HOMEOPATIA EM UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE (UBS):

UM ESPAÇO POSSÍVEL

 

 

 

GIL MOREIRA NETO

 

 

 

 

 

Dissertação de Mestrado

apresentada ao Departamento de

Prática em Saúde Pública da

Faculdade de Saúde Pública

da Universidade de São Paulo

 

Área de concentração:

Serviços de Saúde Pública

 

 

    ORIENTADOR:   

    PROF. DR. FERNANDO LEFÈVRE

 

 

SÃO PAULO

1999

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DEDICATÓRIA

 

AO MEU PAI, MEU PRIMEIRO  MESTRE NA ARTE DA MEDICINA

 

A G R A D E C I M E N T O S

 

A visão holística do mundo nos mostra, que em cada uma das partes do Todo, existe uma representação de todas as suas partes; desta forma, entendo que o Universo existe em mim, bem como faço parte deste Uni-Verso.

Um único Verbo, uma só Palavra, um único Pensamento podendo adquirir diferentes formas e nomes, sem perder as suas fundamentais características.

Meus agradecimentos vão para todos os seres que, de uma forma direta ou indireta, ajudaram-me e continuam ajudando na minha caminhada pela Vida.

Para a realização específica desse trabalho, gostaria de agradecer particularmente ao Dr. Cláudio, diretor do CSEGPS,  aos  funcionários do CS que  deram sustentação no cuidado aos clientes. Ao Alexandre, o residente do serviço, que, juntamente com a Delcina, coletaram e organizaram os dados, à Maria, que deu assessoria em informática para a tabulação dos dados.

Ao amigo e colega Leo, que fez a primeira leitura crítica e revisão do texto, ao José Rubens que muito ajudou na revisão e na forma final do texto e à Sônia na última revisão.

Ao amigo de longa data Edson, que auxiliou na formulação do questionário, ao Pascoal, sempre me socorrendo nas minhas dificuldades com o computador.

 Meu especial agradecimento às professoras Maria Jacyra e Keiko, que além de integrarem a banca examinadora,  não se limitaram simplesmente ao julgamento do trabalho, participaram ativamente no processo de co-orientação.

Ao meu orientador Fernando Lefèvre, que confiou que seria capaz de encontrar e trilhar o meu caminho.

À Áurea, me ajudando decifrar os processos internos por qual passei.

À Denise, pelas entrevistas e paciência em casa.

À Julia e Marcelo, por entenderem as horas que não pude ficar com eles.

Aos meus pais, por me acolherem.

Gostaria de fazer um agradecimento especial aos clientes do Centro de Saúde, que permitiram que a Homeopatia pudesse se manifestar através deles.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

R E S U M O

 

MOREIRA NETO G. Homeopatia em Unidade Básica de Saúde(UBS): Um Espaço Possível. São Paulo; 1999.[Dissertação de Mestrado - Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo]

 

Este estudo descreve os resultados do atendimento homeopático realizado pelo pesquisador no período de novembro de 1994 a dezembro de 1996, em uma unidade básica de saúde, Centro de Saúde Escola “Geraldo Paula Souza”, localizada em área urbana de uma grande metrópole, São Paulo.

Neste período, 165 pessoas tiveram pelo menos uma consulta perfazendo um total de 631 consultas. O estudo clínico foi realizado com um grupo de clientes que tiveram um mínimo de 3 consultas, 94 pessoas, com um total de 532 consultas nesta amostra e uma média de 5,7 consultas por cliente.

Foram utilizadas metodologias quantitativa e qualitativa. Os dados quantitativos foram obtidos através da Ficha Clínica Homeopática empregada no serviço e os qualitativos através de questionário semi-estruturado, aplicado em uma amostra intencional de 9 indivíduos.

Os dados mostraram uma predominância do sexo feminino, correspondendo a 66% e da faixa etária até os 19 anos com 45,8% do total de clientes. Com relação à indicação, 54,3% delas foram feitas por funcionários do próprio CS e da FSP. Os motivos de consulta de maior frequência foram os de Doenças do Aparelho Respiratório com 33,0%, e Problemas Gerais e Inespecíficos com 25,5%, os dois somando 58,5%.

Os diagnósticos de maior frequência foram as Doenças do Aparelho Respiratório com 47,8%, Problemas Gerais e Inespecíficos com 10,6% e os Transtornos Mentais com 10,6% perfazendo um total de 79,7%.

Foi observada resolutividade clínica e uma baixa frequência de encaminhamentos para outros serviços(1 para cada 41 consultas). Foram solicitados exames laboratoriais de fácil execução em somente 3,2% das consultas. Utilizou-se de recursos materiais e humanos do próprio serviço. Os custos de implantação, medicamentos e laboratorial estão adequados à realidade sócio-econômica do país.

Foi prescrito um único medicamento por vez para cada cliente, abordagem unicista, obtidos através da técnica de repertorização .Os medicamentos mais utilizados foram os “policrestos”.

Os motivos que levaram a clientela a escolher esta UBS foram: localização,  econômico e confiança no médico e no serviço. A opinião sobre o tratamento foi positiva e também relacionada ao tema “confiança”. Os clientes perceberam que a homeopatia possui uma visão integral e holística do ser humano, ao se conscientizarem dos vários fatores que podem desencadeiar uma doença.

Em relação à alopatia, ficou claro para os clientes que a medicina homeopática é diferente, que os remédios são diferentes, sua abordagem é diferente e que existe um maior diálogo entre o médico e o paciente.

O resultado do tratamento foi sentido não só na melhora da saúde, como também na mudança do comportamento e na tomada de consciência do indivíduo no seu processo de cura.

Descritores: Homeopatia. Saúde Pública. Medicina oficial não hegemônica. Atenção primária à saúde. Serviços de saúde.  Homeopatia em Unidade Básica de Saúde.

 

 

 

S U M M A R Y

 

MOREIRA NETO G. Homeopatia em Unidade Básica de Saúde(UBS): Um Espaço possível [Homeopathy in Basic Health Centre(UBS): A Possible space] São Paulo (BR); 1999.[Dissertação de Mestrado-Faculdade de Saude Pública da Universidade de São Paulo].

 

This study describes the results of the homeopathic service accomplished by  the researcher in the period between november 1994 and december of 1996, in a Basic Health Center, the School Health Center “Geraldo Paula Souza”, localised in a urban area of a great metropolis, São Paulo.

During this period, 165 had at least one medical consult, with a total of 635 consults. The clinical study was accomplished with a group of clients that had at least 3 medical consults, bringing up to a total of 532 consults.

There were used methodologies quantitative and qualitative. The quantitative dates were attained through the Clinical Homeopathic File Card used in the service. The qualitative dates, through of a quiz “half- structured” applied in a intentional sample of 9 fellows.

The dates show a predominance of the female sex with 66%, the edge until 19 years old with 45,8%. According the indications, 54,3% of them were done by  servants of the CS and  FSP. The reasons of more claims were relative of breath system ills with 33%, and general and inespecifics disorders with 25,5%, both adding 58,5%.

The diagnostics of more frequency were released to breath system ills with 47,8%, general problems and inespecifs disorders with 10,6%, and mental disturbance with 10,6%, bring up a total of 79,7%.

It was seen clinical resolutivity with a bit of number of deliverance to other services was 1 to each 41 medical consults accomplished. The costs of implantation, of medicine and laboratories are adequate to the social-economic reality  of the country.

The more used medicines were the “policrestos”, attained through technical repertorization and, with one medicine each time.

The reasons that took the clients to choose this UBS were localization, economic and trust in the doctor and in the service. The opinion about the treatment was positive and associated to the theme trust.

The clients perceived  that homeopathic has an integral view and holistic of the human, according many factors that unchain the ill.

In relation to the allopathic care, it becomes sure the clients that the homeopathic medicine is different, the medicines are different, the consultation are different, and there is a bigger dialogue between the medical doctor and the client.

The result of the treatment was felt not only in the health better, changing behaviour and applied conscientious of the persons in the own cure process.

Descriptors: Homeophaty. Non hegemonic official medicine. Public Health. Health services. Primary health care. Homeophaty and Basic units of health.

 

Í N D I C E

 

1  INTRODUÇÃO

11

1.1 Breve conceito e história da homeopatia no Brasil

12

1.2 Experiência pessoal do autor no processo de implantação da homeopatia nos serviços de saúde

 

20

2  OBJETIVOS

26

2.1 Objetivo Geral

27

2.2 Objetivos Específicos

28

3  METODOLOGIA

30

3.1 Local e população do estudo

33

3.2 Variáveis selecionadas

35

3.3 Referencial teórico homeopático

37

4  RESULTADOS E DISCUSSÕES

46

4.1 Identificação da população estudada

47

4.2 Do diagnóstico à prescrição: Evolução do tratamento segundo a tecnologia médica utilizada

 

55

4.3 O olhar da clientela sobre a Homeopatia

4.3.1  Análise do discurso

69

79

CONCLUSÕES

87

5.1 Considerações finais e sugestões

92

6  REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

103

ANEXOS

 

Anexo 1 Ficha Clínica Homeopática

 

Anexo 2 Questionário semi-estruturado

 

Anexo 3 Idéias centrais e Expressões chaves

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Quando o todo se encontra em mau estado, é impossível que a parte se comporte bem...pois, é da alma que vêm para o corpo e para o homem em sua totalidade, todos os males e todos os bens.

É pois da alma que é preciso desde logo cogitar, tratando-a antes de tudo.

Constitui um erro hoje disseminado entre os homens, procurar curar separadamente a alma do corpo...”

Platão

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1. INTRODUÇÃO

 

1.1 Breve Conceito e História da Homeopatia no Brasil

A homeopatia constitui um sistema médico-terapêutico cujo uso vem se ampliando e aperfeiçoando progressivamente no Brasil e no mundo.

Foi criada e desenvolvida pelo médico alemão Samuel Hahnemann a partir do final do século XVIII, quando publicou no ano de 1796, um estudo intitulado, “Ensaio sobre um novo princípio para a determinação do poder curativo das drogas e exames dos princípios prévios”26, no qual adota o princípio da semelhança “Similia similibus curantur” - o semelhante curando o semelhante - enunciado por Hipócrates no século IV a.C., como um dos fundamentos da homeopatia 18,23,24,25,29.

A homeopatia existe há duzentos anos como uma prática médica de regras fixas de tratamento e cura, são portanto, dois séculos de experiência e uso dos mesmos medicamentos, com os mesmos princípios de tratamento7, diferentemente da alopatia que, em muitos momentos, adota novos medicamentos para as mesmas patologias, que dificulta a realização de experiências e comparações a longo prazo, quanto a inocuidade dos seus fármacos no organismo humano.

O aspecto doutrinário/filosófico da homeopatia está baseado na visão Vitalista do ser humano. Hahnemann usa o termo vital como: força, energia, princípio, fluído, poder e espírito em nada menos que 57 parágrafos dos 29141 que compõem o Organon, da Arte de Curar24,  deixando claro seu ponto de vista quanto à existência de um princípio vital que anima nosso organismo e a sua importância na manutenção da vida e da saúde.

Na homeopatia, o princípio da semelhança toma a forma de lei, Lei dos Semelhantes, que, associada à Experimentação no Homem São, à utilização de Medicamentos Diluídos e Dinamizados e ao uso de um Único Medicamento por vez, forma seus pilares8,13,18,29,35, que serão detalhados no transcorrer deste trabalho.

Ao longo de sua história, a homeopatia tem sido muito mais criticada do que estudada pela comunidade científica, dificultando seu desenvolvimento41.

Este fato também se reflete na história da homeopatia no Brasil. O primeiro documento histórico a seu respeito em nosso país, apresenta críticas proferidas pelo Prof. Antônio Ferreira França da Academia Médica Cirúrgica da Bahia em 181820,42,   sem que o autor tivesse conhecimento teórico ou prático da nova medicina que emergia no mundo científico.

Percebe-se que esta atitude sobrevive em nossos dias, quando pessoas da área médica ou não fazem críticas à homeopatia sem um embasamento teórico mínimo sobre o tema, simplesmente pelo fato de terem um ponto de vista diferente.

O primeiro brasileiro a se dedicar aos estudos da homeopatia foi José Bonifácio de Andrada e Silva, o “Patriarca da Independência”42 que chega a trocar correspondência com Hahnemann.

É exatamente a independência que caracteriza o desenvolvimento da homeopatia ao longo desses anos. Independência dos grandes provedores medicina oficial hegemônica(medicina alopática), as multinacionais de medicamentos e diagnose que, em muitos momentos, interferem na neutralidade que um pesquisador deve ter na realização do seu trabalho para atender questões econômicas dessas multinacionais.

A homeopatia foi introduzida no Brasil em 1840 com a chegada ao país do médico francês Benoit Jules Mure, aqui conhecido como Bento Mure. Além de médico, ele era socialista utópico e veio com o intuito de criar uma sociedade cooperativa ligada ao socialismo de Fourier, na província do Sahy, em Santa Catarina20,31,42.

Desde sua implantação até os nossos dias, a história da homeopatia no Brasil foi dividida em seis grandes períodos no trabalho realizado pela pesquisadora Madel Luz31. Em resumo:

O primeiro, denominado “ Período da implantação”, vai de 1840 a 1859, e corresponde à fundação do primeiro Instituto Hahnemaniano do Brasil (IHB).

 “Este período é caracterizado pela predominância como estratégia da propaganda homeopática em todos os níveis... com provocação de grandes debates e polêmicas pelos homeopatas na imprensa, na Academia de Medicina, nas Escolas Médicas existentes (Rio de Janeiro e Bahia), nos poderes públicos (Executivo, Legislativo e Judiciário) e na sociedade civil”...

Bento Mure e o médico português João Vicente Martins são os nomes de destaque, grandes polemizadores dos debates travados com os representantes alopatas da época.

O segundo período, “Expansão e Resistência”, de 1860 a 1882, “assinala um momento de grande interiorização geográfica e aceitação popular da homeopatia”.

“Legitimando-se junto à população, a homeopatia já conquista alguma oficialização, através dos dispensários, enfermarias e consultórios, seja nas Santas Casas, em hospitais de ordens religiosas ou militares, ou em seus próprios serviços particulares. Os cursos de formação de homeopatas mantêm-se nos diversos Institutos Homeopáticos, criam raízes e se espalham, atraindo uma clientela crescente de alunos.”

A estratégia de expandir a homeopatia junto às instituições médicas reconhecidas, tem como finalidade dar um caráter cada vez mais científico à homeopatia, e com isto, aumentar a resistência aos ataques desferidos pelos médicos alopatas.

O marco que encerra este período corresponde ao parecer negativo dado pela Congregação da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em relação ao pedido de ensino da homeopatia nas Escolas Médicas.

"O terceiro período, que vai de 1882 à 1900, analisado junto com o período de expansão, foi denominado de período da Resistência para caracterizar não apenas a derrota institucional da homeopatia mencionada há pouco, como o cerco que as instituições médicas, como a Academia de Medicina (Imperial depois Nacional), a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, a Junta de Higiene Pública, depois Diretoria Geral de Saúde Pública, que será dirigida por Oswaldo Cruz, moveram contra a prática da homeopatia."

Apesar dos ataques proferidos contra a homeopatia, o espaço conquistado anteriormente servirá como plataforma de propaganda dos resultados obtidos com esta medicina.

O quarto período denominado de Áureo, vai de 1900 à primeira metade da década de 30. Nessa fase, foi  observada uma grande expansão popular da homeopatia, “a oficialização do ensino médico homeopático, obtida através da criação de duas Faculdades de Medicina de Homeopatia, uma no Rio de Janeiro e outra no Rio Grande do Sul, como também a criação de um hospital homeopático (ligado ao ensino da Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro) e, finalmente, pela criação de Ligas de homeopatia em vários estados do país”.

O quinto período, entre 1930 e 1970, corresponde ao Declínio acadêmico da homeopatia, com um grande silêncio da medicina oficial hegemônica sobre a homeopatia. Pode-se dizer que este silêncio está relacionado a um grande desenvolvimento de novos medicamentos e procedimentos diagnósticos pela medicina alopática, tornando-se desnecessária uma maior preocupação com outras práticas médicas como a homeopatia, visto que o progresso alcançado por si só se incumbiria de "aniquilar" as medicinas consideradas ”não-científicas”.

Estrategicamente, este silêncio também foi adotado pelos homeopatas, tendo como resultado a conquista de sua oficialização.

"É nesse período que se forja a imagem de que a homeopatia é uma medicina superada, do tempo de nossas avós.... Sua estratégia de oficialização, junto ao poder público, executivo e legislativo, foi vitoriosa, apesar da produção e reprodução do saber homeopático, através do ensino, das experimentações clínicas e da livre discussão das tendências homeopáticas terem tido um refluxo inegável.”

