HOMEOPATIA: MODO DE USAR

Autor: Dr. Marcos Dias de Moraes

Este texto destina-se a tirar algumas dúvidas sobre o uso de medicamentos homeopáticos. De início, é conveniente que se conheça o trabalho árduo do Farmacêutico Homeopata. Assim se terá uma idéia mais clara de como conservar e tomar corretamente os medicamentos homeopáticos.

Afinal, é graças ao trabalho do Farmacêutico Homeopata competente que se pode ter garantia de que o medicamento terá o efeito já comprovado para que se realize o tratamento, como foi previsto pelo Médico Homeopata.

O que é um medicamento homeopático?

Há medicamentos homeopáticos de origens animal, vegetal e mineral. A matéria-prima utilizada varia de substâncias inertes (sem efeito terapêutico para a Alopatia, como o Lycopodium) a venenos (de animais peçonhentos), até mesmo outras substâncias de uso terapêutico bem conhecido por todos nós. Na Homeopatia, tudo é possível: por exemplo, a dor que é eventualmente produzida por uma substância, será curada por esta mesma substância em doses diminutas, segundo as Leis dos Semelhantes. E a Bula?? Alguns pacientes que se tratam com a Homeopatia esperam poder ler bulas de seus medicamentos. Seria praticamente impossível satisfazê-los. Afinal, a medicação homeopática é individual. Só serve para um determinado paciente aquele medicamento específico que o Médico Homeopata prescreveu. Então, a bula de um medicamento homeopático de um paciente será diferente da de outro, mesmo quando a substância utilizada for a mesma. Uma bula única para uma substância poderia ficar do tamanho de um catálogo telefônico, pois existem medicamentos homeopáticos com mais de 4.000 sintomas. As doses Os medicamentos homeopáticos, para serem prescritos necessitam, além da semelhança com os sintomas do paciente, de uma potência adequada ao caso de cada paciente. Ou seja, precisam ser diluídos e agitados de acordo com a orientação do Médico, que avalia isto durante a consulta. Este processo de manipulação do medicamento se chama dinamização. Para obtenção da dinamização, normalmente os Farmacêuticos utilizam, entre outras, as técnicas chamadas de CH (Centesimal Hahnemanniana), de FC (Fluxo Contínuo), que são as mais comuns. Estas técnicas de dinamização podem significar de alguns minutos a dias de trabalho ininterrupto, o que explica as eventuais demoras na feitura de medicamentos que não estejam em estoque. Como pode ser administrado? Para que o medicamento homeopático possa ser tomado, é necessário que ele seja veiculado, em substâncias inertes para sua absorção, após a obtenção do medicamento dinamizado. Normalmente usa-se como veículo a lactose, que é o açúcar de leite, nos medicamentos em forma de pós (embalados em papéis) ou em tabletes. Os medicamentos em forma de glóbulos já usam como veículo a sacarose, que é açúcar de cana. Os de forma líquida utilizam na veiculação água alcoolizada e, por isto, têm gosto de álcool. Já as formas de pomadas, óvulos e supositórios são obtidas com as tinturas-mães misturadas em vaselina sólida, ou outros excipientes nas proporções adequadas.

Como tomá-lo?

Tome o medicamento de maneira indicada e na hora determinada por seu Médico Homeopata.

Deixe que o medicamento entre em contato com a saliva.

Se tiver de tomar o medicamento em jejum, não usar pasta de dente, nem antes nem depois. Café também não, só depois de tomar o medicamento.

Deixe para escovar os dentes 10 minutos depois. Lembre-se de que o jejum é de hálito e não de estômago.

Evite o contato com as mãos. Use as tampinhas dos frascos para tomar os glóbulos e tabletes.

No caso de medicamento em solução alcoólica, bastam algumas gotas em dois dedos de água filtrada.

Não ingerir bebidas alcoólicas junto com a medicação.

Não reutilize o frasco após o término do medicamento. Escalde com água fervendo os utensílios que entrarem em contato com o medicamento homeopático ou use material descartável.

Todo medicamento deve ficar fora do alcance das crianças.

Em caso de ingestão acidental, comunicar imediatamente ao médico. Se não encontrá-lo, procure uma Farmácia Homeopática.

Sua conservação

O medicamento homeopático é sensível a cheiros fortes ( - saches -, capim cheiroso etc.), excesso de luz, umidade e calor.

Deve ser guardado em uma caixa exclusiva para ele, em local seco e fresco.

Evite guardá-lo no banheiro, devido à umidade e ao cheiro de perfumarias, sabonetes, cosméticos etc.

Não deve ficar junto com produtos que contenham cânfora ou mentol (Vick, pasta de dente etc.), nem próximo de cheiro de cigarros.

No carro, ele deve ser protegido do calor e da luz direta do sol.

Ele é sensível ao Raio-X e outras radiações, o que significa dizer que não deve ficar próximo da tela de TV ligada ou de alto-falante sob pena de ser desativado.

Caso vá viajar, peça à farmácia um atestado para seu medicamento e não se esqueça de levar a receita de seu médico. Nos aeroportos, não deixe seu medicamento na mala ou bolsa de mão, pois elas sempre são radiografadas. Carregue-o em um bolso de sua roupa, pois detectores de metais não o afetam tanto quanto o R-X.

Importante !!

- Não se automedique.

- Não repita receitas por conta própria.

- Não aceite indicação de medicamento dada em balcão de farmácia.

- Não recomende a amigos ou parentes o seu medicamento.

- Não utilize por conta própria medicamento de amigos ou parentes.

- Não esqueça que um medicamento homeopático pode ter tantos ou mais efeitos colaterais quanto um alopático.

E lembre-se !! A indicação do medicamento homeopático depende de uma análise profunda da totalidade dos sintomas do paciente. Somente o Médico Homeopata está habilitado a fazer esta análise. É por isto que, no tratamento homeopático, as consultas devem ser freqüentes.

A Homeopatia trata o doente e não a doença.

O medicamento de uma pessoa pode não ser de outra, mesmo que a doença seja a mesma.

Se quiser ajudar alguém, recomende um tratamento homeopático, não o seu próprio medicamento.

Florais e Fitoterapia (tratamentos com ervas) não são tratamentos homeopáticos.


Este texto faz parte da série Boletim Homeopático editado pelo Dr. Marcos Dias de Moraes

http://homeopatiaonline.com/boletim/edicoes/a4e52.asp

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