar, contestar, ameaçar as bases consolidadas, significa um convite ao futuro, a mudanças que sócio-biologicamente apenas quinze por cento da população aceita. Então, ao invés de uma pergunta curiosa ou um argumento trabalhado pela razão... a emocional colocação depreciativa, um dos mais primitivos mecanismos de defesa empregado pelos humanos.

Convite ao futuro? Sem dúvida! Há cinco anos atrás a Unesco (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) solicitou a Edgar Morin (1921 - ), filósofo, pedagogo e sociólogo que reconhecidamente figura entre os grandes pensadores contemporâneos, um conjunto de reflexões que - servissem como ponto de partida para se repensar a educação do próximo milênio - e para satisfação dos que pensam e praticam a Homeopatia as reflexões por ele apresentadas vêm de encontro ao que a Homeopatia sustenta e pratica há duzentos anos. Choque de futuro ou retorno há um passado que se perdeu? Tanto faz, a física afirma que o tempo é relativo, que não existe, que tudo é ao mesmo tempo passado, presente e futuro, etc.

Morin ao fazer suas reflexões reconhece o humano como um sistema aberto, permeado pelo erro e a ilusão, onde a incerteza é a única certeza, sistema aberto esse que para ser compreendido e trabalhado necessita ser pensado como global, multidimensional, complexo, portador de uma unidualidade, - um ser a um só tempo biológico e plenamente cultural - ..., - mais que Homo sapiens, um Homo complexus - ,... - que necessita ser ensinado a retomar consciência da sua unidade/diversidade, de sua cidadania terrestre para enfrentar as incertezas, afastando os obstáculos que o impedem de chegar ao - bem pensar - e poder praticar o altruismo, a consciência do outro -. No dizer de seu comentador E.A.Carvalho - o grande paradigma do Ocidente, disjuntor do sujeito e do objeto, da alma e do corpo, da existência e da essência, precisa ser desobedecido e refutado... para que possamos reaprender a rejuntar a parte e o todo, o texto e o contexto, o global e o planetário...para garantir às futuras gerações um mundo com mais beleza e sustentabilidade -.

Na Homeopatia trabalhamos dentro desse - saber do futuro - há duzentos anos: o ser unitário imerso em sua cultura. Para prescrever um medicamento que com esse ser tenha a capacidade de ser homeopático necessitamos conhecê-lo por inteiro, corpo e mente, conhecer o doente com suas doenças, conhecer o todo (doente) a quem pertencem as partes(doenças). Não vamos prescrever para as doenças mas para o sistema aberto (Homo complexus) que foi quem as fez, com a plena certeza de que a resposta à medicação homeopática desencadeia uma atividade em todo o sistema demonstrando a forma individual de cada um reagir, daí a incerteza. Incerteza para o observador que acompanha mas plena de certezas para o Homo complexus que está reagindo à medicação, reação essa que tem como desideratum de cura o altruismo e a consciência do outro e não apenas alívio de suas dores e malestares (doenças).

E como a Homeopatia faz isso? Através de um outro choque de futuro! A medicação, quando homeopática, comunica a esse sistema - unidual - uma informação cujo tempo de ação é igual ao de um - flash - de fotografia, nada mais. O conteúdo dessa informação é a capacidade que tem o medicamento de provocar, apenas em sistemas a ele sensíveis (incerteza) e considerados em relativo estado de harmonia ( - homem são -), um estado de desarmonia semelhante ao apresentado pelo doente. Recebida essa informação observa-se que o sistema doente inicia um trabalho de reorganização de acordo ao seu querer, ao seu jeito e dentro de suas possibilidades (incerteza), que o levará em direção à cura possível para ele. O sistema não irá fazer o que o médico deseja e acha que deve acontecer, mas apenas o que sabe e necessita fazer, cabe ao médico acompanhar e informar. O poder de cura está no doente, não no médico. Cura possível para cada um, percebe-se aí a incerteza e a necessária habilidade para acompanhar todo esse processo, uma vez que devolve-se o poder ao doente. Um outro choque de futuro, o poder devolvido a cada um, o sujeito senhor de seu desejo, consciente de si e do outro.

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