O sexto e último período, que vai da segunda metade dos anos 70 até o final dos 80, será denominado de Retomada social da homeopatia. "É a fase em que a homeopatia é vista como  terapêutica alternativa, em face da crise do modelo médico dominante, isto é, da medicina especialista, tecnológica, mercantilizada e marcada pelas terapêuticas invasivas e iatrogênicas."

Observa-se um grande interesse na homeopatia por parcelas significativas da sociedade, “entre os estudantes de medicina, por pesquisadores interessados no tema e também políticos de saúde progressistas que a implantam nos serviços públicos de saúde”.

Em 1979, a homeopatia obteve seu reconhecimento como especialidade médica pela Associação Médica Brasileira (AMB), assim como pelo Conselho Federal de Medicina (CFM)12 no ano seguinte.

“Os homeopatas da nova geração passam a ter uma preocupação mais científica, começando a surgir vários trabalhos que de alguma forma avaliam a eficácia do tratamento homeopático”.

É na década de 80 que a homeopatia começa a ganhar um espaço cada vez maior junto aos serviços públicos de saúde, destacando-se o decreto do INAMPS34, que incorpora a homeopatia a seus serviços, em 1986, a VIII Conferência Nacional de Saúde11 que, em suas recomendações finais, ressalta o direito do usuário em escolher a medicina com que deseja se tratar; e a Resolução CIPLAN10, em 1988, onde são traçadas as primeiras normas do atendimento homeopático na rede pública.

Também em 1988, ocorre em São Paulo a criação do Grupo Especial de Programas em Práticas Alternativas de Saúde (GEPRO de PAS)44, que se tornou o primeiro grupo oficializado junto à uma Secretaria Estadual de Saúde com o objetivo de viabilizar a implantação das práticas “alternativas” em suas unidades, entre elas a homeopatia. No ano seguinte, este grupo lançou o documento intitulado “As Diretrizes Gerais para o Atendimento Homeopático”45, que serviu de referência não só para São Paulo como também para todos os estados que desejavam implantar a medicina homeopática na rede pública.

Outro marco importante no reconhecimento da homeopatia como uma especialidade médica, foi o convênio entre a Associação Médica Brasileira e a Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB)1 em 1989, em virtude do qual, o concurso para Título de Especialista em Homeopatia passou a ser orientado e reconhecido tanto pela AMB como pelo CFM no ano de 1990.

Pode-se dizer que o crescimento da homeopatia neste período está relacionado a três fatores preponderantes:

- O movimento de contracultura surgido nos anos 60 em todo o mundo9, que começou a questionar os valores humanos sociais de vários campos, entre eles o saber médico, que ao estimular a formação de especialistas, fragmenta cada vez mais o ser humano17, em detrimento de uma visão global e holística5O,53  de integração corpo/mente.

- O descrédito dos serviços de saúde em função de uma política inadequada para nossa realidade que, em muitos momentos, prioriza tecnologias de alto custo, distanciando-se cada vez mais do relacionamento humano entre médico e paciente, base da verdadeira medicina;

- Por fim, o reconhecimento e legalização da homeopatia como especialidade médica pelas entidades oficiais, Conselho Federal de Medicina e Associação Médica Brasileira12.

Durante o referido período, o autor deste trabalho concluiu sua formação em homeopatia (1985/86) e passou a desenvolver seu trabalho como médico homeopata nos serviços públicos de saúde, atendendo inicialmente no Hospital Infantil Darcy Vargas do INAMPS de São Paulo, depois no Centro de Apoio ao Desenvolvimento de Assistência Integral à Saúde44 (CADAIS), núcleo central de planejamento e desenvolvimento em ações de saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e, a partir de 1994, no Centro de Saúde Escola “Geraldo de Paula Souza” (CSEGPS) da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, onde passou a desenvolver um trabalho de assistência médica à população e pesquisa.

 

 

1.2 Experiência pessoal do autor no processo de implantação da homeopatia nos serviços de saúde 

Desde a minha formação acadêmica questiono os princípios da medicina alopática quando, em sua prática,  dá maior ênfase aos números laboratoriais do que a relação humana entre o  médico e o paciente. Isso, em muitos momentos, leva o profissional da saúde a se esquecer muitas vezes que tem diante de si uma pessoa e não um simples prontuário, distanciando-se dessa forma dos reais valores humanos43, em prol da moderna tecnologia cada vez mais mecânica e divide o homem em “compartimentos” que são distribuídos aos “senhores” detentores de específico saber  chamados, especialistas17,22.

Cada saber possui um “dono”, impedindo que seja dividido com outros médicos, pelo fato de estarem incapacitados tecnicamente para exercerem tais procedimentos.

É neste contexto que, ao sofrer de uma rinite alérgica em 1977, passei de mão em mão de vários especialistas com o objetivo de obter a cura. Esta peregrinação durou aproximadamente dois anos, não sendo resolvida e sim “paliada” pelos doutos no assunto. Comecei então não só a perceber, como também sentir a ineficácia do tratamento para minha doença.

Por desespero de causa, resolvi em última instância, apelar para a homeopatia; ao começar meu tratamento homeopático, observei não só uma melhora de meus sintomas físicos, como também do meu estado geral, guardando esta imagem em minha lembrança.

Nesse período, 1979, morava no Rio de Janeiro e comecei a participar de um grupo de estudos sobre homeopatia. Logo após o início desse grupo, necessitei interrompê-lo devido às exigências dos estudos de um final de curso de graduação em medicina; entretanto, a “idéia” da homeopatia persistiu em minha mente e retomei meus estudos homeopáticos, em 1985, quando iniciei o curso de formação no Núcleo de Estudos Homeopáticos (NUCLEHOM), em São Paulo.

Em 1987, ano seguinte da minha formação em homeopatia, comecei a prestar serviço regularmente nos ambulatórios do Hospital Infantil Darcy Vargas, como médico homeopata, e também nas enfermarias, quando solicitado pelos médicos responsáveis.

Nesse mesmo ano, organizei o primeiro Curso de Introdução à Homeopatia no referido hospital, dirigido aos funcionários de saúde de nível superior do estado de São Paulo, com o objetivo de divulgar, esclarecer e sensibilizar esses profissionais para a homeopatia, com o intuito de diminuir as resistências naturais para o novo que surge.

O objetivo do curso foi alcançado, pois alguns médicos daquela época fizeram sua formação em homeopatia e esse serviço continuou funcionando no hospital mesmo depois de minha saída, em 1988, quando fui para a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo.

Nessa secretaria, comecei a participar do Grupo Especial de Programas em Práticas Alternativas de Saúde44 GEPRO PAS, como Assistente Técnico de Direção, trabalhando até 1994 na  implantação não só da homeopatia como também da fitoterapia e acupuntura  no SUDS SP.

Esse grupo era formado por um sociólogo, dois médicos homeopatas e uma farmacêutica homeopata. A estratégia inicialmente adotada pela equipe foi de primeiro divulgar a homeopatia junto aos profissionais de saúde e população, uma vez que havia sido reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina e Associação Médica Brasileira12, havendo também a existência de normas do INAMPS e Ministério da Saúde34 preconizando a implantação da homeopatia, nos serviços públicos de saúde.

Em 1989, o GEPRO lançou o documento “Diretrizes Gerais para o Atendimento em Homeopatia”45, onde foram traçadas normas que regulamentavam o atendimento homeopático no SUDS.SP.

No período de 1988 a 1994, permaneci no GEPRO e organizei cursos de Introdução à Homeopatia com o objetivo de sensibilizar e disseminar a Medicina Homeopática entre profissionais de saúde de nível superior do SUDS-SP; de Metodologia da Pesquisa em 1989 e 1990; participei de congressos e fóruns de homeopatia, divulgando sua prática nos serviços públicos de saúde, participei e coordenei  reuniões mensais com os médicos homeopatas da rede com objetivo de reciclar, discutir e trocar experiências sobre a prática homeopática, como também  visitas periódicas nas unidades de saúde incentivando sua implantação na rede.

Paralelamente ao serviço público de saúde, mantive contato com associações de classe, como a Associação Paulista de Homeopatia(APH), fui um  dos delegados da comunidade médica homeopática do Estado de São Paulo, na primeira reunião de delegados da Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB)2, em 1989, na Bahia. Essa reunião teve como objetivo discutir e aprovar o estatuto da AMHB para torná-la representante oficial dos médicos homeopatas brasileiros junto à Associação Médica Brasileira, tornando-se uma de suas  federadas1.

Em 1990, a AMHB realizou em convênio com a AMB e o CFM, o primeiro concurso para especialista em homeopatia, no qual, obtive meu título. Desde as primeiras gestões da AMHB, participo como membro da Comissão de Saúde Pública.

Também em 1991, o GEPRO fez uma primeira avaliação de três anos de trabalho46 e foi observado um crescimento significativo da homeopatia nos serviços públicos de saúde de São Paulo, passando de 8 médicos homeopatas atendentes em 1988, para 66 em 1991, de 20 locais de atendimentos em 1988, para 43 em 1991, e de 12  Escritórios Regionais de Saúde ERSAs em 1988, para 27 no mesmo período.

No ano de 1992, o estado de São Paulo chegou a ter 140 médicos homeopatas atendendo nos seus serviços públicos de saúde.

Com o passar dos anos, senti a necessidade de aprofundar meus conhecimentos em Saúde Pública e fiz o curso de Especialização em Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo em 1992.

Como decorrência natural, segui com o curso de pós-graduação em nível de mestrado, na mesma faculdade.

Nesse ínterim, fiz parte da diretoria do Centro de Estudos de Medicina Tradicional e Práticas Alternativas em Saúde Pública (CEMTASP), coordenado pela Prof. Maria Jacyra de Campos Nogueira e integrado ao Departamento de Prática de Saúde Pública, da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Foi nesse contexto que surgiu a oportunidade de trabalhar como médico homeopata no Centro de Saúde Escola “Geraldo Paula Souza” (CSEGPS), trabalho  referendado pela Congregação da referida faculdade, onde continuo trabalhando até a presente data.

Como foi descrito, passei por experiências pessoais e, em alguns momentos, como ator social no processo de implantação da homeopatia tanto em nível central(CADAIS), como também em unidades de atendimento à população, Hospital Infantil “Darcy Vargas” e CSEGPS, associações de classe, como a Associação Paulista de Homeopatia (APH) e AMHB.

Em decorrência dessa experiência, várias questões sobre a dinâmica da homeopatia nos serviços de saúde emergiram em minha mente, estimulando-me a buscar respostas sobre o assunto através da reflexão e reconstrução do saber homeopático.

Quem é essa clientela? Atende-se mais criança, adolescente ou adulto? Quais foram as fontes de encaminhamento da clientela atendida nesse serviço? Quais são os principais motivos alegados pela clientela para consulta? Quais os diagnósticos clínicos principais realizados pelo médico homeopata?

Surgiram também outras perguntas primárias sobre o serviço: Quantas consultas em média foram realizadas pelo médico no período estudado(1994-1996)? Do total do atendimento médico, qual o número e a proporção de encaminhamentos a outros serviços? Qual o número e a proporção de exames complementares solicitados pelo médico homeopata? Como foi a evolução clínica (resolutividade) da clientela? Qual a opinião da clientela atendida sobre o serviço de Homeopatia? O custo de implantação desse serviço é condizente com as condições sócio-econômicas do país? Que motivos levaram a clientela à escolher este centro de saúde? Qual a idéia da homeopatia que ficou para esta clientela? Qual a sua opinião sobre o atendimento recebido e o serviço? Ocorreram mudanças  na saúde e na vida desta clientela decorrentes do tratamento homeopático?

Embora reconheça que essas questões não esgotam as indagações formuladas em termos de uma avaliação, elas poderão fornecer indicações iniciais importantes para o  desenvolvimento  do  trabalho,  bem como responder as necessidades de conhecimento que os administradores de saúde devem ter dos recursos humanos e materiais necessários para o processo de implantação da medicina homeopática em uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

 

 

 

2. OBJETIVOS

 

2.1 OBJETIVO GERAL 

Contribuir para o processo de implantação da medicina homeopática nas Unidades Básicas de Saúde do Sistema Único de Saúde.

  

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 

2.2.1) Quanto à identificação da clientela e do serviço de homeopatia:

 - caracterizar a clientela atendida;

- identificar a concentração de consultas por clientes;

- identificar a demanda ao serviço;

- descrever os principais motivos da consulta;

 

2.2.2) Quanto ao olhar do homeopata sobre seu trabalho; do diagnóstico à prescrição.

- Identificar os diagnósticos clínicos principais;

- identificar os medicamentos e potências mais utilizados;

- descrever a evolução clínica da clientela.

- identificar a proporção de exames complementares solicitados;

- identificar a proporção de encaminhamentos para outros serviços;

 

2.2.3) Quanto ao olhar da clientela sobre a Homeopatia:

- descrever os motivos de escolha desta UBS para realizar o tratamento;

- descrever a opinião sobre o tratamento homeopático recebido;

- descrever a compreensão adquirida sobre a Homeopatia e seus principais aspectos em relação à Alopatia;

- descrever a experiência pessoal e as mudanças alcançadas na saúde e vida após realização deste tratamento;

  

3. METODOLOGIA 

Para a consecução dos objetivos - identificação da clientela do serviço de homeopatia e do olhar do homeopata sobre seu trabalho - foi considerada a clientela que teve pelo menos 3 consultas no período de novembro de 1994 a dezembro de 1996. Para obtenção dos dados, foi utilizada a Ficha Clínica Homeopática (Anexo 1) do referido serviço; a metodologia utilizada nesta fase foi a quantitativa, de caráter descritivo, os dados foram inseridos no programa EPI-INFO14, organizados e analisados sob o ponto de vista estatístico através da distribuição de freqüências, cálculo de média e proporcionalidade. A apresentação foi feita através de tabelas e figuras.

Quanto ao objetivo - olhar da clientela sobre a homeopatia - a escolha foi pela metodologia qualitativa, a técnica utilizada foi a de análise de discurso4,33,49 e a obtenção dos dados foi realizada através de questionário semi-estruturado (Anexo 2). Os depoimentos dos clientes foram gravados em cassete e transcritos literalmente. Estas entrevistas foram realizadas por pessoas treinadas e supervisionadas pelo autor, tendo sido realizados pré testes até chegar ao modelo final do questionário empregado.

Para o estudo e apresentação dos resultados foram realizadas uma leitura vertical e uma horizontal de todos os depoimentos. Os instrumentos49 para esta apresentação e análise foram:

Idéia central - corresponde à “síntese do conteúdo discursivo explicitado pelos sujeitos. São as afirmações, negações e dúvidas a respeito da realidade factual bem como os juízos de valor da realidade...”

Expressões chaves - “São os trechos dos discursos que ilustram as idéias centrais... uma “prova discursivo - empírica” da “verdade” das idéias centrais.”

Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) - é a compilação, a síntese em um único discurso, os vários discursos feitos pelos depoentes.

Neste sentido, o DSC representa as falas de todos os entrevistados. O pesquisador, nesse momento, atua como um “catalisador” dessas idéias, promovendo a ligação entre elas, sem que em nenhum momento, expresse qualquer juízo de valor sobre o tema estudado. 

 

3.1 Local e População de Estudo 

A área de abrangência do estudo compreendeu o Centro de Saúde Escola “Geraldo Paula Souza” (CSEGPS) pertencente a uma instituição de ensino, a  Faculdade  de  Saúde  Pública(FSP) da Universidade de São Paulo(USP).

Essa unidade foi implantada em 1925 e é o primeiro Centro de Saúde do Brasil e de toda a América Latina.

A clientela do CSEGPS é constituída pela população que reside nos bairros Cerqueira Cesar e V. Madalena, bairros urbanos de uma grande metrópole. O Centro de Saúde atende também as famílias dos funcionários do próprio serviço mais os funcionários, alunos e docentes da Faculdade de Saúde Pública. 

Possui uma infra-estrutura completa de serviços como: Laboratório de Análises Clínicas, um aparelho de raios x, diversas especialidades médicas como Pediatria, Clínica Geral, Geriatria, Ginecologia, Saúde Mental, Oftalmologia, Homeopatia, Dermatologia Sanitária, Tisio-pneumologia e Fonoaudiologia.

Segundo o Censo Demográfico de 199119, a população dos bairros de Pinheiros, Alto de Pinheiros e Jardim Paulista, é de 225.755 habitantes. Esse conjunto de bairros possui 72.865 domicílios, com uma média de 3,21 moradores/domicílio. O saneamento básico da região é de ótima qualidade. 99,2% dos domicílios têm  abastecimento de água, 98,8%  têm esgoto, e há coleta fixa de lixo fixa em 99,4%. Mesmos com estas características, a região possui também um grupo de moradores que vivem em cortiços e favelas. A clientela do CSEGPS é, portanto, heterogênea.

