SOBRE O QUE NÃO É HOMEOPATIA


Autor: Dr. Matheus Marim

Há poucos dias uma médica homeopata que dedica-se ao atendimento de minorias em nosso Brasil, contava-nos que em um evento de nações indígenas anunciara-se uma palestra que seria proferida por mulheres índias relatando a experiência da tribo com homeopatia. Mobilizou-se curiosa para a reunião... mas nada ouviu sobre homeopatia, mostraram a rica experiência com a utilização das plantas regionais em inúmeras situações de doenças mas sequer um vislumbre de filosofia ou técnicas homeopáticas. Uma vez mais estabelecera-se a velha confusão entre homeopatia e fitoterapia. Utilizar plantas em tratamentos não significa estar fazendo homeopatia, talvez seja essa a maior confusão em nosso meio. Aliás, é bom que se esclareça que homeopatia nada tem a ver com sistemas tradicionais e/ou tratamentos de qualquer etnia ou nação do nosso planeta. Embora a idéia da similitude estivesse entre os Indús há cerca de três mil anos e Hipócrates a tivesse mencionado como uma das três vertentes por onde se encaminhavam os tratamentos em sua época, nada ficou nas tradições. Algumas tentativas para retomar a idéia aconteceram durante a Idade Média e Renascimento mas não avançaram. Não fosse a genialidade de Hahnemann em percebê-la e operacionalizá-la talvez a similitude fizesse hoje parte do passado da medicina.

Mas a homeopatia não utiliza plantas nos tratamentos? Sim, e além de plantas utiliza também produtos de origem animal e mineral, a rigor qualquer substância pode ser utilizada como medicamento homeopáticos desde que preencha as exigências e a técnica do saber homeopático. Podemos esclarecer um pouco melhor sobre esse estranho saber exemplificando que se uma substância  "faz bem"; para uma úlcera de estômago ela não será usada pelos homeopatas para tratá-la, ao contrário, eles utilizarão uma substância que seja capaz de produzir uma úlcera ou que "faça mal"; para a úlcera com a finalidade de curar o doente que é o dono da úlcera, é claro que essa substância será preparada de uma forma também bastante estranha e de acordo a esse tal saber homeopático.

Entre os saberes médicos tradicionais mais praticados hoje em dia e que mais geram perguntas procurando estabelecer paralelos com a medicina homeopática estão a medicina tradicional chinesa, a medicina tradicional indú e a medicina tradicional havaiana, que embora pratiquem muita fitoterapia não encontramos nelas a idéia da similitude orientando a prescrição. O principal laço que une a homeopatia a esses saberes tradicionais é o pensar sobre a unidade do ser, onde a todo não deve ser desarticulado em físico e psíquico para ser tratado. Em homeopatia esse saber advém do exercício da experimentação de medicamentos em humanos, não é uma proposta teórica e é fundamental para a compreensão e a prática homeopática.

Atualmente no Brasil uma outra escolha terapêutica que nada tem a ver com a homeopatia mas que com ela é muito confundida são os florais, inicialmente os de Bach, hoje os do mundo todo. Prescritos com a intencionalidade de apaziguar e fazer desaparecer sintomas psíquicos, são medicamentos que pelo seu poder curativo e metodologia própria de aplicação não devem ser utilizados durante o tratamento homeopático porque desviam o trabalho e o movimento que se instituem pela aplicação da medicação homeopática.

Muitas pessoas perguntam também se a homeopatia tem a ver com o espiritismo, isso porque sabemos que muitos dos antigos médicos homeopatas eram espíritas ou trabalhavam em centros espíritas e também que a homeopatia era muito prescrita por pessoas que se diziam incorporadas por espíritos durante as sessões. Não poderíamos explicar porque a preferência dos espíritos pelos medicamentos homeopáticos, mas no começo do século passado houve uma decisão governamental de que os medicamentos prescritos pelos grupos médicos hegemônicos não poderiam ser prescritos em receita médica, não sabemos se por reserva de mercado ou por considerarem que tais medicamentos eram muito potentes e perigosos para serem indicados por não médicos. Como os medicamentos homeopáticos não eram prescritos por esses grupos ficaram livres para a indicação por pessoas não médicas, a partir daí proliferou a indicação das aguinhas e bolinhas homeopáticas entre a população em geral e nos centros espíritas em particular, uma vez que eram muito procurados como centros de cura.

Aliás, o fato de a homeopatia ser preferida pelos espíritos em suas prescrições criou grande animosidade de outros grupos religiosos em relação a ela durante o século passado. Nos anos oitenta iniciou-se um movimento entre alguns poucos grupos protestantes que proibiam seus adeptos de fazer tratamentos homeopáticos porque segundo eles, ao preparar-se o medicamento homeopático estariam sendo introduzidos demônios dentro deles. Seriam aguinhas e bolinhas demoníacas.

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