EXPERIMENTAÇÃO NO HOMEM SÃO

Autor: Dr.Javier Salvador Gamarra

Christian Federico Samuel Hahnemann, médico alemão nascido em Meissen no ano de 1755, após anos frustantes e infrutíferos praticando a medicina de sua época, abandona a clínica médica e recolhe-se à sua residência, passando a realizar traduções como forma de prover seu sustento.

Em 1790 ao realizar a tradução da  Matéria  Médica  do médico escocês Cullen,   sobre  a  Chinchona
(China oficinallis), que era utilizada e prescrita para o tratamento das febres intermitentes (malária) com grande sucesso, Hahnemann resolve experimentar a substância, utilizando pequenas frações da mesma, causando-lhe o aparecimento dos sintomas da doença, para a qual a substância era prescrita com o intuito de curar. Baseado neste fato, Hahnemann inicia a experimentação  de  mais  substâncias (sempre em pequenas doses) e observa que o evento novamente se reproduz, inferindo de tal fato de que as substâncias utilizadas na cura de determinada doença, são providas da potencialidade de a produzirem. Portanto, ele estabelece aí a primeira lei da ciência homeopática, o da similaridade (os sintomas produzidos por uma determinada substância utilizada por um indivíduo são, serão curados pela mesma substância quando encontrados em um indivíduo doente).

Hahnemann inicia através da experimentação a erigir um novo ramo da Medicina a Homeopatia. O uso de substâncias diluídas e dinamizadas (quanto mais diluída e dinamizada uma substância, maior é seu poder patogenético, ou seja, de produzir doenças) e sempre uma substância por experimento (medicamento único), junto com a experimentação do homem são, completam os pilares básicos da homeopatia. Hahnemann estabelece normas e procedimentos que devem ser respeitados durante as experimentações, o que ocorre até os dias de hoje, sendo que os experimentos além destas normas básicas seguem todos os princípios e normas técnicas estabelecidos para a realização de experimentos em seres vivos.

A Fundação de Estudos Médicos Homeopáticos do Paraná, realiza através do seu departamento de pesquisa a experimentação de uma substância ao ano, podendo a mesma ser inédita ou já conhecida e anteriormente experimentada, com o intuito de reproduzir ou não, os experimentos anteriormente realizados com a mesma.

Os candidatos à experimentação são alunos oriundos do curso de formação ou colaboradores da Fundação. Os candidatos deverão se submeter a uma série de testes, antes de serem considerados sãos e poderem participar da experimentação.

1.o) Deverão escrever uma autobiografia, aonde relatarão fatos sobre a sua vida, parentes, influências que os mesmos tiveram sobre ele, doenças pregressas dele e de sua família, etc.

2.o) Deverão responder ao questionário de Pierre Schimidt, aonde estabelecerão fatores de agravação e melhoria, desejos e aversões, etc.

3.o) Deverão realizar um período de auto-observação, aonde se avaliará a capacidade do indivíduo em observar-se e sua capacidade em relatar isto.

4.o) Deverão ser submetidos a exame clínico.

5.o) Deverão ser submetidos a exames de laboratório, RX de Tórax e Eletrocardiograma.

Caso os candidatos sejam considerados aptos, iniciarão a experimentação de uma substância pelo período de 180 ( cento e oitenta ) dias, nos quais serão acompanhados pelo diretor clínico, devendo entregar relatório mensal com todos os sintomas apresentados no período.

As substâncias utilizadas durante as experimentações, serão escolhidas através de sorteio, de uma lista elaborada pela Comissão de Pesquisa da FEMHPr, sendo as mesmas codificadas por um farmacêutico homeopata e elaborada por outro indivíduo que desconheça aos códigos (Estudo Duplo cego). Serão manipuladas, de acordo com os princípios hahnemanianos, e receberão um código de identificação para serem entregues aos experimentadores.

Os experimentadores deverão fazer a ingestão de uma dose diária da substância até o aparecimento de sintomas, quando interromperão a ingestão da substância e realizarão a descrição dos sintomas, aguardando um período de 21 dias após o desaparecimento dos sintomas, quando só então fará a ingestão de uma nova dose da substância. Isto nos permitirá observar o poder da substância atuando sobre o organismo, desde o momento da sua ingestão até o desaparecimento dos sintomas por ela produzidos.

Os experimentadores poderão desistir a qualquer momento da pesquisa, não importando os motivos que os levaram a tal decisão.

Os experimentadores serão acompanhados por um médico assistente, devendo reportar-se ao mesmo no caso do aparecimento de algum sintoma que lhe cause desconforto.

Os experimentadores não poderão fazer uso de nenhuma substância terapêutica no período, quer seja alopática ou homeopática, salvo com a anuência de seu diretor clínico.

Ao final da experimentação, todos os dados dos experimentadores serão analisados e cruzados, indicando quais os sintomas que a substância tem capacidade de fazer surgir no indivíduo são, formando assim sua Matéria Médica.

A experimentação de substâncias novas é de suma importância, permitindo aumentar o arsenal terapêutico homeopático.

A reexperimentação de substâncias já conhecidas é importante, devido as mudanças ocorridas na forma de vida, as alterações sofridas na superfície da terra (radiação, mudanças climáticas, agrotóxicos, etc), enfim todos os fatores que podem ter contribuído para mudanças em nosso meio-ambiente ou em nosso modo de vida.

Ao contrário dos experimentos realizados com medicamentos alopáticos, onde as substâncias são experimentadas em ratos, macacos, etc., em homeopatia, as substâncias são experimentadas em seres humanos, permitindo a observação e a opinião dos indivíduos sobre os efeitos daquela substância sobre seu organismo.

Todas as instituições de ensino de homeopatia, deveriam empenhar-se na experimentação no homem são, permitindo assim aos seus alunos contato com a pesquisa de substâncias, e propiciando informações importantes para a comunidade científica.

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