Os dados gerais de 1992, mostram uma taxa de mortalidade infantil de 13,7%, natimortalidade de 7,3% e natalidade de 13,5%.

O atendimento homeopático no CSEGPS foi iniciado em novembro de 1994, passando a fazer parte do rol de especialidades médicas oferecidas.

A clientela estudada chegou ao serviço através de demanda referenciada ou por procura espontânea, não havendo restrição quanto à faixa etária, sexo ou patologia. 

 

3.2 Variáveis Selecionadas 

As variáveis selecionadas para o presente estudo foram:

a. Faixa etária - representada pelo número de anos completos vividos, desde o nascimento até a data da consulta. A faixa etária foi categorizada de 10 em 10 anos;

b. Sexo do cliente;

c. Demanda de serviço - está relacionada às indicações recebidas pelos clientes relativas ao serviço de homeopatia;

d. Motivos de consulta - são as queixas de saúde relatadas pela clientela ao médico homeopata. Sua classificação foi feita segundo o CID36 (Código Internacional das Doenças);

e. Diagnóstico clínico principal - diagnóstico clínico realizado pelo médico homeopata após a consecução da consulta, também classificado segundo o CID;

f. Evolução clínica - utilizado o critério de GRAUS47 onde, Grau ++ significa a presença dos sintomas,  realização do diagnóstico, Grau + melhora da sintomatologia, Grau +++ piora da sintomatologia, Grau 0 desaparecimento dos sintomas que foram utilizados para a realização do diagnóstico;

g. a concentração de consulta por cliente consiste na relação entre o número de consultas médica efetivadas e o número de pacientes;

h. encaminhamentos a outros serviços - foram considerados os encaminhamentos realizados pelo médico homeopata a outros serviços de atendimento.

i. exames complementares  - foram considerados os exames solicitados pelo médico homeopata. A proporção foi medida pelo total de exames complementares sobre o total de consultas realizadas. 

 

3.3.     Referencial Teórico Homeopático 

A prática médica homeopática apresenta-se sob diversas formas. As principais são: complexista, utilização de vários medicamentos em uma mesma formulação; pluralista, utilização de vários medicamentos de forma alternada para uma mesma pessoa; unicista, utilização de um único medicamento por vez para uma mesma pessoa.

O autor deste trabalho utilizou esta última forma, unicista, por entender o indivíduo como um ser indivisível em suas manifestações vitais.

A prática adotada neste trabalho está fundamentada nos ensinamentos deixados por Hahnemann nos seus livros, “ORGANON DA ARTE DE CURAR”23,24 e “DOENÇAS CRÔNICAS”25, procurando a maior fidelidade possível aos preceitos básicos que regem a homeopatia.

O Organon, livro onde estão estruturados os fundamentos da homeopatia, foi escrito em formas de  parágrafos, que serão reproduzidos, total ou parcialmente, para melhor entendimento do leitor.

A homeopatia está estruturada em princípios e leis que devem ser respeitados e utilizados em sua totalidade. Ela se caracteriza não só pela racionalidade médica, mas também por uma doutrina filosófica baseada na totalidade biológica, mental e espiritual do ser humano.

O conjunto filosófico e terapêutico da homeopatia tem como função primordial adequar o homem a si mesmo, às condições do meio em que vive, com o objetivo de aliviar os sofrimentos do corpo e da alma, diminuindo também sua predisposição a novas alterações da saúde física e mental.

Como foi descrito, o autor entende ser o homem “animado” por um princípio vital24,41, denominado por Hahnemann de Força ou Energia vital. Essa energia tem como função  manter as diversas dimensões do ser humano em harmonia com a vida, sua desarmonia implicará em alterações tanto mentais quanto físicas, levando ao surgimento de sintomas. O conjunto desses sintomas consiste no que é chamado de doenças. Através da totalidade dos sintomas, pricipalmente de suas peculiaridades e particularidades, que chega-se ao centro de organismo, onde se encontra a base da “verdadeira” doença, assim descrita por Hahnemann no parágrafo 6 do Organon:

“O observador livre de preconceitos nada percebe, mesmo sendo o mais arguto, em qualquer doença individual, senão as alterações reconhecíveis externamente pelos sentidos do corpo e da alma. Sinais mórbidos, acidentes, sintomas, isto é, perturbações do antigo estado sadio do paciente...” Nesse mesmo parágrafo continua, “... Nas doenças, o que se manifesta aos sentidos pelos sintomas não é para o médico a própria doença, visto que ele nunca pode ver a doença latente, o ser imaterial que produz a doença, a força vital”.

Continuando, no parágrafo 11 do mesmo livro, Hahnemann diz: “Quando o homem adoece, essa força vital imaterial de atividade própria, presente em toda parte de seu organismo, é a única que inicialmente sofre a influência dinâmica hostil à vida... é somente o princípio vital, perturbado por uma tal anormalidade, que pode fornecer ao organismo as sensações desagradáveis e impeli-lo, a atividades irregulares a que chamamos de doença”... Hahnemann vai deixando cada vez mais clara sua visão do processo saúde-doença, no qual as manifestações perceptíveis aos nossos sentidos não revelam a doença em si, e sim, o fenômeno produzido pela alteração da força vital, parágrafo 12:

“É somente a força vital morbidamente afetada que produz moléstias. De modo que os fenômenos mórbidos (sintomas) que são perceptíveis aos nossos sentidos, expressam ao mesmo tempo, toda a mudança interna, isto é, toda a perturbação do dinamismo interno” continuando, no parágrafo 15, ele afirma que:

...”O organismo é, na verdade, o instrumento material da vida”...

Pode-se dizer que Hahnemann realiza um corte epistemológico no conceito de doença da sua época bem como dos dias atuais. O conceito de doença é diferente na homeopatia e na alopatia.

Na alopatia, em função de seguir uma linha de pensamento filosófico específico, a visão dualista e mecânica do corpo biológico, adota como critério de doença, as alterações físico-químicas que ocorrem no organismo em função de um determinado agravo à saúde. Esta visão, em alguns momentos,  dissocia a relação entre o corpo material e a alma(psiquê).

Na homeopatia, o ser humano é visto como um sistema integrado, um todo indissociável, uma visão holística24,50. O surgimento de sintomas, ou seja; a doença em si, é o resultado da desarmonia da força vital que anima este ser.

No parágrafo 9 uma nova dimensão, a espiritual,  é introduzida por Hahnemann quando diz que:

“No estado de saúde, a força vital imaterial que dinamicamente anima o corpo material, reina com poder ilimitado e mantém todas as suas partes em admirável atividade harmônica, nas suas sensações e funções, de maneira que o espírito dotado de razão, que reside em nós, possa dispor livremente deste instrumento vivo e são para atingir aos mais altos fins de nossa existência”.

Alguns Homeopatas adotam esta observação como sendo um dos parâmetros de cura, quando, de maneira consciente ou não, a Unidade, na trindade, físico, mental e espiritual se faz presente nas pessoas que fazem o tratamento homeopático.

O princípio da semelhança toma a forma de lei, a Lei dos Semelhantes, assim descrita por Hahnemann no parágrafo 26, "Em um organismo vivo, uma afecção dinâmica mais fraca é extinta permanentemente por uma mais forte, se esta última (mesmo que diferente em espécie) seja muito semelhante à primeira em suas manifestações".

Isto significa que quando o médico homeopata encontra a semelhança entre os sintomas de um paciente enfermo, com os sintomas produzidos pelo medicamento, esse, possa ser empregado na pessoa enferma, a fim de estimular uma reação da força vital e extinguir de forma duradoura os sintomas iniciais.

Um outro pilar da homeopatia, a Experimentação no Homem São, é assim descrito por Hahnemann, no parágrafo 107 do Organon:

..."Os efeitos puros dos medicamentos, as modificações especiais do estado fisiológico provocadas pelas experimentações em um organismo são, raramente podem ser descobertos e observados nitidamente nos enfermos, já que estes estão mesclados com os sintomas da enfermidade natural presente" ... e no parágrafo 108: "Não há, então, outro caminho possível, outro meio mais seguro e mais natural para descobrir infalivelmente os efeitos próprios dos medicamentos sobre o ser humano, que administrá-los em: Indivíduos sãos, em doses moderadas, e uma substância por vez.... pois toda virtude curativa  dos medicamentos está fundamentada unicamente no poder que tem de modificar o estado de saúde no indivíduo são"...

A lei dos semelhantes bem como a experimentação no homem são podem ser resumidas e apresentadas da seguinte forma: 

 Agente morbífico ______ Homem são ______ Sintomas

                              (doença natural)

 

Medicamento________ Homem são __________ Sintomas

                           (doença artificial)

 

Quando os sintomas da doença natural são semelhantes aos da doença artificial, emprega-se o medicamento que é capaz de produzir os mesmos sintomas numa pessoa sã, obtendo-se assim a regressão da doença em função de uma nova ordem frequêncial da Energia Vital.

Pode-se traçar um paralelo dessa visão médica com os  “condensados de Bose-Einstein” e o “sistema bombado” de Frölich54: Consiste num conjunto de moléculas bipolares, carga positiva em uma extremidade e negativa na outra, e também possuem um movimento vibratório. Uma combinação de carga e frequência.

 Este sistema emite vibrações eletro-magnéticas. Da  desarmonia do seu padrão vibratório, “sintomas” surgem, para que voltem a vibrar num uníssimo, como um condensado, é necessário que um estímulo energético externo ao sistema seja introduzido.

Esta, é uma hipótese que pode contribuir nos estudos dos mecanismos de ação dos medicamentos homeopáticos.

O conjunto de sintomas provenientes da ação dos medicamentos no homem são, é chamado de patogenesia, “criação de doenças”. O conjunto das patogenesias é encontrado em livros de Matéria Médica Homeopática.

No parágrafo 111 do Organon, observa-se a preocupação com o rigor científico relativo à metodologia utilizada quando relata que: "A concordância de minhas observações sobre os efeitos patogenéticos puros dos medicamentos... e a coincidência destes últimos informes com outros de mesmo gênero feito por outros autores, nos dão a convicção que os medicamentos originam, no organismo são, modificações patológicas ou mudanças mórbidas segundo leis naturais positivas e imutáveis, fixas e eternas. Em função disto, os medicamentos são capazes de produzirem cada um segundo sua própria individualidade sintomas mórbidos, seguros e precisos."

Seu cuidado em demonstrar a possibilidade de reproduzirem sua experiência, desde que seguidos critérios pré estabelecidos, mostra sua preocupação quanto à racionalidade  científica de sua obra. Refere também que os resultados obtidos por outros pesquisadores são semelhantes aos por ele encontrados fortalecendo sua teoria.

Como a grande maioria das substâncias utilizadas pela medicina da época possuía alta toxicidade, Hahnemann passou a diluí-las na proporção de 1/100  de forma sucessiva a partir de uma tintura-mãe.

Qual não foi sua surpresa quando percebeu que, mesmo em altas diluições, as drogas continuavam com seus efeitos e outros eram acrescidos.

O processo de dinamização consiste de sucussões (agitações, batidas) feitas manualmente, com o frasco contendo o medicamento, golpeando-o sobre uma base firme. Estas sucussões, em número de 100, são realizadas entre as diluições. 

O resultado final da soma de diluições e sucussões são as potências medicamentosas. Na prescrição homeopática, após escrever o nome do medicamento, escreve-se a potência desejada. A potência é descrita pela letra C, que significa centesimal (diluição de 1/100) e pela letra H, relativo a dinamização manual segundo critérios pré-estabelecidos por Hahnemann. CH.

Hahnemann deixa claro a necessidade de usar um único medicamento por vez, pois toda experiência com medicamentos em homeopatia foi e é realizada desta forma, não existindo estudos patogenéticos([1]) com o emprego de mais que uma substância por vez.

”Não se deve prescrever jamais vários medicamentos simultaneamente porque, mesmo possuindo patogenesias completas de todos os medicamentos simples, não se tem como prever a maneira como as substâncias misturadas e juntas podem atuar sobre o organismo”... Par. 273 e 274 “...Durante o tratamento dirigido à cura, em nenhum caso é necessário e por isso mesmo é inadmissível, utilizar, em um enfermo, mais do que uma única substância simples por vez.

Nestes dois anos de atendimento,  com o objetivo de ficar o mais próximo possível da prática homeopática preconizada por Hahnemann, utilizou-se um único medicamento por vez nas consultas.

Para auxiliar na busca do medicamento considerado o mais adequado para aquele dado momento, utilizou-se a técnica da repertorização18,40.

Esta técnica consiste no cruzamento dos diversos sintomas da pessoa. Na consulta, dá-se preferência aos sintomas raros (aqueles que aparecem com pouca frequência), estranhos (sintomas inusitados, inesperados naquele dado momento) e peculiares (aqueles que denotam a idiossincrasia do indivíduo, sua maneira peculiar de ser, sentir, experienciar e reagir às diversas situações que a vida lhe impõe), formando o que é chamado de totalidade característica, ou síndrome mínima de máximo valor.

A somatória e o cruzamento desses sintomas, repertorização, irão não só individualizar o paciente  como um sujeito único, mas também permitir compará-lo com os medicamentos homeopáticos à luz das matérias médicas.

Para a prescrição da clientela do CSEGPS, foram utilizados medicamentos dinamizados manualmente e de potências consideradas baixas e médias, até a 30ª.

Quando da necessidade de alterar as potências de acordo com a evolução clínica de cada paciente, foi empregado o critério de escala frequencial ascendente21

Foi dada uma atenção especial quanto à qualidade do medicamento utilizado. A farmácia escolhida para fornecer os medicamentos localiza-se no bairro de Pinheiros, região de abrangência do CSEGPS.

Trata-se da farmácia H&N CRISTIANO, que já vem atendendo a rede pública desde 1989. O critério de utilizar uma farmácia como referência, teve como objetivo diminuir as variáveis intervenientes quanto ao controle de qualidade dos medicamentos dispensados. 

 

 

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

4.1 Identificação da População Estudada 

No período de novembro de 1994 a dezembro de 1996, 222 pessoas agendaram consultas no serviço de homeopatia, destas, 165 tiveram pelo menos uma (01) consulta, perfazendo um total de 631 consultas com uma média de 3,8 consultas por cliente. Um dos clientes apresentou um máximo de 16 consultas conforme se vê na Tabela 1.

 

 Tabela 1 Consultas realizadas com os 165 clientes atendidos pelo serviço de homeopatia do CSEGPS entre novembro de 1994 a dezembro de 1996.

 

Nº de consultas

Nº de clientes

Total

1

43

43

2

28

56

3

23

69

4

18

72

5

12

60

6

9

54

7

10

70

8

10

80

9

4

36

10

4

40

11

1

11

12

2

24

16

1

16

Total

165

631

      Fonte: CSEGPS,1999   

Durante os primeiros quatro meses da fase de implantação do serviço, o autor deste trabalho prestava atendimento em um único período da semana, passando posteriormente para três períodos.

Os orgãos oficiais3,10,45 preconizam uma média de 6 a 8 consultas por período de quatro horas trabalhado. Nestes dois anos de atendimento foram trabalhados 208 períodos, perfazendo uma média de 3 consultas por quatro horas.

Este rendimento aparentemente baixo, deve-se provavelmente aos seguintes motivos: em primeiro lugar, devido ao fato das consultas homeopáticas serem novas na unidade e estarem em fase de implantação, o que dificultou um pouco seu planejamento e execução e, portanto, influenciou seu rendimento; em segundo, porque o número de primeiras consultas, que levaram em média 60 minutos cada uma, foi bem maior que o número de consultas de retorno, em terceiro, a taxa de absenteísmo de 12,5%, e em quarto, o tempo usado na supervisão do médico residente em Medicina Social e Comunitária da Faculdade de Medicina de Botucatu, que fez um estágio de dois anos no serviço de homeopatia, com caráter de segundo (R2) e terceiro (R3) anos de residência médica, a partir de fevereiro de 1996.

Este foi um fato histórico para a homeopatia e também para a medicina em geral, pois, pela primeira vez ocorreu em nosso país um estágio oficial de um residente num serviço de homeopatia. A supervisão desse médico foi feita durante e entre as consultas homeopáticas, fazendo com que o tempo das mesmas aumentasse.

Além disso, houve a necessidade de agendar por períodos, um menor número de consultas, para que houvesse tempo suficiente para a realização de discussão de casos e outras atividades didáticas que se fizeram necessários para uma adequada orientação ao residente. Também fez parte da supervisão ao residente, seminários e aulas.

Devido a todos estes fatores e para que a avaliação clínica fosse mais precisa, um estudo mais detalhado foi realizado com 94 clientes da amostra de 165. O critério adotado para a escolha dos 94 clientes foi que tivessem tido um mínimo de 3 consultas. Tabela 2.

 

Tabela 2 Consultas realizadas pelos 94 clientes com pelo menos 3 atendimentos no serviço de homeopatia do CSEGPS entre novembro de 1994 a dezembro de 1996.

Nº de consultas

Nº de pacientes

Total

 

3

23

69

 

4

18

72

 

5

12

60

 

6

9

54

 

7

10

70

 

8

10

80

 

9

4

36

 

10

4

40

 

11

1

11

 

12

2

24

 

16

1

16

 

Total

94

 532

 

Fonte: CSEGPS, 1999

 

 

O critério de corte em três consultas, foi adotado porque se concluiu que esse seria o número mínimo necessário  para se ter uma noção da evolução clínica do cliente. Este critério foi baseado em mais de 10 anos experiência clínica do autor como médico homeopata em clínica particular e na rede pública. A média de consultas obtida nesta amostra foi de 5,7 consultas por cliente no período.

Das 71 pessoas que tiveram uma ou duas consultas, 30 delas ainda continuam no serviço e só não entraram no estudo pelo fato de não terem atingido o número de corte de 3 consultas; 17 se sentiram melhor e não voltaram às consultas, 14 não foram encontradas e 10 desistiram do tratamento.

Em relação à distribuição por sexo, foi observada a predominância do feminino com 66% (62) contra 34% (32) do sexo masculino, conforme Figura 1
Fonte:CSEGPS, 1999

 

A faixa etária predominante foi de 0 a 10 anos, correspondendo a 30,8%, seguida da população de 30 a 39 anos, 17%, totalizando quase a metade da população atendida. Tabela 3

 

Tabela 3 Distribuição da clientela atendida no serviço de homeopatia do CSEGPS, segundo faixa etária. Novembro de 1994 a dezembro de 1996.

 

Faixa etária

N0

%

 0__|09

29

30,8

10|__|19

14

14,9

20|__|29

10

10,6

30|__|39

16

17,0

40|__|49

12

12,8

50|__|59

 5

 5,3

60|__|69

 4

 4,3

70|__|79

 4

 4,3

Total

94

100,0

             Fonte: CSEGPS, 1999

 

O predomínio da clientela ambulatorial de sexo feminino e da faixa etária infantil inferior aos 10 anos de idade também é observado por outros autores que realizaram trabalhos na zona urbana do município de São Paulo51, e corresponde também ao perfil da clientela que demanda o CSEGPS nos seus diversos serviços.

Com relação à indicação para o serviço de homeopatia, o maior número foi feito por funcionários do próprio centro de saúde e da Faculdade de Saúde Pública, o que corresponde 54,2% do total das indicações. Como esta UBS atende não somente seus funcionários e familiares mas também os da Faculdade de Saúde Pública, à qual está vinculado, pode-se supor que esses tenham tido uma impressão favorável à implantação da homeopatia no referido serviço e feito indicações técnicas e pessoais para a homeopatia.

Em segundo lugar, com 21,3% das indicações, vieram aqueles clientes encaminhados por outros serviços de saúde que, por razões metodológicas, não havendo  obtenção desses dados, não se tem como precisar esses serviços.

 Esse fato pode demonstrar que a notícia da implantação da clínica homeopática em um serviço de saúde, mesmo às vezes sem propaganda, interessa profissionais e clientela de outros serviços que sentem a sua falta.

Além dessas indicações, 14,9% da clientela veio a consulta encaminhada por médicos do CSEGPS. Este fato é de suma importância para a implantação do atendimento homeopático em um serviço de saúde, a aceitação e reconhecimento do valor da homeopatia por outros profissionais médicos veio demonstrar que, desde que seja anteriormente discutido e apresentado o que é homeopatia, torna sua implantação mais viável facilitando o trabalho do médico homeopata.

A demanda espontânea correspondeu a 9,6% das consultas. Tabela 4

 

Tabela 4 Indicações de consultas para o serviço de Homeopatia do CSEGPS da clientela atendida entre novembro de 1994 a dezembro de 1996.

 

Indicação

Nº de clientes

%

Funcionários de CS e FSP

51

54,2

Outros serviços

20

21,3

Médicos do CS

14

14,9

Espontânea

 9

 9,6

Total

94

    100,0

Fonte: CSEGPS, 1999

Quanto à queixa principal, foi observada uma maior frequência de problemas respiratórios, seguidos de problemas gerais e inespecíficos, correspondendo a  58,5% dos casos. Assim como na distribuição do sexo e faixa etária estes dados são semelhantes aos encontrados por Tanaka e Rosenburg51.  Tabela 5

Como na queixa principal são utilizadas as próprias palavras do paciente, a frequência dos problemas gerais e inespecíficos é grande, pois os termos empregados são genéricos o que dificulta sua transposição para uma “tabela” referenciada no Código Internacional das Doenças (CID)36

 

Tabela 5 Distribuição da clientela segundo a “Queixa principal” atendida no CSEGPS, no período estudado.

 

Queixa

Principal

Nº de

clientes

 

%

Doenças do ap. respiratório(VIII)

31

33,0

Problemas gerais e inespecíficos(XVI)

24

25,5

Lesões e envenenamentos(VII)

9

 9,6

Doenças do ap. circulatório(VII)

6

 6,4

Transtornos

Mentais(V)

5

 5,3

D. do Sist. Nervoso e orgãos dos sentidos(VI)

5

 5,3

D. do sist. Osteoarticular e Conjuntivo(XIII)

4

 4,3

Doenças da pele e tec. Subcutâneo(XII)

4

4,3

Doenças das gl. Endócrinas(III)

2

2,1

Doenças do ap. digestivo(IX)

2

2,1

Doenças infecciosas e parasitárias(I)

1

1,1

Doenças do ap. genitourinário(X)

1

1,1

Total

94

100,0

Fonte: CSEGPS, 1999


4.2  Do diagnóstico à prescrição: Evolução do tratamento segundo a tecnologia médica utilizada.

 

O diagnóstico clínico principal foi realizado pelo médico homeopata após a consulta. Quando se fez necessário, exames complementares foram solicitados para auxiliar o diagnóstico. Como são adotados critérios metodológicos previamente estabelecidos pela medicina, o resultado fica mais preciso em relação à queixa principal.

Observou-se uma diminuição da frequência dos problemas gerais e inespecíficos e dos transtornos mentais. As doenças do aparelho respiratório aumentam de frequência, e as lesões e envenenamentos deixam de figurar nesta nova ordem.

As doenças do aparelho respiratório e os problemas gerais e inespecíficos continuam sendo maioria, com 58,4% dos casos, semelhante ao verificado na queixa principal, diferindo somente quanto à sua distribuição. Tabela 6 

 

 

Tabela 6 Distribuição da clientela atendida no CSEGPS, segundo o diagnóstico clínico no período estudado.

 

Diagnóstico

Clínico

Nº de

Clientes

%

Doenças do Ap. Respiratório(VIII)

45

47,8

Problemas gerais e inespecíficos(XVI)

10

10,6

Transtornos mentais (V)

10

10,6

Doenças do Ap. circulatório (VII)

5

5,3

Doenças do Sist. Osteoarticular e Tec. Conjuntivo(XIII)

5

5,3

Doenças do Sist. Nervoso e Orgãos dos Sentidos(VI)

5

5,3

Doenças do Ap. Digestivo(IX)

5

5,3

Doenças da Pele e Tec. Subcutâneo(XII)

3

3,2

Doenças do Ap. Genitourinário(X)

3

3.2

Doenças das Glândula Endócrinas(III)

2

2,1

Doenças Infecciosas e Parasitárias(I)

1

1,1

Total

94

100,0

Fonte: CSEGPS,1999

 

A distribuição da clientela segundo faixa etária e diagnóstico clínico, mostrou uma clara predominância dos problemas respiratórios na faixa etária infantil até os nove anos de idade, que corresponde a 75,9% do seu total. Fato este, observado por outros autores51 na cidade de São Paulo. Tabela 7

 

Tabela 7 Distribuição da clientela segundo  diagnóstico clínico e faixa etária. CSEGPS, 11/94 - 12/96.

 

F.ETÁRIA/

DIAGNÓSTIC

 0-9

 10-19

20-29

30-39

40-49

50-59

60-69

70-79

TOTAL PARCIAL

I

0

1

0

0

0

0

0

0

1

III

0

0

0

2

0

0

0

0

2

V

3

0

2

1

4

0

0

0

10

VI

1

0

2

0

1

0

1

0

5

VII

0

0

1

2

2

0

0

0

5

VIII

22

8

1

8

2

2

1

1

45

IX

0

0

0

2

1

2

0

0

5

X

0

0

0

0

1

0

1

1

3

XII

0

1

1

0

0

0

0

1

3

XIII

0

0

1

1

0

1

1

1

5

XVI

3

4

2

0

1

0

0

0

10

XVII

0

0

0

0

0

0

0

0

0

XVIII

0

0

0

0

0

0

0

0

0

 TOTAL

29

14

10

16

12

5

4

4

94

FONTE: CSEGPS 1999

 

Ao ser realizada a distribuição entre diagnóstico clínico e sexo, percebeu-se que a frequência dos problemas respiratórios é maior no sexo feminino com 26 casos, contra 19 do sexo masculino; porém, torna-se proporcionalmente maior no grupo da clientela masculina com 59,4%, contra 41,9% da feminina. Tabela 8

  

TABELA 8 Distribuição da clientela atendida segundo diagnóstico clínico principal e sexo. CSEGPS, 11/94-12/96.

 

SEXO/

D. PRINCIPAL

Feminino

Masculino

Total

I

 0

 1

 1

III

 2

 0

 2

V

 7

 3

10

VI

 4

 1

 5

VII

 4

 1

 5

VIII

26

19

45

IX

 4

 1

 5

X

 2

 1

 3

XII

 2

 1

 3

XIII

 5

 0

 5

XVI

 6

 4

10

Total

62

32

94

FONTE: CSEGPS, 1999

 

Em relação à distribuição do medicamento segundo o diagnóstico clínico principal, observou-se que foram prescritos medicamentos diferentes para um mesmo grupo de problemas; por exemplo: de um total de 45 pacientes com problemas respiratórios, foram prescritos 20 medicamentos homeopáticos diferentes.

Por se tratar de uma tabela extensa, foi transcrita somente a parte que corresponde ao exemplo acima citado. Tabela 9

 

  

Tabela 9 Medicamentos utilizados pelos pacientes com problemas respiratórios diagnosticados.

 

Medicamentos

Nº de clientes

%

Lachesis muta

3

7,0

Silícia terra

3

7,0

Natrum muriaticum

3

7,0

Lycopodium clavatum

3

7,0

Arsenicum album

3

7,0

Carcinosinum

3

7,0

Phosphorus

3

7,0

Pulsatilla nigricans

2

4,6

Kali carbonicum

2

4,6

Atropa belladona

2

4,6

Calcarea ostrearum

2

4,6

Sepia succus

2

4,6

Tarentula hispanica

1

2,3

Nux vomica

1

2,3

Veratum album

1

2,3

Datura stramonium

1

2,3

Kali bichromicum

1

2,3

Sulphur

1

2,3

Psorinum

1

2,3

Chamomila matricaria

1

2,3

Spigelia

1

2,3

Tuberculinum aviarium

1

2,3

Thuya occidentallis

1

2,3

Ipeca

1

2,3

Total

45

 100,0

Fonte: CSEGPS, 1999

O emprego de uma diversidade de medicamentos para um mesmo grupo de diagnóstico clínico é uma das características do tratamento homeopático, pois, ao  individualizar o doente e não a doença, valoriza-se todos os sintomas da pessoa, além dos sintomas físicos que compõem o quadro nosológico da patologia.

O processo de cura na homeopatia ocorre quando o estímulo energético produzido pelo medicamento desencadeia o reequilíbrio da força vital que anima nosso organismo, diminuindo assim a susceptibilidade para novos agravos, mantendo ao mesmo tempo, o corpo em estado de saúde e harmonia.

A evolução clínica da clientela e, por conseguinte, a resolutividade do tratamento foram realizadas pelo médico atendente através do critério de GRAUS, apresentando os seguintes resultados: Na primeira consulta, todos possuíam GRAU ++, significando que foi feito um determinado diagnóstico. Nas consultas subsequentes, começou-se a observar os resultados do tratamento no que se refere à evolução clínica.

Da 3ª consulta até a 9ª  foi observada uma melhora e/ou desaparecimento da sintomatologia em aproximadamente 70% da população atendida, oscilando entre 64.7% até 79.2%. Na 10ª consulta, a melhora e/ou desaparecimento dos sintomas chega à casa dos 90%.

A partir da 5a consulta, não mais foi observado GRAU +++ conforme demonstrado no Quadro 1.

 

 Quadro 1 Evolução clínica da clientela do CSEGPS referente ao GRAU, em relação às consultas realizadas no período de novembro de 1994 a dezembro de 1996.

 

Nº DE

 

CONSULTAS

GRAU +

 

 N  %

GRAU ++

 

N  %

GRAU +++

 

N  %

GRAU 0

 

N  %

Nº TOTAL 

 

 PACIENTES

01 CONS.

0    0

94   100

0    0

0    0

94

 

02 CONS.

41   43.6

48   51.0

1   1.1

4    4.3

94

 

03 CONS.

50   53.2

25    26.6

2   2.1

17   18.1

94

 

04 CONS.

24   40.3

21     31.3

1   1.5

18   26.9

67

 

05 CONS.

27   50.9

11    20.8

0    0

15   28.3

53

 

06 CONS.

23   54.8

14     33.3

0    0

5   11.9

42

 

07 CONS.

15   44.1

10    29.4

0    0 

 

9   26.5

34

 

08 CONS.

11   45.8

7     29.2

0    0

6   25.0

24

 

09 CONS.

7   41.2

6    35.3

0    0

4   23.5

17

 

10 CONS

2   20.0

1    10.0

0    0

7   70.0

10

 

 

 

 

 

 

Fonte:  CSEGPS 1999

 

Como o estudo da evolução clínica foi baseado no número total de consultas realizadas em cada uma das etapas do tratamento, e não com amostras, estes dados mostraram uma resolutividade clínica, no que se refere à melhora e/ou ao desaparecimento dos sintomas, observados pelo médico atendente. nas patologias de maior demanda desta UBS.

Outro dado a ser destacado, reside no fato de que a melhora clínica foi em relação ao quadro patológico em si, e não para um estado de crise, como por exemplo: um quadro agudo de amigdalite, uma crise de broncoespasmo etc. e sim à amigadalites recorrentes, bronquites asmáticas de repetição etc.

Este achado pode sugerir uma eficácia da medicina homeopática para as patologias de maior demanda em uma UBS. Para uma melhor avaliação da eficácia da homeopatia, seria necessário realizar estudos com protocolos específicos e apropriados para este fim.

Espera-se que este trabalho possa servir de referência para tais estudos.

Em relação aos medicamentos, foram utilizados 35 diferentes medicamentos na primeira consulta para os 94 clientes. Foi adotado o critério de se utilizar um único medicamento por vez, e, este se manteve ao longo do tratamento dos clientes na maioria dos casos.

Em momento algum foi utilizado mais que um medicamento de forma concomitante.

Os dez medicamentos mais utilizados ao longo das 532 consultas estão apresentados na tabela 10, onde se observa uma tendência ao uso de medicamentos chamados de “policrestos”, que são aqueles mais conhecidos, estudados e utilizados pelos médicos homeopatas.  

 

Tabela 10 Os dez medicamentos mais utilizados no serviço de Homeopatia do CSEGPS no período de novembro de 1994 a dezembro de 1996.

Medicamentos

Nºde consultas

%

Lycopodium clavatum

42

7,9

Phosphorus

37

7,0

Lachesis muta

36

6,7

Nux vomica

35

6,6

Arsenicum album

27

5,0

Calcarea carbonica

27

5,0

Sulphur

25

4,7

Silicia terra

23

4,3

Carcinosinum

23

4,3

Natrum muriaticum

18

3,4

Fonte: CSEGPS; 1999 

 

As potências mais utilizadas foram as CH6 com 24,4%, seguida da CH30 com 18,04% e pela CH12 com 13,3% como observado na Tabela 11.

 

 

Tabela 11 Relação das potências medicamentosas mais utilizadas no serviço de Homeopatia do CSEGPS no período de novembro de 1994 a dezembro de 1996.

 

Potência

Nº de consultas

%

CH 6

130

24,4

CH 30

96

18,0

CH 12

71

13,3

CH 18

56

10,5

CH 9

31

 5,8

CH 24

21

 4,0

CH 21

14

 2,7

CH 15

 8

 1,5

CH 200

 8

 1,5

CH 60

 7

 1,4

CH 120

 2

 0,4

ESCALA LM

23

 4,3

OUTRAS POTÊNCIAS

65

12,2

TOTAL

532

100,0

Fonte: CSEGPS, 1999

 

Em 80,2% das consultas, utilizou-se potências menores ou iguais a CH30. Este dado é de grande importância no que se refere ao custo, pois quanto maior a potência mais caro custa o medicamento. Também fica demonstrado que não é necessário utilizar potências elevadas para que não só a evolução clínica se realize, como também a dinâmica geral e mental dos clientes. Este dado será melhor observado na apresentação do capítulo referente ao olhar da clientela sobre a homeopatia, através da análise do discurso dos depoimentos obtidos quando relatos indicam não só uma melhora clínica, mas também uma mudança de comportamento frente à vida.

O custo total de medicamentos em dois anos de trabalho foi de             R$ 1.537,08 (Hum mil, quinhentos e trinta e sete reais e oito centavos) segundo a tabela praticada pela farmácia de referência do serviço. Este custo refere-se às 532 consultas realizadas, perfazendo uma média de R$ 2,89 (Dois reais e oitenta e nove centavos) para cada uma das consultas realizadas.

De um total de 532 consultas  foram solicitados exames complementares em 17 delas, que corresponde a 3,2% do total. Uma solicitação de exames para cada 31,3 consultas realizadas.

Os exames complementares mais solicitados foram: Hemograma com 14,9%, Parasitológico de fezes e Urina I com 13,4% cada. Tabela 12 

 

 

Tabela 12 Relação dos exames complementeres solicitados pelo médico homeopata do CSEGPS, no período estudado.

 

Exames complementares

Nºde exames solicitados

%

HEMOGRAMA COMPLETO

10

14,9

PARASITOLÓGICO DE FEZES

9

13,4

URINA TIPO I

9

13,4

RX DE TÓRAX

7

10,4

URINOCULTURA

5

 7,4

GLICEMIA

4

 6,0

MUCUPROTEÍNAS

4

 6,0

AC. ÚRICO

4

 6,0

VHS

3

 4,4

LÁTEX

2

 3,0

URÉIA

2

 3,0

TGO,TGP

1

 1,5

ASLO

1

 1,5

ELETROFORESE DE PROTEÍNAS

1

 1,5

ANTIBIOGRAMA

1

 1,5

TESTE MANTOUX

1

 1,5

CURVA GLICÊMICA

1

 1,5

COLESTEROL

1

 1,5

ECG

1

 1,5

TOTAL

67

 100,0

Fonte: CSEGPS,1999

 

Os exames complementares solicitados são considerados os mais comuns e requerem aparelhos de desenvolvimento tecnológico não sofisticado. A mão de obra para a execução dos mesmos não necessita de um grau elevado de especialização, podendo ser feitos em laboratórios de pequeno porte, o que faz com que a homeopatia seja uma medicina adequada ao sistema de saúde em nosso país, parco de recursos para a área da saúde.

Segundo a tabela de honorários do SUS de 1995/96, o custo total com exames complementares no período foi de R$ 256,64 (duzentos e cinqüenta e seis reais e sessenta e quatro centavos), com uma média de R$0,50 (cinqüenta centavos) para cada consulta realizada.

De acordo com o quadro 1, resolutividade clínica, mais os dados acima descritos, indicam que  patologias de maior demanda em uma UBS, podem ser resolvidas utilizando-se poucos recursos laboratoriais a um custo operacional condizente com nossa realidade econômica e social.

Isto se deve, entre outros fatores, à valorização dada pela medicina homeopática à prática clínica, a qual  resgata uma melhor relação entre o médico e o paciente através de uma anamnese detalhada, permitindo  ao paciente expor com calma todos os seus sintomas e não somente aqueles relacionados ao quadro nosológico.

De um total de 532 consultas, foram feitos 13 encaminhamentos para outros profissionais e/ou serviços, perfazendo uma média de 01 encaminhamento para cada 41 consultas realizadas (Tabela 13).

 

Tabela 13 Relação dos encaminhamentos realizados pelo médico homeopata do CSEGPS, no período estudado.

 Serviços encaminhados

Nº de encaminhamentos

%

ORTOPEDIA

4

30,8

DERMATOLOGIA

3

23,0

NATAÇÃO

2

15,4

ENDOCRINOLOGIA

1

 7,7

FONOAUDIOLOGIA

1

 7,7

ALERGOLOGIA

1

 7,7

CIRURGIA

1

 7,7

TOTAL

13

  100,0

Fonte: CSEGPS, 1999

 

Essa é uma grande discussão que se faz presente na atualidade, tanto em nível nacional quanto mundial, em relação aos custos da saúde.

Constantemente tecnologias médicas que apresentem uma maior eficiência são pesquisadas buscando sua efetivação nos serviços de saúde. Os dados obtidos neste trabalho: resolutividade clínica com poucos exames laboratoriais solicitados, índice de encaminhamentos e custo medicamentoso baixos, podem ser indícios para que as autoridades médicas do país demandem uma maior atenção ao estudo da Homeopatia, como uma complementação médica aos serviços de saúde. 

 

  

“Existe uma só linguagem,

a linguagem do coração”

 

sathya sai baba

 


4.3 Olhar da clientela sobre a Homeopatia: ANÁLISE DO DISCURSO
 

Após a elaboração das Expressões chaves e Idéias centrais(Anexo 3), retiradas literalmente dos depoimentos, o Discurso do Sujeito Coletivo ganha corpo, sendo a análise do discurso feita a partir do conteúdo do DSC, que é a síntese dos vários depoimentos obtidos, como apresentado à seguir.

 

Discurso do Sujeito Coletivo 

            1- Quando você ouve a palavra Homeopatia, qual a primeira coisa que vem na sua cabeça? Que mais?

É um tratamento diferente, com médicos e remédios diferentes. Algo mais natural relacionado à flores e ervas. Antigamente tinha um sentimento de descrença, hoje, acho que é uma coisa boa.

Possui uma visão completa do homem procurando tratá-lo como um todo e parece que vai sarar porque é mais adequado e conhece você mais profundamente

 

2- Antes deste tratamento homeopático, qual tipo de tratamento realizava? Onde, para quê e como era este tratamento?

Eu nunca fiz um tratamento contínuo como estou fazendo com homeopatia; quando tinha um problema de saúde, eu mesmo me medicava ou então ia na emergência dos hospitais, passava em consulta e tomava o que eles mandavam. Esse atendimento de emergência é muito na hora e, na maioria das vezes o depois fica para bem depois porque se a gente quisesse passar com algum especialista é dois, três meses que teria que esperar depois daquela consulta.

Usava medicamento comum de alopatia, ia para o hospital tomar soro, injeção e inalação, voltava para casa, fazia inalação novamente e estava pior ainda. Olha, em geral usava cortisona, dose cavalar mesmo; depois do tratamento homeopático parei com tudo, nunca mais usei cortisona.

Homeopatia também, faz nove anos que me trato com homeopatia. Só tomei alopatia quando estava no hospital para ter meus filhos e só tomei o necessário.

Lá em casa, todo mundo há muito tempo não toma remédio de alopatia. Me tratava com médico particular.

 

3- Você já havia experimentado algum tipo de tratamento homeopático? Sim? Onde, para quê e como era este tratamento?

Não, com médico não; uma vez fui na Almeida Prado e tomei um remédio, não era médico que receitava.

Já, em duas ocasiões, com médico particular.

 

4- Que motivos levaram você a se tratar pela homeopatia?

Eu tava afim de estar mudando muita coisa, a começar pelo tratamento médico. Sempre ouvi dizer que a homeopatia era muito bom, que trata de dentro para fora e é uma forma menos agressiva ao organismo.

Estava também com receio de tomar alopatia por causa da reação, ela melhora um coisa porém ataca outra.

5- Por quê você escolheu este centro de saúde para realizar seu tratamento homeopático?

Em primeiro lugar é que em outro eu não ia conseguir; é próximo da minha casa, moro no bairro, faz parte da região e, um amigo me indicou e disse que essa homeopatia é diferente.

Na verdade, as pessoas que vem aqui neste centro de saúde, falam que são bem atendidas. Inclusive já tinha tido boas referências do Dr. Gil, as pessoas que são atendidas por ele falam muito bem dele, e isso me deu confiança para procurar este centro de saúde e também não tinha condições financeira de tá procurando um médico particular.

 

6- Durante o tratamento homeopático você fez algum tratamento regular de alopatia? Sim? Qual, onde e para quê?

Primeiro eu tentei tudo lá fora para depois tentar aqui; depois de iniciar este tratamento usei somente os remédios que foram passados pelos médicos daqui, sempre me dei bem com eles nem os exercícios respiratórios que fazia, precisei fazer.

Tratamento regular com alopatia não, teve umas emergências que precisei usar. Apareceram alguns furúnculos que um médico me passou antibiótico, tomei, mas eles voltaram. Então eu resolvi aceitar todos os furúnculos da minha vida; aceitei e eles não voltaram mais.

 

7- Quais as diferenças mais importante você achou entre as consultas homeopáticas e alopáticas?

Nossa, não dá nem prá comparar! Na consulta de alopatia quando você chega no médico, ele olha prá você, isso quando ele olha, quando tira a cabeça do papel, já passa uma receita, pede uns exames e pronto. Muitas vezes, é "bom dia, boa tarde" e já te passa uma receita. Até parece que já tem uma receita pronta, não tem diálogo.

Uma vez tentei conversar com o médico; "doutor, estou com muita dor no estômago, uma queimadeira, será que não é gastrite? perguntei. Sabe o que ele me respondeu? "Quem é o médico aqui, é eu ou você?" Depois disso eu só falo o que eles perguntam, nada.

Fico até impressionada com a quantidade de exames que são pedidos hoje em dia, qualquer coisa é exame. Eles só querem saber do que você está sentindo naquele momento, é como se fosse um caquinho de vidro, quebrou, vai lá e conserta. Desse jeito eles não me convencem quando falam comigo.

 Na homeopatia é diferente, o tempo de duração da consulta é maior, a forma de abordagem é diferente e existe um maior diálogo entre o médico e o paciente, a relação é mais próxima, pergunta tudo, não só como estou como doente, mas também como pessoa, como um ser humano.

A homeopatia busca mais, não vai só atrás da queixa, ela vai atrás do que está cercando, de como é tua vida, como é que está vivendo, como é que está dormindo, como foi que aconteceu, como é seu ambiente familiar, no trabalho, com as pessoas, etc. existe uma maior preocupação com tudo que possa estar envolvido com a queixa.

Eu acho que existe uma maior cumplicidade entre o paciente e o médico de homeopatia, ele tem aquela coisa antiga de médico de família, acaba vendo você como parte de um todo, ela é mais profunda, está interessado em você como um todo, um atendimento global.

 

8- Você notou alguma mudança na sua saúde após o tratamento homeopático? Sim? Quais?

Muita! Muita! Muita! Eu tava entregue, cheguei a falar para as minhas amigas que ia procurar uma árvore, sentar embaixo e esperar a morte passar, já não confiava em mais nada, não tinha nenhuma esperança, não tinha mesmo esperança de viver.

Minha saúde mudou totalmente, agora consigo trabalhar, fazer serviço, pois a melhor coisa do mundo é trabalhar, a gente se sente alguém na vida.

Consigo perceber claramente qual o remédio que fico mais tranqüila; através dos remédios que ia tomando eu ia percebendo as reações que ia tendo e as mudanças que tava tendo dentro de mim, sabe, eu adquiri não sei se é mais coragem; entendeu? Não sei se é uma coisa que eu tinha que está saindo para fora, eu fiquei mais decidida. Quando você começa a tomar uma medicação parece que os sintomas se acentuam e depois vai entrando em um equilíbrio e vai sentindo uma melhora.

A dor é um bom motivo para chorar, prá falar, então eu acho que na homeopatia você consegue ter um maior espaço para isso.

A mudança mais importante foi de como me via como pessoa; foi uma mudança interna, muito mais interna, eu acho que essa mudança foi fazendo com que a saúde fosse melhorando. Essa consciência, não sei se corporal, se você como um todo... e sempre buscando uma mudança, um equilíbrio, porque se você tem alguma coisa é porque você está desequilibrada, então à partir do momento em que você começa a tomar contato com você mesma, com os seus processos, no que está se passando começa a ter essa consciência e o resultado passa a ser uma melhora na saúde. O que estou aprendendo aqui, tento levar na prática.

Antes de passar com o Dr. Gil, me sentia cansado, parecia meio estressada e tal; à partir do momento que ele passou o remédio, não sei; parece que deu uma mudança, parece que arranjou uma fórmula de acabar com aquilo que tinha; melhorei muito. Quando vim aqui estava estafada, me sentindo magra, cansada, com uma alergia terrível; depois do tratamento fui sentindo a diferença, mudei, minha disposição mudou, foi visível.

Toda vez que ficava nervoso, a bronquite me atacava, agora isso não acontece mais; a mudança na minha saúde está associada ao meu equilíbrio emocional, depois do tratamento homeopático, raramente usei a bombinha, muito raramente mesmo. Antigamente com a mudança de tempo ficava ruim, agora não.

Não foi uma mudança, foi uma transformação!!! Nasci de novo.

 

9- Você percebeu alguma mudança em sua vida ( família, trabalho, amigos etc.) após ter iniciado o tratamento homeopático? Sim? Qual a mais importante?

Este ano, foi um ano de revolução, tudo explodiu na minha vida. Na minha casa causou um atrito muito grande porque eu mudei, eu mudei muito, as pessoas passaram a comentar que passei a fazer coisas que não fazia antes, fiquei mais decidida, com coragem, comecei a exigir coisas que eram importantes para mim; antes deixava passar muita coisa. Assumi coisas que tinha vontade de fazer, e antes não fazia. Tomei essas decisões após o uso dos medicamentos.

É a postura, sua postura de vida muda, acho que mexe com tudo, com todo o organismo, não só com aquela determinada coisa que está se tratando, você nem espera, mas a coisa se manifesta.

Percebi também que o que acontecia em volta de mim foi reflexo de tudo aquilo que aconteceu comigo.

Estou mais tranqüila também, bem legal, bem mesmo, tenho uma maior tranqüilidade, estou me relacionando melhor com as situações, com as pessoas, eu me centro mais, com menos ansiedade, menos culpa, menos preocupação, me envolvia com os problemas das pessoas e acabava misturando os sentimentos. Melhorei muito após concentrar a energia em minha pessoa.

Graças à Deus foi uma mudança total, eu não sou aquela que começou aqui, não sou, nasci de novo, nasci para melhor. Qualquer pessoa que precisa de um tratamento tenho indicado aqui, porque foi onde consegui vida nova; essa benção que Deus mandou do céu para mim.

Tenho percebido que estou conversando mais com as pessoas, antes era mais fechada, não sei se tenho condições de aceitar que a homeopatia possa fazer isso comigo.

 

10- O que você está achando do tratamento homeopático neste centro de saúde?

Ótimo! Excelente! Eu tô satisfeita! Acho que os médicos daqui são responsáveis, eles explicam direitinho e mesmo quando a gente não pergunta para o médico, as meninas dão orientação. O pessoal daqui está mais inteirado de tudo que está acontecendo.

Quando tenho que vir aqui me sinto mais à vontade porque as informações são mais precisas, e isso é muito bom porque gosto de me sentir segura e aqui eu me sinto segura em relação à minha saúde. Já escutei de médico que eu não tinha que saber porque não me cabia saber.

Sou uma pessoa muito perguntadeira, curiosa, quero saber o que vou ingerir, que vou colocar dentro do meu corpo, acho que nesse sentido as consultas aqui são esclarecedoras.

Sabe, estou achando o melhor porque estou conhecendo o que é bom, e foi aqui que encontrei minha saúde, minha paz e tudo de bom que tenho agora, até mesmo o meu emprego eu agradeço ao tratamento daqui.

 

11- Gostaria de fazer alguma sugestão para melhorar o atendimento homeopático neste centro de saúde?

Olha, quanto mais conforto tiver os meus médicos vai ser melhor para as pessoas que precisam. Seria bom que eles tivessem um lugar fixo para atender, que houvesse um horário diferenciado para os funcionários daqui, que o serviço fosse informatizado e que fizessem palestras sobre homeopatia, uma maior divulgação sobre esse atendimento.

  

12- Agora, com a sua experiência e os resultados obtidos com o seu tratamento, diria que este tipo de tratamento deveria ou poderia estar disponível em outros serviços de saúde do governo? (ambulatórios, hospitais, prontos socorros etc.) Sim? Por quê?

Com certeza! com certeza! acho muito pequeno o acesso do público para a homeopatia. Acho que a homeopatia tinha que estar muito mais aberta para todo mundo estar podendo conhecer.

É uma oportunidade que o Brasil teria em outra área de trabalho, de investigação.

Esse tratamento traz muito mais benefícios que o alopático, se tivesse em outros hospitais, postos de saúde, pronto socorros, ia salvar muito mais gente como me salvou.

Se foi bom para mim, pode ser bom para as outras pessoas né?....

 

13- Tem algum ponto que não foi perguntado que gostaria de falar?

 Após o tratamento homeopático tive que estar buscando coisa dentro de mim; a homeopatia dá isso para você, você fica mais consciente do que está acontecendo, percebendo mais você; então é importante que os médicos recebam uma atenção para aquilo que eles precisam para o negócio ser real e importante também.

Já que estão pondo a homeopatia aqui, então tem que ter essa atenção, ter uma maior valorização.

Vejo que é uma coisa importante para o Brasil, e que esta pesquisa que está sendo feita é importante para dar maior credibilidade para a homeopatia e, esse tratamento é um estímulo para os outros melhorarem a qualidade de assistência que precisamos.

Que Deus abençoa esse tratamento e que ele se estenda para outras pessoas, é mais o que eu quero. 

 

 

4.3.1 ANÁLISE DO DISCURSO 

Em relação aos motivos que levaram a clientela a escolher esta UBS, observa-se no discurso temas como: localização, economia e confiança. Todos possuem um grau de importância, porém a confiança no serviço e no médico se destaca ao ser expressada pelos depoentes: “... as pessoas que vem aqui neste C.S. falam que são bem atendidas. Inclusive tive boas referências do Dr. Gil...isso me deu confiança...um amigo me indicou e falou que essa Homeopatia era diferente...”

Mesmo havendo uma demanda reprimida para serviços de homeopatia na rede pública, os usuários fazem questão de uma referência que lhes dê confiança para iniciar seu tratamento.

Apesar da a homeopatia ser reconhecida como especialidade médica pelas entidades oficiais, ocorrem confusões quando o assunto é medicinas ou práticas terapêuticas não convencionais. Depoimentos como este confirmam essa observação: “...parece algo mais natural, relacionado à flores e ervas...”. A homeopatia é confundida com fitoterapia (tratamento à base de ervas que usa os mesmos princípios da alopatia), com florais, antroposofia, entre outras32; pode-se dizer que referências de ordem pessoal ou técnica ganham importância na hora da escolha do serviço de homeopatia.

Pode-se também dizer que a inexistência de uma “cultura” homeopática na população, apesar das recomendações de sua difusão pela Organização Mundial da Saúde(OMS) e da Conferência Nacional de Saúde11, contribuem para que o tema  confiança  ganhe importância.

Quanto ao tema localização, ...”é próximo da minha casa, moro no bairro e faz parte da região”... está relacionada ao fato desta UBS atender moradores e trabalhadores de sua área de abrangência, facilitando a esses moradores o acesso.

A partir da metade dos anos oitenta, a implantação da homeopatia passou a ter um maior incremento nos serviços públicos de saúde;  era e continua sendo mais difundida em consultórios particulares. Isto se deve, basicamente a dois fatores: em primeiro, uma maior resistência por parte dos administradores dos serviços de saúde em aceitá-la, havendo portanto poucos locais para o atendimento homeopático: ...”é que em outro não ia conseguir”... em segundo, o pouco espaço dedicado pelas entidades formadoras para a prática homeopática na saúde páublica, priorizando a prática liberal da medicina excercida em consultórios particulares, prática essa, financeiramente inacessível para uma grande parcela da população brasileira:...”não tinha condições financeiras de tá procurando um médico particular.” A questão econômica/financeira ganha importância cada vez maior no processo das decisões tomadas pelas pessoas em várias áreas e, neste caso, na escolha do médico homeopata, também foi determinante.

Quanto à opinião sobre o tratamento homeopático recebido, expressões como “Ótimo! Excelente! Tô satisfeita!” são relatadas pela clientela. Uma vez mais o tema confiança surge no discurso e está associado à satisfação demonstrada nos seguintes relatos: “... Acho que os médicos daqui são responsáveis... O pessoal daqui está mais inteirado de tudo que está acontecendo...Quando tenho que vir aqui me sinto mais à vontade porque as informações são mais precisas...aqui eu me sinto segura em relação à minha saúde”

Esta confiança está novamente depositada tanto no médico como no serviço. Este dado é de grande importância na adesão dos usuários ao tratamento e também no resgate da confiança na classe médica em geral, cada vez mais abalada, entre outras razões, por um sistema de saúde que prioriza a produtividade em detrimento da qualidade e no qual exames laboratoriais tornam-se mais importantes do que a pessoa que está na frente do médico.

O resgate dessa confiança é uma bandeira de luta de vários conselhos regionais de medicina, em particular o de São Paulo, e também aparece neste depoimento “...esse tratamento é um estímulo para os outros  (alopatas)sic. melhorarem a qualidade de assistência que precisamos... Eu acho que existe uma maior cumplicidade entre o paciente e o médico homeopata, ele tem aquela coisa de médico antigo, de médico de família...”

O mínimo que se pode dizer da homeopatia é que ela consegue resgatar esta confiança para a medicina e é preciso que diferenças sejam deixadas de lado por todos, em prol de um melhor atendimento para nossos clientes.

“Diferente”, “...É um tratamento diferente, com médicos e remédios diferentes..” Este foi o primeiro tema levantado pela clientela ao ser questionada sobre o que ficou na sua compreensão da homeopatia e sua relação com a alopatia. Diferente porque “...a forma de abordagem é diferente, existe um maior diálogo entre o médico e o paciente, a relação é mais próxima, pergunta tudo, não só como estou como doente, mas também como pessoa, como ser humano...existe uma maior preocupação com tudo que possa estar envolvido com a queixa... está interessado em você como um todo, uma atendimento global... possui uma visão completa do homem... parece que vai sarar pois conhece você mais profundamente...” Para a homeopatia, a doença com os seus sintomas manifestos nada mais é do que um reflexo de uma alteração interior, de uma mudança do estado de equilíbrio da força vital, e, portanto, para apreender esta dinâmica, é necessário perceber a pessoa como um sistema complexo com suas partes interligadas entre si formando um ser único em suas experiências, sentimentos, em sua vida. Esta visão global, que hoje chamamos de holística50,53, começa também a ser empregada em vários setores sociais e econômicos, como o processo de globalização que o mundo vem vivendo.

Diferente porque na visão homeopática do processo saúde-doença, o aspecto energético, através do conceito da força ou energia vital (teoria vitalista), possui uma importância central na compreensão do surgimento das doenças.

Talvez a maior diferença esteja no que hoje chamamos de paradigma infinitesimal5,38,39, pois os medicamentos homeopáticos, processados em sucessivas diluições(diluição sobre diluição), ao chegar na 12ª,  atingem o número de avogados (10-24), onde não mais se detectam as moléculas da substância que originou o medicamento, e, mesmo assim, obtém-se resultados semelhantes às drogas químicas ponderais da medicina alopática5.

Este parece ser um verdadeiro paradoxo para a alopatia, originando críticas de que a homeopatia na realidade funciona como um placebo. Isso se dá porque a visão é radicalmente diferente, de difícil digestão para a ciência oficial hegemônica pois mexe com conceitos estabelecidos como sendo a única verdade.

O que se pretende mostrar neste trabalho, é que não existe uma única forma de ver, de trabalhar, de analisar um fato. Este pode ser visto de diferentes níveis. Essas visões não aniquilam necessariamente a anterior, em muitos momentos podem e devem conviver juntas.

Trabalhos que atestam a eficácia de medicamentos homeopáticos altamente diluídos tornam-se cada vez freqüentes5,30,38,39.

É importante ressaltar que estas diferenças existem, porém se existe um objetivo de trabalhar em conjunto para melhorar a qualidade de saúde da nossa sociedade, deve-se então buscar a interface destas duas visões médicas somando os esforços ao invés de subtrair através de críticas sem um fundamento científico.

Mudar o padrão estabelecido pelos nossos antecessores, em que o aspecto pessoal e egoico prevaleciam nas discussões entre homeopatas e alopatas, e buscar uma posição em que o bom senso prevaleça na escolha da medicina mais adequada para cada situação, deve ser um dos objetivos da geração atual dos médicos.

Por que não somar esforços e conhecimentos para melhorar a qualidade de saúde e de vida de nossos clientes?

Esta questão deveria estar sempre presente na consciência dos profissionais da saúde no limiar do terceiro milênio.

Cura para a homeopatia não significa somente a remissão dos sintomas físicos, envolve também questões  relacionadas ao bem estar físico, mental e espiritual de cada um (vide par. 9 do Organon). Bem estar consigo mesmo e com seu meio.

DONABEDIAN15,16, estudioso e pesquisador nas questões relativas à qualidade na saúde, ao avaliar tecnologias, considera que uma tecnologia médica deve propiciar não somente mudanças na saúde, mas também no comportamento e atitudes das pessoas. As mudanças alcançadas deverão influenciar positivamente o comportamento no grupo social em que se convive, tendo como resultado uma melhor qualidade de saúde e vida.

Uma pessoa que passa por um tratamento médico, idealmente deve, além de obter uma melhora na saúde, uma alteração interna e pessoal, mudando seu comportamento e da família bem como influenciando a saúde de ambos no futuro.

Neste sentido, conhecer a experiência pessoal e as mudanças ocorridas na saúde e na vida da clientela do serviço de homeopatia, foram necessárias e importantes para uma melhor compreensão da sua abrangência clínica.

O tema consciência se destaca, quando os clientes começam a perceber sua responsabilidade e participação no processo de cura. Percebi também que o que acontecia em volta de mim foi reflexo de tudo aquilo que aconteceu comigo”

Na medicina alopática, a cura muitas vezes vem de fora, tornando a pessoa um espectador passivo do seu processo, aguardando pacientemente a ação dos médicos, dos medicamentos “milagrosos” de última geração, que, por sinal, nunca tem fim, pois sempre haverá uma última geração, das vacinas mais recentes, dos aparelhos cibernéticos que irão mostrar tudo que acontece dentro dela, porém, continua como espectador. “... na consulta de alopatia quando você chega no médico, já passa uma receita, pede uns exames e pronto...não tem diálogo...”

Estes grandes avanços tecnológicos não mostram o estado da alma. Seus males, só serão percebidos e entendidos por aqueles que, além de possuírem uma alma, fazem seu uso na prática médica.

A homeopatia, ao valorizar a clínica, torna a relação médico-paciente mais próxima, criando um espaço maior de escuta e troca. O médico fica mais próximo do cliente, este, ao adquirir confiança no profissional, passa a informar com detalhes, os males físicos e os da alma ”...na homeopatia, a relação é mais próxima, pergunta tudo, não só como estou como doente mas também como pessoa, como um ser humano...”

Desta forma, o melhor avanço tecnológico ainda consiste em criar condições para melhorar e “afinar” a escuta do ser humano que se encontra à nossa frente.

Continuando com o tema da conscientização dos clientes no seu processo de cura, observa-se os seguintes relatos: ”...sua postura de vida muda...mexe com tudo, não só com aquela determinada coisa que está tratando...os processos internos afloram...a mudança mais importante foi de como me via como pessoa, foi uma mudança interna...” As questões relativas a experiência pessoal, da saúde e da vida se fundem formando uma unidade, impedindo sua separação na análise do discurso.

“Minha saúde mudou totalmente, agora consigo trabalhar, fazer serviço, a melhor coisa do mundo é trabalhar, a gente se sente alguém na vida...eu não sou aquela que começou aqui, não sou, nasci de novo, nasci para melhor. Qualquer pessoa que precisa de um tratamento tenho indicado aqui, porque foi onde consegui vida nova...”  Fica claro, neste depoimento, que a mudança alcançada na saúde reflete diretamente na vida pessoal de cada um que passa pelo tratamento homeopático.

Não foi uma mudança, foi uma transformação!!!”

Acredito que esta expressão possa sintetizar a experiência vivida pelas pessoas que passam por um tratamento homeopático, em particular aquelas que experimentaram o tratamento no Centro de Saúde Escola “Geraldo Paula Souza”.

 

 

5. CONCLUSÕES 

O objetivo do presente trabalho foi estudar a viabilidade da implantação da homeopatia nas UBS. No período estudado, novembro de 1994 a dezembro de 1996, 222 pessoas agendaram consulta no CSEGPS, 57 não compareceram à consulta e 165 tiveram pelo menos 1 consulta, perfazendo um total de 631 consultas e uma média de 3.8 cons./cliente.

Para uma melhor avaliação da evolução clínica, foi  estudado um grupo de pessoas que tiveram um mínimo de 3 consultas, passando a ter 94 pessoas nesta amostra, e um total de 532 consultas, com uma média de 5,7 cons./cliente.

O sexo predominante foi o feminino com 66%, a faixa etária com maior concentração foi a infantil, até 9 anos, com 30,8% do total.

A indicação para o serviço de maior frequência foi feita por funcionários do próprio CS e da FSP com 54,2%. A queixa que mais motivou consultas foi a de problemas respiratórios com 33,0%, seguida dos problemas gerais e inespecíficos com 25,5%, perfazendo um total de 58,5%.

Quanto ao diagnóstico clínico principal, as doenças do aparelho respiratório responderam com 47,8%. Os problemas gerais e inespecíficos com 10,6, e os transtornos mentais, também com 10,6.

O cruzamento entre as variáveis diagnóstico clínico versus faixa etária mostrou que as doenças do aparelho respiratório respondem com 75,9% dos diagnósticos realizados na faixa etária até os 9 anos, enquanto que, na faixa etária entre 10 a 19 anos, esta proporção cai para 57,1%.

O cruzamento entre diagnóstico clínico e sexo mostrou que 57,8% dos problemas respiratórios ocorreram no sexo feminino, contra 42,2 no masculino.

Foi confirmada uma das característica do tratamento homeopático, de administrar medicamentos diferentes para um mesmo grupo de patologias, ao serem prescritos 20 medicamentos para um grupo de 45 pessoas com problemas respiratórios. Os medicamentos mais empregados foram os policrestos, em 80,2% dos casos. Em 80,2% dos casos, utilizou-se potências até a CH30.

Esta maneira de trabalhar, utilizando-se de um único medicamento por vez, unicista, com  medicamentos de baixa e média potência, mostrou resolutividade clínica a um custo medicamentoso baixo, com uma média de R$ 2,89 cada consulta.

Para as 532 consultas realizadas, foram solicitados exames complementares em 17 delas, que corresponde a 3,2% das consultas. O total de exames solicitados, foi 67 perfazendo uma solicitação de exame à cada 31,3 consultas.

Os exames mais solicitados foram: hemograma, com 14,9%, parasitológico de fezes e urina I com 13,4% respectivamente. O custo laboratorial, segundo tabela SUS, foi de R$ 0,50 por consulta.

Foram feitos 13 encaminhamentos para outros serviços. Um encaminhamento em cada 41 consultas. O mais frequente foi para o serviço de Ortopedia com 30,8%, seguido do serviço de Dermatologia com 23,0%.

Os motivos de escolha desta UBS para o tratamento foram associados a temas como: confiança no serviço e no médico através de referências pessoais, na localização próxima da casa, área de abrangência do CS e, no aspecto econômico, dificuldades financeiras em pagar honorários do médico de clínica particular.

A opinião no tratamento recebido foi “ótima, excelente, tô satisfeita” também relacionada à confiança no médico, pois é “responsável”, e a relação médico-paciente mais próxima. Confiança também no serviço, “...o pessoal está mais inteirado de tudo”. Isto permitiu que as pessoas se sentissem mais seguras em relação ao cuidado de sua saúde.

Diferente, foi a expressão mais utilizada para destacar a homeopatia da alopatia. Diferente porque, para a realização dos diagnósticos clínico e medicamentoso, o homeopata leva em consideração todos os aspectos que possam estar envolvidos no aparecimento das doenças, “...quer saber não só como estou como doente, mas também como pessoa, como ser humano...”, A homeopatia considera o homem um ser indivisível, possui uma visão holística e integradora, em contrapartida, a alopatia, ao valorizar cada vez mais as especializações, divide o corpo físico em partes e esquece que, por trás de cada corpo, existe um “coração”, uma alma.

Outro aspecto a ser destacado é a relação mais próxima entre o médico e o paciente, permitindo que se estabeleça um maior diálogo entre eles, resgatando novamente a confiança para a medicina.

O que chama atenção para as mudanças na saúde e na vida das pessoas que passaram pelo tratamento homeopático, foi relativo a uma tomada de consciência nos seus processos internos, “ a mudança mais importante foi como me via como pessoa, foi uma mudança interna... a mudança foi fazendo com que a saúde fosse melhorando... essa consciência, não sei se corporal, se você como um todo... percebi que o que acontecia em volta de mim, foi reflexo de tudo aquilo que aconteceu comigo...”

A definição de cura da homeopatia passa também por uma visão integral e holística do ser humano, ao valorizar não somente as melhoras alcançadas na saúde, mas também ao bem estar geral e mental de cada um, sua relação consigo mesmo e com as pessoas que o rodeiam.

Esta cura foi alcançada, e deixa claro que o tratamento homeopático interfere positivamente na qualidade de vida das pessoas através das melhorias alcançadas na saúde.

Mesmo não sendo a avaliação de serviços objeto de estudo deste trabalho, foram abordadas questões relativas à estrutura, utilização de uma sala de consultas padrão e de pessoal próprio do serviço, ao processo do tratamento, descrição do referencial teórico da homeopatia e também os resultados do emprego da tecnologia médica utilizada.

 

5.1 Considerações finais e sugestões: 

Este trabalho mostrou que o atendimento homeopático nas UBS é viável, portanto, um espaço possível para a implantação da homeopatia no SUS.

A utilização da própria estrutura física e pessoal do CS para o atendimento homeopático, mais a resolutividade clínica apresentada pela homeopatia nas patologias de maior demanda da UBS, mais o custo medicamentoso e laboratorial adequado à nossa realidade econômica e social, mais a satisfação e a confiança da clientela no atendimento recebido, mais a possibilidade de influenciar positivamente na saúde e na vida das pessoas, permitem sugerir com segurança que:

A Medicina Homeopática deve ser implantada em um maior número possível de unidades do SUS. 

 

 

 

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

 

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A N E X O  2

 

Q U E S T I O N Á R I O

 

1- Quando você ouve a palavra HOMEOPATIA qual a primeira coisa que vem na sua cabeça? Que mais?

 

2- Antes deste tratamento homeopático, qual tipo de tratamento utilizava? Onde, para quê e como era este tratamento?

 

3- Você já havia experimentado algum tipo de tratamento homeopático? Sim? Onde, para quê e como era este tratamento?

 

 4- Que motivos levaram você a se tratar pela homeopatia? (Explorar os vários motivos)

 

5- Por que escolheu este centro de saúde para realizar seu tratamento homeopático?

 

6- Durante o tratamento homeopático, você fez algum tratamento regular de alopatia? Sim? Onde e por quê?

 

7- Quais as diferenças mais importantes que você achou entre as consultas de homeopatia e as de alopatia?

 

8- Você notou alguma mudança na sua saúde após o tratamento homeopático? Sim? Qual a mais importante e por quê?

 

9- Você percebeu alguma modificação na sua vida (com a família, no trabalho, com os amigos) após ter iniciado o tratamento homeopático? Sim? Qual a mais importante e por quê?

 

10- O que está achando do tratamento neste centro de saúde?

 

11- Gostaria de fazer alguma sugestão para melhorar o atendimento homeopático deste centro de saúde? Sim? Quais?

 

12- Agora, com a sua experiência e com os resultados obtidos com seu tratamento homeopático, diria que este tratamento deveria ou poderia estar disponível em outros serviços de saúde do governo? (Ambulatórios, hospitais, prontos socorros etc.) Sim? Por quê?

 

13- Tem algum ponto, assunto que não foi perguntado que gostaria de falar?

 

 

 

TRATAMENTO - Consultas regulares com o médico, uso de medicamentos e orientações médicas em geral.

ATENDIMENTO - O tratamento, mais a marcação de consultas, local, orientação dos funcionários etc.

 

 

A N E X O  3

 

IDÉIAS CENTRAIS E EXPRESSÕES CHAVES

 

     1- Quando você ouve a palavra Homeopatia, qual a primeira coisa que vem na sua cabeça? Que mais?

IDÉIA CENTRAL

 

É um tratamento diferente, médicos e remédios diferentes, uma alternativa diferente. Lembra flores e ervas. Homem completo, homem como um todo.

EXPRESSÕES CHAVES

 

É um tratamento muito diferente dos outros tratamentos

Mais adequado

Parece que vai sarar.

É um lado diferente, um médico diferente, remédios diferentes.

Hoje para mim é uma coisa boa, mas antigamente, quando ouvia a palavra homeopatia eu ficava arrepiada.

Antigamente me fazia desacreditar e levar na gozação.

Um primeiro momento de descrença

Uma coisa mais natural, um tratamento mais natural.

Uma alternativa diferente.

Lembra flores. é um remédio que se identifica com ervas.

Tratamento do todo.

Um investimento do físico, da saúde do equilíbrio.

O homem completo

Tratar o homem como um todo.

Um tratamento que conhece você mais profundamente.

 

 

2- Antes deste tratamento homeopático, qual tipo de tratamento realizava? Onde, para quê e como era este tratamento?

 

IDÉIA CENTRAL

 

Nunca fiz um tratamento contínuo, quando precisava ia na emergência.

Usava medicamento de alopatia.

Eu mesmo me medicava. Sempre usei alopatia

 

Homeopatia também

Lá em casa todo mundo há muito tempo não toma remédio de alopatia.

EXPRESSÕES CHAVES

 

Fiquei muito tempo sem nenhum médico.

Quando me sentia nervosa tomava maracujina, que é uma coisa natural, para não ter que tomar esses outros remédios que deixa a gente ruim.

Eu não tava fazendo nada.

Quando precisava, ia na emergência e usava medicamento comum de alopatia.

Eu vim prá cá prá fazer um tto de sinusite, vim porque tinha muita dor, muita dor e não adiantava tomar remédio que não fazia efeito,

eu ia na emergência, não era um tratamento, tava passando mal, passava, tomava um remédio e pronto.

Esse atendimento de emergência é muito na hora, e na maioria das vezes o depois fica para bem depois porque se a gente quisesse passar com um especialista é dois, três, meses que você teria que esperar depois daquela consulta.

Homeopatia também, faz nove anos que me trato com homeopatia. só tomei alopatia quando estava no hospital para ter meus filhos, só o necessário.

Lá em casa todo mundo há muito tempo não toma remédio de alopatia.

Me tratava com médico particular.

Com alopatia.

Quad sentia alguma coisa passava nos médicos, eles me davam uma receita e ia embora.

Eu ia para o hospital tomar soro, injeção e inalação.

Fazia inalação, voltava para casa, fazia inalação e estava pior ainda.

Eu nunca fiz um tto contínuo como eu tô fazendo com homeopatia. Quando tinha algum problema de saúde me tratava com alopatia.

Eu mesmo me medicava, normalmente não ia aos médicos, muito pouco.

Quad tinha alguma coisa, ia nos hospitais.

Sempre usei alopatia, nunca homeopatia.

Olha, em geral usava cortisona, dose cavalar mesmo. Depois do tratamento homeopático eu parei com tudo, não tem mais.

 

 

 

 

3- Você já havia experimentado algum tipo de tratamento homeopático? Sim? Onde, para quê e como era este tratamento?

IDÉIA CENTRAL

 

Não;

Com médico não

Uma vez, fui na Almeida Prado (farmácia homeopática de São Paulo) e tomei um remédio. Não era médico que receitava.

Já; em duas ocasiões.

 

4- Que motivos levaram você a se tratar pela homeopatia? - Explorar todos os motivos, não só o de saúde.

 

IDÉIA CENTRAL

 

Escutava dizer que era muito bom

Receio de tomar alopatia.

Uma forma menos agressiva ao organismo.

A homeopatia trata de dentro para fora.

Tava a fim de mudar muita coisa

EXPRESSÕES CHAVES

 

É que toda a vida eu escutava dizer que era muito bom.

A Dra. Ana disse que era bom  passar pelo médico de homeopatia

Sempre foi motivo de saúde, e receio de ter de tomar alopatia.

Eu vim por causa da sinusite.

O pessoal fala que a homeopatia trata de dentro para fora.

Eu tava afim de estar mudando muita coisa começando pelo tratamento médico, alimentação tudo isso...

Eu vim pensar em parar de fumar

Procurar uma forma menos agressiva ao organismo.

A alopatia, ela trata uma coisa mas atacando outra

 

 

5- Por quê você escolheu este centro de saúde para realizar seu tratamento homeopático?

IDÉIA CENTRAL

 

Referência boa, achava que era trabalho sério, senti confiança. Ouvi falar do tratamento do Dr. Gil que era muito bom.

Único lugar que tinha, em outro não ia conseguir.

Local próximo, moro no bairro, faz parte da região. Um amigo me indicou falando que essa homeopatia era diferente.

EXPRESSÕES CHAVES

 

Em primeiro lugar é que em outro eu não ia conseguir

Porque foi o único lugar que tinha

É o local mais próximo

Pela indicação de um amigo, ele falou “vai lá que essa (homeopatia) é diferente”, eu vim marquei e gostei.

Eu vim por uma parcela de confiança, Porque eu já ouvia as pessoas falarem que vinham aqui, são bem atendidas e já ouvia falar inclusive do Dr. Gil que era muito bom. As pessoas que são atendidas por ele, falam muito bem dele.

Fica mais próximo para mim e faz parte da região

Na verdade eu ouvi falar do tratamento do Dr. Gil, que era muito bom

Eu não tinha condições financeiras de tá procurando um médico particular, tive uma referência boa.

Moro no bairro, em fim foi perfeito.

Primeiro que é próximo da minha casa.

Já trato as crianças na pediatria daqui

Tem também a questão econômica que é terrível

Eu tive uma certa confiança, achava que era trabalho sério

Eu senti confiança para procurar homeopatia aqui

 

 

 

6- Durante o tratamento homeopático você fez algum tratamento regular de alopatia? Sim? Qual, onde e para quê?

 

IDÉIA CENTRAL

 

Não! Não! Eu sempre usei os remédios que me foram passados aqui.

Primeiro tentei tudo lá fora para depois tentar aqui

Depois que comecei aqui, não tomei alopatia.

 

Regular não, teve emergências e acabei tomando alguns remédios de alopatia.

 

Resolvi aceitar todos furúnculos da minha vida, aceitei e eles desapareceram.

EXPRESSÕES CHAVES

 

Não! Não! Eu sempre usei os remédios que foram passados aqui, eu não usei mais outro

Tava tomando o remédio que o Dr. Gil passou e minha mãe começou a dar aminofilina; só que a mãe deu para ele o remédio há pouco tempo.

Ele se dá muito bem com o remédio da homeopatia

Primeiro eu tentei tudo lá fora, para depois tentar aqui.

Depois que comecei aqui não fiz mais nada, nem os exercícios respiratórios.

Eu tomo atenol porque tenho problema de válvula mitral, eu tava tomando 5omg, depois do tto homeopático passei para 25mg.

Eu tomo remédio para alergia que não consegui me libertar, antes tomava 1comp. agora só tomo ½ em dias alternados.

O tempo todo que fiz o tratamento não tomei alopatia.

Regular não, teve emergências acabei tomando alguns remédios.

Apareceram alguns furúnculos, acabei tomando antibiótico e eles voltaram, então resolvi aceitar todos os furúnculos da minha vida; aceitei e não tive mais

 

7- Quais as diferenças mais importante você achou entre as consultas homeopáticas e alopáticas?

IDÉIA CENTRAL

 

Não dá nem para comparar! Na homeopatia a gente conversa, faz um desabafo, fala tudo o que sente.

O médico explica tudo, examina tudo e dá mais atenção do que pode, vai mais a fundo.

Estuda o todo, como pessoa, como um ser humano.

Atendimento mais profundo, existe um diálogo, existe uma relação mais próxima.

Como os médicos de antigamente, de família.

A homeopatia é a melhor delas, pergunta tudo.

A alopatia está mais interessada nos sintomas do momento, não procura saber se o remédio vai te fazer mal, eles dão.

Tentei conversar com os médicos outro dia e ouço eles dizerem, “Quem é o médico aqui? Você ou eu?

Tempo e duração da consulta.

EXPRESSÕES CHAVES

 

Nossa! Não dá nem prá comparar!! as outras consultas eu já chegava na porta e encontrava a receita pronta, já ia chegando, “bom dia, boa tarde” a receita já na mão. Teve deles que não cheguei nem parar.

E esse agora da homeopatia, a gente conversa, faz como que um desabafo, a gente fala tudo, tudo que a gente sente e... olha não tem nem comparação de maneira nenhuma.

Eu cheguei a tentar conversar com os outros médicos, a gente diz que está com muita dor no estômago, muita queimadeira... será que é gastrite ou é... e ouço eles dizerem “ quem é o médico aqui? é você ou eu?” então com aquilo a gente não procura falar nem nada, fala só o que o médico pergunta, nada, só passa a receita e a gente vai embora.

O Dr. Gil eu tomo o remédio e paro né. Com aminofilina eu demoro muito, tem vez que nem passa.

De homeopatia é muito bom, explica tudo né, atendimento bom prá mim.

É a pessoa dar mais atenção do que pode né?

Ele assim, examina tudo né? Atendimento que vai mais à fundo, a homeopatia que a alopatia.

As da alopatia não procuram saber se aquele remédio vai te fazer mal, eles dão. A homeopatia ela estuda o todo, eles sabem qual remédio ele vai dar sem ter que fazer mal para outras coisas.

O médico da homeopatia, a gente sente que ele está mais interessado em você como um todo, você sente que o médico está preocupado com você, não com a doença. Preocupado com você como pessoa para lhe dar um atendimento global.

Eu percebo que o médico da homeopatia quando me atende ele se preocupa em saber realmente como estou não só como doente, mas como estou como pessoa. Como ser humano.

Os médicos da alopatia não me convencem quando conversam comigo

Alopática, é você ali como um caquinho, a gente enxerga, quebrou um ladinho vai lá e conserta.

A homeopatia, ela é mais profunda. Ele se importa com o ser humano mesmo, com a pessoa que está ali.

Você vê que você tem mais atenção, ele é mais atencioso, se importa, pergunta. O alopata não; o que você está sentindo? ele vai te dar o remédio para aquilo que você está sentindo ali no momento.

Na homeopatia o atendimento é mais profundo.

O que achei mais importante de tudo no tratamento foi o diálogo, a conversa que se tem com o doutor. Achei isso muito importante

Ele perguntava várias coisa da sua vida, o que houve, o que não houve, se você passou por alguma coisa na sua vida, para ir chegando num determinado... aí ele escolhe alguma coisa (remédio)

A homeopatia é a melhor delas, ela pergunta tudo.

O médico te conhece, te capta, tem uma relação mais próxima com o paciente, no sentido de investigar mesmo.

Ele não fica só preocupado com sua queixa.

Na alopatia você vai, o que a sra. Sente? é isso, daí ele examina, medica e você vai embora.

A homeopatia ela busca mais, não só vai atrás de tanta queixa, ele vai atrás do que está cercando, como é a tua vida, como é que está vivendo, como é que está dormindo, como foi que aconteceu, alguma preocupação maior? e tudo que possa estar envolvendo aquela queixa.

É o tempo de duração da consulta, a forma de abordagem do médico.

O médico de homeopatia tem aquela coisa antiga de médico de família, acaba vendo você como parte de um todo, então o ambiente familiar tem a ver com sua saúde, como é que você vive, em que condições, etc.

A alopatia você vai, vê uma coisa mais enfocada nos sintomas, o que está apresentando ali naquele momento.

Hoje fico impressionada, qualquer coisa você tem que fazer exames.

Você chega no médico, ele olha para você, quando olha, quando levanta a  cabeça do papel. Escreve, passa uma receita, faz tais exames....

Quando começa a se tratar pela homeopatia você vê um outro jeito de olhar para você

Eu acho que existe uma maior cumplicidade entre o paciente e o médico de homeopatia

 

 

 

8- Você notou alguma mudança na sua saúde após o tratamento homeopático? Sim? Quais?

IDÉIA CENTRAL

Muita! Muita! Estava tão entregue que ia procurar uma árvore e esperar a morte passar, Não confiava em mais nada. Minha saúde mudou totalmente, graças à Deus eu trabalho.

O que estou aprendendo aqui tento levar na prática. Mudei totalmente.

Andar poder fazer o serviço, é a melhor coisa do mundo, a gente se sente alguém na vida.

Não foi uma mudança, foi uma transformação.

Depois que passou com o Dr. Gil ele recuperou 100%.

Toda vez que ficava nervoso a bronquite me atacava, agora isso não acontece

Antes era agitada, tinha dificuldades de colocar limites.

Minha disposição melhorou muito após o tratamento

A dor é um bom motivo para você falar, entrar em contato com você mesma, entrar em seus processos, no que está passando.

A mudança mais importante é essa consciência, sempre buscar a mudança, o equilíbrio. A mudança na saúde está associada ao meu equilíbrio emocional.

Fiquei mais decidida.

A mudança mais importante foi a mudança interna.

EXPRESSÕES CHAVES

Muita, muita, muita! Eu tava entregue, eu cheguei a falar para as minhas amigas e para as freiras que eu estava tão entregue que eu ia procurar uma árvore, sentar embaixo e esperar a morte passar. Já não confiava em mais nada.

Não tinha nenhuma esperança, não tinha mesmo esperança de viver, agora graças à Deus, eu trabalho, tem hora que eu não sinto. Minha saúde mudou totalmente, e muitas coisas que estou aprendendo aqui estou tentando levar em prática.

Eu mudei totalmente!!!

A sinusite que eu não sentia cheiro, sentia uma dor de cabeça terrível, corria aquela infecção pelo nariz, coisa horrível mesmo. Eu não gostava nem de ficar perto das pessoas por causa do mal cheiro que eu tinha na cabeça...graças à Deus não tenho mais aquela dor de cabeça, já sinto cheiro, isso aí já foi uma benção prá mim, e também esse reumatismo, eu tava andando tão torta, dificuldade pra andar, prá fazer serviço, agora a gente andar, fazer serviço é a melhor coisa do mundo, a gente se sente alguém na vida.

Do jeito que tava antes a gente só pedia a Deus para encerrar aquilo por ali, porque é a pior coisa do mundo.

Hoje se for preciso, já fico em pé o dia inteiro.

Não foi uma mudança, foi uma transformação!!! Nasci de novo.

Antes eu não conseguia correr, agora consigo, tinha dia que não conseguia dormir por causa da falta de ar, passava a noite acordado direto de cima para baixo. Depois que passou com o Dr. Gil ele recuperou muito, 100%.

Toda vez que ficava nervoso, minha mãe tinha que correr para os médicos já que ficava atacado(crise de bronquite) agora isso não acontece.

Agora estou menos tensa no pré menstrual. Antes era muito agitada, agora estou mais tranqüila, eu consigo perceber claramente qual o remédio que fico mais tranqüila, menos preocupação.

Eu era uma pessoa que tinha dificuldade de estabelecer limites com os outros.

Quando você começa a tomar uma medicação parece que acentua os sintomas, depois vai entrando num equilíbrio e você vai sentindo uma melhora.

Quando vim, estava estafada, me sentindo magra, cansada, com uma alergia terrível, depois do tratamento fui sentindo a diferença, mudou, minha disposição mudou, foi visível.

Por isso que acho que a homeopatia tem essa diferença da alopatia, nesse sentido que as pessoas precisam falar sobre a dor, o sentimento que ela tá ali, naquele momento, às vezes a dor não é tão grande, mas ela tá uma coisa mais profunda lá dentro, ela precisa extravasar, e a dor é um bom motivo para ela chorar, prá ela falar, então eu acho que a homeopatia você consegue ter um maior espaço prá isso né? Porque você vai tomar contato com você mesma, vai entrar em seus processos, no que está passando.

Acho que a mudança mais importante essa consciência mesmo, não sei se corporal, se você como um todo... e, sempre buscar a mudança, sempre assim do equilíbrio, porque se você tá doente, é porque tem alguma coisa que não está bem, você está desequilibrada, então, acho que essa foi a grande mudança.

Ah! sim, eu melhorei da dor, melhorei psicologicamente, eu me senti bem, quando estou tomando a medicação eu sinto que estou melhor, a mudança na saúde está muito associada ao meu equilíbrio emocional.

Muita coisa, eu mudei muito; sentimentos, atitudes, isso mudou muito.

Através dos remédios que ia tomando, eu ia percebendo as reações que ia tendo, e a mudança que eu tava tendo dentro de mim. Sabe, eu adquiri, não sei se é mais coragem, entendeu? Não sei se é uma coisa que eu tinha que está saindo para fora, eu fiquei mais decidida.

Eu melhorei a sinusite, eu não tenho mais crises.

A mudança mais importante foi de como me via como pessoa, foi uma mudança interna, muito mais interna, eu acho que aí a mudança foi fazendo com que a saúde fosse melhorando.

Depois do tratamento homeopático, raramente usei a bombinha, muito raramente mesmo, antigamente com a mudança do tempo também ficava ruim, agora não.

Antes de passar com o Dr. Gil me sentia cansado, parecia meio estressado e tal, não tinha muita vontade de fazer as coisas, parecia que estava cansado o dia todo, à partir do momento que ele passou o remédio, não sei, parece que deu uma mudança, parece que arranjou uma fórmula de acabar com aquilo que tinha.

Melhorei muito

 

 

 

 

9- Você percebeu alguma mudança em sua vida ( família, trabalho, amigos etc.) após ter iniciado o tratamento homeopático? Sim? Qual a mais importante?

IDÉIA CENTRAL

 

Foi uma revolução, tudo explodiu, causou um atrito grande na minha casa porque mudei muito. Antes deixava passar coisa que eram importantes, hoje quando quero, faço.

Fiquei mais decidida, mais corajosa, tomei as decisões após o uso do medicamento.

Foi minha mudança, o que acontecia em volta de mim, foi reflexo de tudo que aconteceu comigo.

Tenho percebido que estou conversando mais com as pessoas, não sei se tenho condições para aceitar que a homeopatia possa fazer isso comigo

Só falava gritando, nervosa, não sou aquela que começou aqui, nasci de novo, nasci para melhor

Me relaciono melhor com as situações, com as pessoas.

Me centro mais, menos ansiedade, menos culpa, melhorei muito em concentrar energia em minha pessoa.

A postura, sua postura diante das coisas muda.

Acho que mexe com tudo, mexe com todo o organismo, não só com aquela determinada coisa que está tratando. Você nem espera, mas a coisa se manifesta

EXPRESSÕES CHAVES

 

Eu era nervosa, meio agitada, às vezes tratava mal as pessoas por causa disso, depois do tratamento homeopático vou mais tranqüila, também não tem mais esses períodos de instabilidade comigo, eu tô mais tranqüila, bem legal, bem mesmo, não brigo mais com ninguém, só quando precisa.

Esse ano foi um ano de revolução, tudo explodiu. Na minha casa causou um atrito muito grande porque eu mudei, eu mudei muito, sabe, a mudança que eu tive de estar exigindo coisas que para mim eram importantes e que antes deixava muito mais de lado, então assustou; "ah, mas você está fazendo isso que antes não fazia" eu deixava passar muita coisa, hoje eu quero fazer e vou fazer.

Decisão, eu fiquei mais decidida e, em tá assumindo  coisas que tinha vontade de fazer e que antes eu não fazia.

Acho que foi a minha mudança, e não o que acontecia em volta de mim.

O que acontecia em volta de mim, foi reflexo de tudo aquilo que aconteceu comigo.

Eu mudei muito, sentimentos, atitudes, isso mudou muito. Através dos remédios que ia tomando, eu ia percebendo as reações que ele ia tendo, e a mudança que eu tava tendo dentro de mim.

Sabe, eu adquiri não sei se é mais coragem, entendeu?

Eu fiquei mais decidida, eu tomei as decisões após o uso dos medicamentos.

Olha, não sei se é por causa do tratamento homeopático, eu posso até tentar me ligar mais à isso, olha, eu sou uma pessoa muito fechada, muito introvertida e ultimamente tenho percebido que eu tenho conversado mais com as pessoas, eu tô procurando conversar com as pessoas.

Eu preciso dar espaço para as pessoas chegarem em mim. Não sei se correspondi a isso da homeopatia, não sei.

Já falei para você, não sei se tenho condições para aceitar que a homeopatia também possa fazer isso comigo, mas que houve uma melhora na minha saúde isso eu tenho certeza absoluta. Até hoje não tinha parado para analisar isso aí.

Sim, sim!! olha, eu cheguei a uma situação que meus filhos me tocou de casa, tive que abandonar minha casa, fiquei 8 meses na rua, tive que me afastar de meus filhos, eles ficaram tão contra mim, que fartei deles. Através de minhas amigas, consegui um serviço mesmo que não agüentava trabalhar, foi quando consegui aqui e minha saúde mudou. Agora eu trabalho e tenho boa amizade com os meus filhos. Graças à Deus meus filhos me ligam, fala, comigo com muito carinho.

Minha filha me disse que nunca me viu tão bem!! "nossa mãe, não acredito que é você!"

Graças à Deus, foi uma mudança total, eu vivia meu estado de nervos, era assim uma coisa que eu não conseguia, às vezes se eu fosse falar na calma, eu não conseguia porque eu começava a chorar, só falava se fosse gritando, nervosa, só assim eu conseguia. e agora graças à Deus,  mudou totalmente, eu não sou aquela que começou aqui, não sou, nasci de novo! Nasci agora para melhor.

Qualquer pessoa que precisa de tratamento, tenho indicado aqui, porque foi onde consegui vida nova. Essa benção que Deus mandou do céu para mim.

Percebi que estou mais calmo, porque quando ficava atacado de bronquite, eu ficava nervoso com meus irmãos, agora, fico nervoso e não fico atacado como antes. Antes ficava nervoso e atacado.

Toda vez que ficava nervoso, minha mãe tinha que correr no médico já que eu ficava atacado e nervoso, e não fiquei mais roxo é porque foi mais importante.

Tenho uma tranqüilidade melhor, estou me relacionando melhor com as coisa, com as pessoas, de uma forma mais tranqüila, menos ansiedade, menos culpa, menos preocupação.

Consigo sacar, compreender melhor as coisa, tentar não me envolver. Sabe, antes eu ficava muito envolvida, eu tava tensa. Acho que eu cresci nesse sentido. Eu me centro mais.

Eu percebo que me envolvia com todas as pessoas, com todos os problemas de uma forma muito tensa. Misturava sentimentos, agora não é de uma forma egoísta como antes.

Me deixou mais tranqüila, antes eu ficava muito preocupada em ajudar as pessoas e esquecia um pouco de mim, melhorei muito em concentrar a energia na minha pessoa.

É a postura, sua postura muda.

Ah! sim, processos internos, aflora alguma coisa que as vezes fica meio difícil. A agressividade às vezes está meio contida, ela aflora, o outro que era mais agressivo está mais centrado.

O próprio jeito de tomar o remédio já faz com que você tenha um jeito de olhar para si, de prestar mais atenção.

Acho que mexe com tudo, a homeopatia mexe com todo o organismo, não só com aquela determinada coisa que você está tratando, às vezes, aparece coisa que você nem estava esperando, mas a coisa manifesta.                  

 

 

 

 

 

 

10- O que você está achando do tratamento homeopático neste centro de saúde?

 

IDÉIA CENTRAL

 

 Tô satisfeita, os médicos são responsáveis, as consultas me esclarecem,

Estou achando bom, o melhor, conhecendo o que é bom, ótimo. Foi aqui que encontrei minha saúde, minha paz, tudo que tenho de bom agora, agradeço aqui.

Me sinto segura aqui, mais à vontade, as informações são precisas.

EXPRESSÕES CHAVES

 

Tô satisfeita, tô satisfeita.

Eu acho que os médicos são responsáveis.

Sou muito perguntadeira, curiosa, quero saber o que vou ingerir, o que vou colocar dentro do meu corpo. Acho que nesse sentido as consultas aqui me esclarecem, são esclarecedoras.

Já escutei de médico que eu não tinha que saber porque não me cabia saber.

Ah, estou achando o melhor, porque estou conhecendo o que é bom.

Ótimo, porque foi aqui que eu encontrei minha saúde, a minha paz e tudo que eu tenho de bom agora, até mesmo o meu emprego eu agradeço ao tratamento daqui, tudo de bom eu devo ao tratamento daqui.

Eu estou achando bom.

Eu gosto de me sentir segura, principalmente quando estou doente e preciso de um atendimento e aqui eu me sinto segura.

Ótimo, excelente.

Aqui o pessoal está mais inteirado de tudo que está acontecendo, quando tenho que vir aqui, me sinto mais à vontade porque as informações são mais precisas.

Sou sempre bem atendido.

Eu acho bom, eles explicam direitinho. Mesmo quando a gente não pergunta para o médico, as meninas dão a orientação.

 

 

 

11- Gostaria de fazer alguma sugestão para melhorar o atendimento homeopático neste centro de saúde?

 

IDÉIA CENTRAL

 

Não tenho queixas. Ter um lugar fixo para o atendimento.

Mais conforto para os médicos.

Horário diferenciado para os funcionários daqui.

Informatizar o serviço.

EXPRESSÕES CHAVES

 

Não tenho queixas, no momento não tenho.

Ter um lugar fixo para o atendimento.

Quanto mais conforto tiver os meus médicos, vai ser muito melhor para as pessoas que precisam.

Não tem o que reclamar.

Fazer horário diferenciado para os funcionários daqui.

Acho que deveria informatizar o serviço.

Fazer palestras sobre homeopatia, divulgar mais o atendimento homeopático.

 

 

 

12- Agora, com a sua experiência e os resultados obtidos com o seu tratamento, diria que este tipo de tratamento deveria ou poderia estar disponível em outros serviços de saúde do governo? (ambulatórios, hospitais, prontos socorros etc.) Sim? Por quê?

 

 

IDÉIA CENTRAL

 

Sim! Sim! Sim! Muitas pessoas iam ser salvas. Tem muitas pessoas que precisam deste tratamento.

Com certeza. Uma oportunidade que o Brasil teria de ter uma outra área de trabalho, de investigação, de recursos.

O gasto é menor, o investimento é menor.

A homeopatia deveria estar mais aberta para todo estar conhecendo. Deveria ter nos hospitais, ela trás mais benefícios que a alopatia.

EXPRESSÕES CHAVES

 

Sim, sim, sim!! Nossa... se tivesse! Doutor, olha quantas pessoas ia ser salvo.

Eu nunca ia poder fazer esse tratamento, e tem muitas pessoas que precisam deste tratamento.

Se tivesse esse tratamento em outros hospitais, postos de saúde, ia salvar muita  gente como me salvou.

Ah! com certeza.

Acho que é uma oportunidade que o Brasil teria também de ter em outra área de trabalho, de investigação, de recursos.

Eu acho que o gasto é muito menor, o investimento é muito menor.

Com certeza, acho muito pequeno o acesso do público para a homeopatia..

Acho que a homeopatia tinha que estar muito mais aberta para todo mundo estar podendo conhecer.

Se foi bom para mim, pode ser bom para outras pessoas né?

Com certeza, eu acho que traz mais benefícios, muito mais que o tratamento alopático.

Acho que de ter nos hospitais.

 

 

 

 

 

13- Tem algum ponto que não foi perguntado que gostaria de falar?

 

IDÉIA CENTRAL

 

Deveriam dar mais valor à homeopatia

Deveriam ter uma sala também para o negócio ser real e importante também.

Já que estão pondo deveriam dar mais atenção aos médicos.

A pesquisa que está sendo feita vai dar credibilidade à homeopatia.

Importante para o Brasil este trabalho. Estímulo para os outros melhorarem a qualidade de assistência.

Que se estenda para outros lugares, para outras pessoas

EXPRESSÕES CHAVES

 

Acho que eles deveriam dar mais valor à homeopatia, porque o Dr. Gil, tem hora que está aqui, outra hora ali...eu acho que eles deferiam ter uma sala também. Acho que isso eles deveriam fazer para o negócio ser real, ser importante também né? Já que estão pondo, estão dá toda atenção para o médico, não ficar correndo prá lá e prá cá, isso é ruim para o médico e também para os pacientes.

Esse trabalho de pesquisa que está seno feito, é muito importante, dá mais credibilidade para a homeopatia.

Neste ano, acentuou muitas coisas comigo após o tratamento de homeopatia. Eu tinha que estar buscando coisas dentro de mim, a homeopatia dá isso prá você.

Você fica mais consciente do que está acontecendo com você, percebendo mais você.

Vejo que é uma coisa importante para o Brasil esse tipo de trabalho.

É um estímulo para os outros melhorarem a qualidade de assistência que precisamos.

que deus abençoa esse tratamento, e que ele se estenda para outras pessoas, para outros lugares; é mais o que eu quero.

 

 

 


 

[1] Desde a época de Hahnemann, a comunidade homeopática formada por médicos e farmacêuticos, emprega o termo “patogenético” relativo à gênese de uma doença. Na atualidade, este termo pode ser confundido com “genética”: ciência que estuda os genes. Talvez o termo mais adequado possa ser “patogênico”, relativo à gênese, criação, origem. Gostaria de deixar esta questão em nota para discussões posteriores.